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Infanto_Juvenil-->Camponesa -- 04/07/2014 - 16:49 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Foto: Nas primeiras águas,  berra o boi solto na manga, corre o cavalo batendo os cascos, sacudindo o pescoço, roncando  atrás de uma égua no cio; ronca o trovão, vem a fartura, transborda o leite na gamela; sopra o vento na janela e na palma do tucunzeiro. A mulher do vaqueiro trabalha feito saúva e tem todo ano um filho. Soca pilão, debulha milho, arranca malva, varre o terreiro, cozinha e  engorda o porco no chiqueiro, tange a galinha, toca o galo pro poleiro; serve o prato do marido e se banha nas águas do ribeiro. No fim da tarde, cata piolho na filharada  e espera o amado que mesmo cansado quer fazer mais um pimpolho. Enfim, novo dia se levanta. Canta longe a cocar no ninho. A camponesa colhe os ovos, deita na galinha criadeira, nascem pintinhos. Crescem juntos os pretos chuviscados de branco, filhos postiços da galinha amarela e os amarelinhos filhos  da mãe branca como se irmãos de sangue fossem. A galinha cisca no terreiro e vai para a horta, mas o pé não passa  na tela de passarinho. Os pintinhos vazam por baixo num vão que só cabe um dedo. A mulher joga milho e de novo atrai a mãe das crias. Os pintinhos piam espavoridos. A galinha  corre cacarejando, chamando a pintainhada: kuá... kuá... kuá. Kua-rá-kua-kuá. Karcará. Corre pra lá e pra cá, até que um atende o chamado, os outros o seguem e todos vão pro quintal fustigar um filhote de cobra verde na grama.  

***
Texto: Adalberto Lima
Imagem: Google.

Nas primeiras águas,  berra o boi solto na manga, corre o cavalo batendo os cascos, sacudindo o pescoço, roncando  atrás de uma égua no cio; ronca o trovão, vem a fartura, transborda o leite na gamela; sopra o vento na janela e na palma do tucunzeiro. A mulher do vaqueiro trabalha feito saúva e tem todo ano um filho. Soca pilão, debulha milho, arranca malva, varre o terreiro, cozinha e  engorda o porco no chiqueiro, tange a galinha, toca o galo pro poleiro; serve o prato do marido e se banha nas águas do ribeiro. No fim da tarde, cata piolho na filharada  e espera o amado que mesmo cansado quer fazer mais um pimpolho. Enfim, novo dia se levanta. Canta longe a cocar no ninho. A camponesa colhe os ovos, deita na galinha criadeira, nascem pintinhos. Crescem juntos os pretos chuviscados de branco, filhos postiços da galinha amarela e os amarelinhos filhos  da mãe branca como se irmãos de sangue fossem. A galinha cisca no terreiro e vai para a horta, mas o pé não passa  na tela de passarinho. Os pintinhos vazam por baixo num vão que só cabe um dedo. A mulher joga milho e de novo atrai a mãe das crias. Os pintinhos piam espavoridos. A galinha  corre cacarejando, chamando a pintainhada: kuá... kuá... kuá. Kua-rá-kua-kuá. Karcará. Corre pra lá e pra cá, até que um atende o chamado, os outros o seguem e todos vão pro quintal fustigar um filhote de cobra verde na grama. 

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Texto: Adalberto Lima

Imagem: Google.

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