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Infantil-->PÉ NO BOLO E OS FESTEJOS JUNINOS -- 25/06/2008 - 17:16 (GERMANO CORREIA DA SILVA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

PÉ NO BOLO E OS FESTEJOS JUNINOS
(Por Germano Correia da Silva)


O mês de junho, por tradição, é considerado o mês dos festejos populares alusivos a Santo Antonio, São João e São Pedro em todos os cantos e recantos deste imenso país.

A comunidade onde mora o garoto Pé no Bolo, a exemplo das demais comunidades circunvizinhas, se preparou, a caráter, para festejar os três santos, cada um no seu dia, evidentemente.

Nessa época do ano a fabricação e venda de fogos de artifícios correm à solta em quase todas as comunidades nacionais, e o que é lamentável, sem o devido controle dos órgãos fiscalizadores municipais e estaduais.

As pessoas que gostam de fazer suas festas e comemorações à base de muito barulho, geralmente procuram as casas de revendas de fogos de artifícios e ali fazem suas encomendas ou compras avulsas, naturalmente.

O garoto Pé no Bolo morre de medo da queima de todo e qualquer tipo de fogos de artifícios, mesmo que seja uma simples bombinha caseira, um traque ou um busca-pé. Seus colegas e amigos mais íntimos já conhecem esse seu ponto fraco e, sempre que podem, tentam tirar algum proveito disso, mas desta vez ele deu a volta por cima.

Para a surpresa da maioria dos moradores, a sua comunidade não soltou balões e nem promoveu aquela grande queima de fogos de artifícios no dia de comemoração a São João, como o fazias todos os anos, devido à ocorrência de um fato inédito.

Comentam, a bocas miúdas, que o garoto Pé no Bolo foi o mentor intelectual de todas as articulações que motivaram as mudanças ocorridas. Por ter um grande pavor a todo tipo de fogos de artifícios, presume-se que ele tenha induzido os garotos de sua comunidade a convenceram seus respectivos pais a fazer parte de uma ação comunitária inusitada. Tal ação consistiria de uma visita à casa de assistência social local, justamente no dia e horário em que seria realizada a queima de fogos de artifícios tradicional de sua comunidade.

O presidente da associação comunitária, muito atento aos boatos e fatos de sua comunidade, ao tomar conhecimento da existência desse movimento popular achou por bem que deveria participar dele. E, num ato de pura generosidade e espírito humanitário, em vez de gastar toda a verba recebida do poder público com a tradicional queima de fogos de artifícios na festa de sua comunidade, também foi visitar o asilo local e, em chegando lá, doou metade dela para ser gasta com a manutenção e cuidados dos adultos e crianças que se encontravam abrigados ali.

Diferentemente dos anos anteriores, todas as crianças e adultos que estiveram visitando a casa de assistência social local puderam brincar um pouco com aquelas pessoas que estavam ali, cada uma no seu cantinho, à espera de um simples estampido provocado pelo pulsar do coração de cada um dos seus raros visitantes.

O autor dessa iniciativa inédita foi descoberto dias depois e ao ser questionado acerca daquela sua feliz idéia, a qual mobilizou toda a sua comunidade, exatamente no dia da sua festa tradicional, desviando a atenção de todos para aquela visita de cunho social, ele assim se expressou:

- Soltar balões e fogos de artifícios, em qualquer época do ano, não faz bem à saúde da nossa natureza e nem a nenhum de nós, portanto, quanto menos pessoas estiverem fazendo isso, com certeza estarão colaborando de alguma forma pela preservação dos bosques e matas que ainda nos restam.

E numa autêntica atitude de uma criança peralta e irreverente, saiu correndo, de um lado para o outro, em meio às demais crianças de sua comunidade, gritando:

- Viva Santo Antonio, São João e São Pedro! Viva nossas comunidades, nossos bosques e nossas matas, também! Tudo para o nosso bem...

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