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Artigos-->PRESENÇA MASCATE NAS PRAIAS PERNAMBUCANAS -- 24/09/2006 - 16:30 (Thelma Regina Siqueira Linhares) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
PRESENÇA MASCATE NAS PRAIAS PERNAMBUCANAS
Thelma Regina Siqueira Linhares (*)

O litoral pernambucano abrange 187 km de praias, desde a barra do rio Goiana, na praia de Carne de Vaca (em Goiana na divisa com a Paraíba, ao Norte) até a foz do rio Persininga, na praia da Coroa Grande (no limite de São José da Coroa Grande com Alagoas, ao Sul). A essa extensão de belas praias, algumas urbanas e densamente povoadas, outras quase inexploradas, acrescenta-se o arquipélago de Fernando de Noronha, distante 545 km do Recife e que, com suas 21 ilhotas, de origem vulcânica, emerge em pleno Oceano Atlântico, numa paisagem paradisíaca, reconhecida em todo o planeta.
O Oceano Atlântico, com suas águas mansas e tépidas, banha a costa pernambucana, protegida pela barreira natural dos arrecifes ou recifes, que funciona como um quebra-mar. O nome do estado, de origem tupi, vem de paranã-puk, significando mar furado, alusão ao canal de Santa Cruz, que cerca a ilha de Itamaracá. Enquanto o nome da capital – Recife – decorre dos recifes, bancos de corais e que, já nos tempos coloniais, tinha delineada a vocação de porto, fundamentada na proliferação dos mascates. Inclusive, houve a Guerra dos Mascates que durou de 1710 a 1714, conseqüência da mudança da sede de governo da capitania de Olinda (que concentrava os ricos senhores de engenhos) para Recife (habitada pelos mascates, comerciantes portugueses). O impasse foi resolvido com a permanência do Recife como sede de governo, passando o governador a residir seis meses em cada vila...
As cidades banhadas pelo Oceano Atlântico, seguindo-se o sentido Norte/Sul, totalizam 14 municípios, a saber: Goiana, Itamaracá, Igarassu, Abreu e Lima, Paulista, Olinda, Recife, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Sirinhaém, Tamandaré (Rio Formoso), Barreiros e São José da Coroa Grande. Alguns municípios fazem parte da Região Metropolitana do Recife, com praias urbanas e de grande densidade demográfica, com a descaracterização das paisagens litorâneas, enquanto outras cidades, embora pólo turístico, apresentam praias ainda inexploradas, refúgios paradisíacos, com extensos coqueirais.
Ao clima tropical, com temperaturas sempre elevadas e poucas variações térmicas durante o ano, associa-se à vegetação litorânea. Nas proximidades da foz de rios, na mistura das águas doce com a salgada, destacam-se as áreas de mangues, berçário para muitas espécies animais. Alguns manguezais estão sendo preservados e repostos. Nas praias, plantas rasteiras e esparsas, cobrem as areias brancas e finas. Na orla marítima, especialmente nas praias mais afastadas dos grandes centros urbanos, aparecem imensos coqueirais. E lembrar que coqueiros e mangueiras, tão bem aclimatados, vieram com o branco colonizador e que disputaram terreno com os nativos cajueiros... Há, ainda, manchas de Mata Atlântica em algumas praias pernambucanas.
Em relação ao relevo, as praias pernambucanas estão, em sua maioria, nas planícies litorâneas ou costeiras, quase ao nível do mar, o que favorece a invasão das águas durante as ressacas, em especial, no mês de agosto, e cuja fúria chega a destruir calçadas, avenidas e diques de contenção. Em alguns e raros trechos do litoral, há praias de falésias, terrenos em tabuleiros que, abruptamente, declinam para o mar, responsabilizando-se por um visual bem diferente, da costa de Pernambuco.
A movimentação mascate no litoral pernambucano é intensa, haja vista, a presença do astro-rei, em quase todos os 365 dias do ano, principalmente nas praias urbanas ou nas de pólos turísticos. E quase tudo é negociado. Comida, bebida, artesanato, serviços etc.
Há os quiosques padronizados, como aqueles que ficam na orla marítima das praias de Recife (Boa Viagem e Pina) e Jaboatão dos Guararapes, por exemplo. Vendem água de coco, lanches, cartões de telefone público, fichas de chuveiros dos calçadões, postais, artesanato e outros souvenir. Há as barracas com cobertura de palhas de coqueiro na beira-mar e que funcionam como verdadeiros barzinhos, onde a culinária típica, à base de peixe e frutos-do-mar é regada a cerveja gelada e refrigerantes, muito comum nas praias de Olinda, Paulista e Itamaracá. Há os barraqueiros instalados nas areias das praias urbanas disponibilizando serviços personalizados e com espaço geográfico previamente definido. Cadeiras-espreguiçadeiras, guarda-sol, banquinhos, lanches rápidos, cervejas, caipirinhas, refrigerantes etc. Diariamente, essa infra-estrutura é trazida à praia em carroças empurradas pelo próprio barraqueiro ou em kombis e caminhões, dependendo do poder aquisitivo do mesmo. Alguns terceirizam os serviços, têm uma grande equipe de apoio, que chega a envolver famílias. Identificam-se por nomes ou siglas e usam camisas ou camisetas uniformizadas. Se não têm o pedido do cliente, buscam entre os concorrentes o produto desejado. Afinal, prevalece aquele conceito de que quem manda é o freguês.... E há aqueles ambulantes, literalmente. Empurrando carrocinhas, equilibrando caixas térmicas ou de isopor, baldes, bacias, sacos, varas nos ombros, vão oferecendo seus produtos aos banhistas e turistas. Às vezes, no gogó, chamando atenção com pregões simples. Às vezes, chegando perto do cliente, insistindo. Destaque especial para alguns pregões que um ouvido atento pode captar em minutos:
"Camarão, camarão. Um é três; dois é cinco!".
"Chegou tradicional... casquinho (de caranguejo) chegou".
"Só original! Quer brilhar?" (para boné com lantejoulas).
"Olha ostra, ostra!"
"Olha a batatinha, olha!"
"Bronzeador... bronzeador... bronzeador."
"Olha o amendoinho!" (para amendoim).
"Bolsa. Bolsa e chapéu."
Nem todo produto é 100% confiável, mas sempre tem um freguês que se agrada da mercadoria. E, como é diversificada! Cangas, saídas de banho, chapéus, bonés e viseiras. Protetores solares e bronzeadores. Óculos escuros. Bijuterias. Artesanato em barro, palha, tecido, conchinhas, ostras e materiais reciclados. Quadros. Raspa-raspa geladinho. Sorvetes e picolés de grandes e pequenas indústrias. Água de coco. Frutas da época (abacaxis, mangas, jambos, melancias etc). Saladas de frutas. Queijo assado. Cachorros-quente. Espetinhos de diversos sabores. Sanduíches variados e naturais. Bebidas ao gosto do freguês: cachaça, caipirinha, cerveja, refrigerantes. Toda sorte de frutos-do-mar: caranguejo, camarão, caldeirada, bobó de camarão, moqueca de camarão e de peixe, ostras etc. Caldinhos diversos. Ovos de codorna. Amendoim. Algodão doce. Batatinha-frita. Pipas e cata-ventos para deleite da garotada. Bexigas plásticas com bolas de soprar. Brinquedos infláveis. Periquitos australianos. CDs e vídeos piratas. Repentistas e violeiros para apresentações ao vivo. Folhetos de cordel. Cartomantes. Fotógrafos.
Num fim-de-semana ou num feriado é muito dinâmica a presença mascate nas praias pernambucanas, que o banhista ou turista pode conferir. Sem precisar sair debaixo da sombra do guarda-sol, enquanto toma uma refrescante água de coco, joga conversa fora e aprecia a bela paisagem de céu, sol e mar. Ainda, com direito de visualizar uma lancha ou jangada em alto-mar, um ultra-leve cortando o ar e pipas colorindo o azul do céu. Dá para recarregar as baterias emocionais do stress cotidiano em tão democrático lazer.
Bom mesmo é participar. Fica o convite.

(*) Professora e Pesquisadora de Folclore.
Recife/PE
novembro de 2005

Colaboração da autora à Jangada Brasil
http://www.jangadabrasil.com.br/revista/outubro95/of95010c.asp
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