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Infantil-->PÉ NO BOLO NO PARQUE ECOLÓGICO -- 21/09/2008 - 00:10 (GERMANO CORREIA DA SILVA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

PÉ NO BOLO NO PARQUE ECOLÓGICO
(Por Germano Correia da Silva)

Cumprindo a rotina do programa semestral da grade curricular das escolas de ensino fundamental de sua região, o garoto Pé no Bolo esteve visitando o parque ecológico de sua cidade em companhia dos pais de alunos, professores e colegas de classe das escolas da comunidade onde ele mora.

A presença dos pais era facultativa, mas era imprescindível que eles tomassem conhecimento de todas as atividades ocorridas durante aquele dia letivo.

Ficou acertado que os pais dos alunos deveriam participar da elaboração de um relatório minucioso relativo àquela visita, com base nas próprias impressões, complementadas com as impressões e/ou informações dos seus filhos.

O pai de Pé no Bolo quis acompanhá-lo e o garoto fez questão de não desgrudar dele um segundo sequer.

Pé no Bolo também esteve o tempo todo fazendo uma marcação cerrada aos seus professores. Parecia aquela marcação que é exercida por um jogador que atua na defesa de um time de futebol, tentando, assim, evitar as investidas do atacante do time adversário.

Após algumas horas de visitação ao parque era chegada a hora da elaboração do relatório. Pé no Bolo esteve irrequieto durante algum tempo, mas o pai dele ao perceber a mudança de comportamento de seu pimpolho foi logo lhe botando as palavras:

- Meu filho, eu estou notando que você está muito preocupado com a elaboração do nosso relatório. O que você acha que deveríamos mencionar nele?

O garoto Pé no Bolo, muito esperto que o é, sem pensar duas vezes, respondeu:

- Papai, eu acho que nós deveríamos mencionar algo inédito, quem sabe, alguma informação que nenhum pai ou mestre fosse capaz de reproduzi-la com a mesma clareza que nós dois.

- O que você sugere? – perguntou o pai dele.

Pé no Bolo coçou a cabeça, andou de um lado para o outro e demonstrando muita preocupação, respondeu-lhe:

- Papai, não há nada de excepcional a ser mencionado no nosso relatório, a não ser que nós mencionemos que as aves e os pássaros que nós vimos hoje estavam muito tristes devido à poluição do ar impregnada nas folhas das árvores onde eles se abrigam. E que os sapos e os peixes existentes nas águas do parque estavam ofegantes, sem condições de respirar direito, pois o oxigênio existente não era suficiente para que eles continuassem vivendo ali por muito tempo.

O pai do garoto Pé no Bolo parou um pouco para refletir e em seguida contestou-o com certa ponderação:

- Meu filho, pense comigo. Se formos relatar, na íntegra, tudo o que vimos lá no parque iremos comprometer a veracidade das informações prestadas pelos demais alunos de sua escola e o nosso parque ecológico, certamente, não será visto como um lugar ideal para a visitação das futuras crianças de nossas comunidades.

Pé no bolo procurou assentir com um balançar de cabeça, dando a entender que havia concordado com o argumento do pai dele e ali, meio chateado, decidiu encerrar o seu relatório, fazendo apenas as suas considerações finais:

- O senhor tem razão, papai, vamos encerrá-lo por aqui. Vamos fazer, então, como a maioria das pessoas faz. Vamos fechar nossos olhos, ignorando todos os problemas que estão à nossa volta. Vamos fingir que nada disso que está acontecendo irá nos afetar no futuro e pronto. Vamos fazer de conta que nenhum de nós nada poderá fazer para ajudar um ao outro em nossas comunidades e que esses problemas socioambientais ora existentes não irão continuar dessa maneira por muito tempo... E elaboremos, então, nosso relatório de “faz de conta” - quis sorrir.

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