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Ensaios-->27. O APEGO ÀS TRADIÇÕES MOSAICAS -- 05/03/2004 - 08:30 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Prosseguindo com o desenvolvimento do tema anterior, temos agora para comentar o resultado da reunião que se realizou em Jerusalém entre os apóstolos e presbíteros e descrita por Paulo de Tarso em sua obra “Atos”, capítulo quinze. Seria de todo útil ao caro leitor que dedicasse um pouco de tempo à leitura do texto referido, para bem compreender todas as nossas idéias. Para nós, por enquanto, basta-nos rápida citação:

"Pelo que julgo eu [Tiago], não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham dos ídolos, bem como da incontinência, da carne de animais sufocados e do sangue." (At., 15:19 e 20.)

Em primeiro lugar, devemos dizer que tal parecer foi vitorioso e que a epístola foi escrita e enviada.

O que originou a necessidade da discussão? O eterno problema da lei mosaica da circuncisão, entranhada no espírito dos judeus por milênios de separatismo das outras nações. Os pregadores recém-convertidos para os ideais de Jesus ainda se manifestavam a favor das leis de Moisés, certamente por verem no Mestre o prometido Messias, portanto, o salvador dos judeus e não o redentor da humanidade. É compreensível que tal raciocínio se estabelecesse para quem, desde criança e sob a influenciação cármica de encarnes anteriores, só podia compenetrar-se de que o sagrado devia encerrar-se, necessariamente, junto ao povo escolhido por Deus como o que mais de perto lhe dizia ao coração.

Evidentemente, quem estabeleceu tal padrão de procedimento intelectual esteve totalmente equivocado e não nos cabe agora refutar tão simples argumentação. O que há de interesse em tal raciocínio é a fatalidade da perpetuidade das leis mosaicas impressas no “Levítico”. Se o caro amigo se dispuser a compulsar a obra da legislação antiga, encontrará as recomendações de Tiago nos capítulos 17:10-16 e 18:6-23.

Como poderiam apóstolos do quilate de Pedro e de Paulo aceitar pacificamente a voz da restauração da lei tradicional, quando o primeiro fora o discípulo especialíssimo de Jesus, a quem se atribui a responsabilidade do soerguimento de sua igreja, e o segundo o convertido da estrada de Damasco, a quem foi indicada a extraordinária tarefa da conversão dos gentios? Mais ainda. Deram crédito a Tiago, elaboraram a missiva aos preocupados irmãos de Antioquia e encarregaram o próprio Paulo para, com Barnabé, Judas e Silas, levar a correspondência, fazendo-se porta-voz da igreja-sede de Jerusalém. E diz mais o texto: os confrades, ao receberem a carta,

"... sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido." (At., 15:31.)

A explicação mediúnica da aceitação dos conceitos antigos pode prevalecer.

À vista da sofreguidão da hora da conversão, pois se tomava o termo geração empregado pelo Senhor em seu significado delimitado pelo transcurso de uma só vida, todos julgavam que deveriam empenhar-se ao máximo para fazerem jus às recompensas prometidas pelo divino pastor às suas ovelhas, quais sejam a salvação do povo de Israel e o advento da era da prosperidade. Materializavam o que Jesus pregara exaustivamente como sendo de Deus o reino prometido. Não vislumbravam a possibilidade de estender o pensamento para outras encarnações, ampliando o conceito de “geração” para o de devir cármico da humanidade, ou seja, a soma de todos os encarnes até a ascensão total e final de todos às esferas da bem-aventurança.

Diante da pressurosa necessidade de conter os abusos dos que se manifestavam abertamente a favor da circuncisão, transformando o cristianismo nascente em propagação pura e simples do judaísmo ortodoxo, em nome de Jesus se reuniram e, por certo, dele receberam o influxo das informações mais tranqüilizadoras, na voz de Tiago, influenciado pelos espíritos guardiães da assistência necessária à solidificação do cristianismo.

Não há, pois, estranhar que, de início, as pessoas não se sentissem seguras de seus novos conhecimentos. Esperava-se para logo, precipitadamente, que tudo se realizasse segundo o verbo profético do filho de Deus. Muitos mistérios restavam para serem elucidados, o que só seria possível depois de séria limpeza de antigos hábitos consuetudinariamente infiltrados nas mentes rudes daqueles sublimes trabalhadores da primeira hora. Esperar-se deles lampejos de transcendental compreensão da realidade espiritual da vida é pedir demais aos homens daquela época.

O importante é que trabalhavam com afinco, sob condições adversas e ao impacto das perseguições mais ferrenhas de quantos se sentiam ameaçados em sua estabilidade econômica, social e política, principalmente se considerarmos as religiões daqueles povos como instituições meramente preocupadas com a sua manutenção no campo material.

Ainda hoje, quando as luzes espíritas se acenderam e cada ser humano pode realizar sua educação moral em plena tranqüilidade, vemos a maior parte da população sendo obscurecida pelas oferendas perniciosas da carne, em total submissão aos preceitos do bem viver e da captação do mundo das sensações mais grosseiras dos prazeres e dos vícios. Muitos, apegados ainda aos princípios mosaicos, exageram em seus “sacrifícios” dos bens terrenos, no intuito de conseguir para si aquele reino prometido por Jesus, esquecidos de que as leis do amor e da caridade é que devem prevalecer. Conscientes dos valores morais propugnados por Jesus em seu evangelho, existem uns poucos indivíduos espalhados pelas diversas doutrinas cristãs, pontificando dentre eles os que se filiam ao espiritismo kardecista.

Não estamos querendo exaltar a verdade como de domínio exclusivo dos que se afeiçoaram e seguiram a codificação kardequiana, caso em que estaríamos procedendo exatamente como os primitivos cristãos, que tinham arraigados na mente os princípios mosaicos. Não. Todos os seres humanos são igualmente considerados pelo Senhor como filhos diletos. O que nos preocupa é o fato de tantos vagarem a distância das revelações espirituais, quando a verdade lhes passa a todo momento à sua frente, como quando Jesus caminhava ao lado de seus discípulos.

Concentremo-nos, pois, nas normas estabelecidas para o conhecimento racional da vida, estudando com afinco os textos sagrados que os antigos nos legaram. Façamos por merecer as luzes do entendimento, trabalhando denodadamente em favor de nossos irmãos. Rejeitemos as influenciações deletérias dos que nos querem desviar do rumo certo traçado pelo Senhor e aceitemos de bom grado toda inspiração de caráter superior que nossos guias, a todo instante, estão encaminhando-nos. Saibamos reconhecer nos textos bíblicos o que eles nos podem oferecer em auxílio de nosso crescimento e armemo-nos de boa vontade e de desprendimento para poder usufruir da vida o que ela nos oferece de melhor: o ensejo de caminhar seguro rumo ao reino de Deus.

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