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Crônicas-->Sobrevivente -- 03/04/2002 - 09:24 (Cida Piussi) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Não. Eu não desapareci no nevoeiro, nem me perdi no turbilhão da vida... também não me escondi por detrás das colunas de concreto que cada vez mais tomam lugar nessa cidade que quase me levou prá sempre. Não estou culpando a cidade, não estou desculpando-me por morar onde, o que impera, é a lei dos que não acreditam em mais nada...dos que perderam a fé ( se algum dia, a tiveram) dos que estão à margem das decisões e, por isso mesmo, tomaram a lei e a " ordem" em suas mãos e acham-se no direito de colocar uma arma na sua cabeça à saída do seu trabalho, ou em qualquer momento que melhor se lhes aprouver e fazer de você o seu refém. Sentem-se, eles, também, reféns de um destino que certamente não era o que planejavam, "cheiram um baseado", que não " faz mal nenhum" e acobertados pela impunidade que as autoridades nos impuseram, levam nossos bens, que tanto pode ser o carro do ano, como a sua vida.
O carro você até recupera, a vida, se você tem fé, sabe que existe outra, muito melhor que esta...mas se deixarem você, então o medo que já faz parte do infernal cotidiano, aí sim: Mataram você covardemente, roubaram seus míseros sonhos
( se ainda os possui) sabotaram suas crenças, impediram e conseguiram num segundo que pareceu uma eternidade, fazer com que tudo desmoronasse.

Quando olhar um noticiário, procure uma notícia que o alegre... talvez ela esteja escondida nas entrelinhas das tantas outras, nefastas, funestas, esmagadoras... talvez, lá, encontre um Fulano de tal dando uma festa maravilhosa enquanto na esquina o mais bárbaro carnaval vicioso corrói, em pacto silencioso, a vida dos sobreviventes.
Bom, posso dizer que sou uma. Estou me tornando um zumbi. Um fantasma a perseguir-se. Uma bomba bushiana jogada sobre um povo que busca a liberdade. Um mero objeto de consumo que já não tem mais nada a oferecer.
Quando lhe roubam o direito de ir e vir, você está condenado(a). Uma corda invisível, traiçoeira, inquisidora, justiceira se lhe é colocada no pescoço...quando, ou por quanto tempo terá condições de ficar com ela, melhor dizer, permitirão que continue com ela, sem dar o puxão fatídico, só Deus, acho que nem ele pode saber.
Na sua Onisciência, na sua Onipotência, deu vida a um ser que fosse " a sua imagem e semelhança", mas, acreditando que fôssemos dignos desse presente, permitiu-nos ser tudo, inclusive as bestas que jogou no fogo eterno.
Estou presa, amedrontada, em pânico. Sair dessa concha que também não é segura ( eu mesma), a minha casa e colocar o pé na rua exige tanto e tal esforço que, perdoe-me Deus, minha família e todos que me socorreram, principalmente uma menina CAROLINA e seu companheiro, que sem saber exatamente o que ocorria naquela rua, pararam o carro e evitaram que eu fosse "desta para melhor", colocando suas próprias vidas em risco.
( Talvez seja essa a esperança de Deus...muitos serão chamados, poucos os escolhidos).
Que me perdoem os CIDADÃOS que têm o PODER. São poucos, mas têm em suas mãos o nosso destino. E não me venham com frases hipócritas do tipo " cuide-se", "olhe para os lados", "não se exponha"..., se é para viver assim eu teria que ter no mínimo 4 olhos e ser feita de aço, para que nenhuma bala pudesse atravessar o meu corpo,para que nenhum carro ao atropelar-me fosse capaz de matar,( pior que matar é mutilar),e mais, talvez eu não devesse ter sobrevivido.

Sinto pelo desabafo... mas há um momento que nenhuma poesia pode ser concebida.
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