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Erótico-->33. NO MOTEL E NA PRAIA -- 04/10/2002 - 09:35 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Leandro e Maria do Carmo se entenderam às maravilhas no ato sexual. Não eram jovenzinhos despreparados para o leito. Gozaram, pois, das delícias materiais, no mais alto patamar do orgasmo humano. Na hora certa, utilizaram do competente preservativo, para que a AIDS não se transformasse em dor para o parceiro, caso algum deles estivesse infectado.

Somente no quarto encontro é que fizeram as primeiras confissões sobre os sentimentos e objetivos de cada um. E contaram um pouco da história de suas vidas.

— Não sou nenhuma menininha imbecil, que não sabe aproveitar os prazeres. Fui deflorada pelo primeiro namorado, aos treze anos, e com ele fiquei por mais de dois anos. Depois, descobri que ia com todas e que começava a passar a minha ficha para os colegas. Foi bom, que transei com todos eles. Nem sei como é que não fiquei doente. Foi Deus quem me amparou. O que melhor me fazia sentir, levando-me à loucura (do mesmo jeito que você), era meu primo que morreu. Ele também me fez experimentar as drogas. Esse é outro mistério da minha vida. Não fiquei dependente, embora, de vez em quando, eu acho legal. Quero saber se não estou deixando você espantado. Se quiseres sair desta é só falar, embora tudo esteja sendo ótimo. Vários me fizeram promessas, mas, depois que eu contava tudo, desapareciam. Eu mesma nunca mais vi nenhum deles. Como é que vai ser?

— Do Carmo, confesso que pensei que fosses menos experiente. — Leandro falava muito pausadamente, buscando dar a cada palavra o valor da verdade. Pensara muito no que dizer e, fosse qual fosse a revelação, pretendia levar avante o relacionamento. Nem Isabel lhe dera tanta satisfação, a não ser por Leandrinho. — Não sou ninguém que possa ser surpreendido por qualquer malfeito. Assim, o que me disseste é sagrado, porque não me escondeste nada. Eu também pretendo te dizer tudo, embora não ache aconselhável desvendar todos os mistérios de uma vez. Se nos envolvermos de modo definitivo... Vou dizer claro: se chegarmos ao casamento, a constituir família e tudo o mais, você saberá tintim por tintim tudo antes. Eu já engravidei uma mulher da zona. Vivi com ela durante alguns anos e depois ela me abandonou, levando o menino. Era negra e a criança mulatinha. Não sei se você percebeu, eu também tenho sangue dos escravos nas veias. Quando nos encontramos no baile, você me deve ter visto bem mais escuro. Eu sei que tua família é morena, mas não notei nenhum traço negro.

— Sem dúvida, deve ter havido alguém bem escuro, pois somos descendentes dos andaluzes, que tiveram muita mistura com os mouros.

— Tua pele morena é deliciosa.

— Antes que me esqueça, também estive com vários negros.

— Não temos, portanto, melindres quanto à cor. Ótimo, porque eu pretendo, conforme se desenrolarem os acontecimentos, manter meu filho perto de mim. Mas isso é colocar o carro antes dos bois...

— Vai dizendo tudo, querido, para que possamos nos entender. Como é que você vai fazer para pegar a criança?

Leandro tinha de relatar a longa peregrinação até a internação. Contou o que pôde, sem citar seu relacionamento com o tráfico. Maria do Carmo ficou excitadíssima com a trama. Parecia estar a participar de verdadeira novela. Adorou o jeito como o Doutor Mário tratou do pequeno, recambiando-o à vida.

— Esse homem merece ser bem recompensado.

— Já cuidei disso, dando-lhe um bom dinheiro, para que se instale num apartamento de primeira. Vamos ver se consegue. Mas isso não vem ao caso. O importante é você entender que não fiquei com a mãe de Leandrinho, porque eu mesmo fiz questão de lhe provar que não valia nada para mim. Provoquei o abandono, levando outras mulheres para casa. Era prostituta e não admitia...

— Só espero que não queiras fazer o mesmo comigo.

— Se não avançares o sinal, me deixando na mão. Você sabe que é fácil me deixar em ponto de bala...

Meia hora depois, reatavam a conversação.

— Quer dizer que vamos passar uns tempos “motelados”? — Era Maria do Carmo querendo confirmar a intenção do amante quanto a algo mais sério.

— Quer que te diga? O que for melhor para você, será também para mim. Só não posso prometer estar sempre disponível, que meus negócios estão se expandindo, com a ajuda do teu avô, e isso vai me fazer ficar ocupado. Por falar em teu avô, me parece que ele me aprovou, tanto que me convidou para as festas de fim de ano com a tua família.

— Não te enganes. O velho é terrível. Ele veio me sondar a respeito de meus desejos. Precisei disfarçar, porque senti que ele não aprovava. Na primeira vez, aproveitei para fugir, quando a turma da segurança estava distraída. Cada vez que a gente se encontra, tenho de escapar da vigilância de um tonto que pensa que não sei que está sempre de olho em mim. E quem é que pôs o cara ali? O velho Gouveia. Mas, como é que pensas que tenho me virado com os rapazes? Vou onde tem...

— Ias, minha querida, é o que queres dizer...

— Isso nós veremos, ainda.

Os afagos de Leandro buscavam dissuadi-la do tremendo pensamento, que a frieza da moça o punha deveras impressionado.

— Vamos deixar essas coisas no passado. Para mim, está muito bem assim. Eu nunca me iludi com a virgindade. Se tu fosses virgem, era capaz de largá-la, que não me dou bem com essa de iniciar as mulheres. Por isso, sempre procurei aquelas que não me causariam problemas. Tem outra coisa que me aborrece.

— Aposto que eu sei o que é.

— Diz você, então, espertinha.

— Você não gosta de usar camisinha.

— É isso aí.

— Recusei dois trouxas que queriam pôr direto. Nessa eu não entro, mesmo. E se você não gosta de camisinha, é sinal que andou por aí transando sem.

— Isso mesmo, mas com a certeza...

— Ninguém pode ter certeza de nada. Qualquer feridinha, um tantinho de sangue contaminado que penetre no pau, e o cara está condenado. As mulheres estão até com problema bem mais agudo. Se estiverem com qualquer pequeno corte e o esperma contaminado atingir a corrente sangüínea, adeus.

— Eu sei o que vou fazer. Vou providenciar exames de sangue completos.

— Escreva no seu caderno. Só me caso e vou pra cama, com os certificados de segurança da faculdade do amor. Se quiser ter filhos, não vou querer inseminação artificial. Tem de ser bem natural.

Excitavam-se com a conversa e com as carícias que se acentuavam. Era a quarta vez que se procuravam naquela tarde.

Dessa vez, cansaram e cochilaram. Não tanto que vinte minutos depois não estivessem acordados. Mas fingiram dormir, que os sentimentos e os pensamentos se entrechocavam, no cadinho das revelações.

Leandro estava disposto a prosseguir a aventura, na qual via as vantagens da união com a família do traficante. Não levava para o campo do envolvimento sentimental, porque a amante o havia, de certa forma, desencantado. Em todo caso, o corpo sensual em seus braços parecia encaixar-se-lhe perfeitamente na anatomia.

Maria do Carmo suspeitava de que as lições que aprendera com os outros, simplesmente, a tornaram mais madura para conquistar alguém tão experiente, que não se abalava com a luxúria transbordante de sua libido. Parecia-lhe, no entanto, que ele deveria ter contado tudo desde logo. Isso de segredinhos para depois talvez pudesse desiludi-la. Enfim, ela também nada dissera sobre os contatos homossexuais. Esses não revelaria jamais, que as primas deveriam ser preservadas. Ali mesmo, lhe veio o desejo de comprovar a lealdade de Leandro. Pensou nas primas e em Leandro juntos. Será que ele aceitaria as duas? Será que lhe contaria tudo depois? E se elas se interessassem pelo garanhão? Correria o risco. Se tudo fosse como esperava, haveria motivo para prender o homem pela coleira da traição. Se fosse o caso, porque não faltariam... Nessa altura dos pensamentos, punha em dúvida a eficácia dos que conhecia na faculdade ou na praia. No mínimo, cheios de preconceitos. Ou aidéticos. Ou veados.

Quando voltaram a conversar, foi para marcarem encontro na praia.

— Conheço um lugar que está sempre deserto. É uma praia particular, pertencente a um amigo de papai. É fácil de ir lá. As tuas costas já estão curadas. Vamos tomar um pouco de sol juntos. É só ir num dia da semana. A casa é para isso mesmo.

— Estou às tuas ordens. Marca o dia, porque esse compromisso vai ser o mais importante. E não precisas te preocupar com filtros solares, que tenho grande estoque em casa.



Na terça-feira seguinte, quando Leandro chegou ao local do encontro, não estava Maria do Carmo. Mas Susana e Lumara, sim.

— Vamos entrar na água, porque Maria do Carmo foi chamada pelo avô e nos mandou em seu lugar.

A pequena enseada era um trecho do paraíso do Rio de Janeiro. A areia branquíssima, o mar profundamente verde, o sol, num esconde-esconde delicioso, em que a brisa suavizava os ardores.

As moças fizeram questão de levar o rapaz para pôr a sunga. Fizera um gesto de voltar atrás, mas confirmou que estavam os três sozinhos e se deixou ficar.

Havia serviço completo de frutos do mar sobre a mesa da sala de jantar e a suavidade de quarteto de cordas por toda a residência. Quando voltou preparado para as ondas, viu que as moças trajavam minúsculas peças, exibindo seios e nádegas dignos da amante faltosa. Passou-lhe pela cabeça que o encontro havia sido preparado por ela. Estaria querendo provar que não agüentaria a provocação das duas?

— Vamos lá, Leandro. Pensas que não sabemos de tuas transas com a prima?

— Vamos mergulhar um pouco. Depois poderás voltar para os braços dela.

E arrastaram o jovem para a beira da água. Ali chegando, desnudaram-se completamente e o conduziram para as ondas.

Três horas depois, tinham o que contar para Maria do Carmo.

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