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Contos-->ÉDIPO ETERNO -- 11/07/2002 - 00:44 (Ricardo Barreto Ferreira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos




ÉDIPO ETERNO





Eu não queria nascer. Estava tão confortável ali onde eu estava. Tinha comida e bebida à hora que eu queria. Não sentia frio nem calor. Não havia barulho nem luzes ofuscantes.

Até que, de repente, fui jogado num mundo barulhento, cheio de luzes e cores.

Fui recepcionado com palmadas na bunda que doeram muito.

Quando sentia sede, fome ou frio tinha que gritar com todas as forças dos meus pulmões para que aparecesse alguém para satisfazer às minhas necessidades.

Quase sempre era a mesma pessoa que respondia aos meus gritos.

Ela me colocava no colo, me embalava, me dizia palavras carinhosas e colocava na minha boca uma coisa macia com um bico de onde eu sugava um líquido quente e gostoso.

Fui me apaixonando por essa pessoa e cada vez mais sentia necessidade de sugar aquela coisa macia. Já não sugava apenas para saciar a minha fome. Sentia um prazer diferente que eu não sabia explicar e percebia que a outra pessoa também sentia o mesmo prazer que eu sentia, ora me colocando num lado do corpo, ora no outro.

Com pouco tempo, a coisa macia foi substituída por outra sem a mesma consistência, sem o mesmo gosto e sem provocar o mesmo prazer que a primeira proporcionava.

Continuava apaixonado por aquela pessoa, mas aos poucos fui descobrindo que, à noite, ela me trocava por uma criatura maior e assustadora que deitava sobre ela e a fazia sofrer porque ela gemia bastante.

Odiei aquela criatura assustadora e odiei mais ainda a outra pessoa quando ela começou a oferecer a coisa macia para outra criatura, menor do que eu, que só fazia chorar o dia inteiro.

Meu mundo desabou. Passei a odiar a tudo e a todos. Tinha vontade que todos morressem para que eu pudesse reconquistar a minha antiga paixão e ela fosse somente minha.

Depois de muito pensar concluí que não teria chances numa disputa direta, devido à superioridade física e material do inimigo.

Resolvi partir para estratégias mais sofisticadas.

Adaptei-me ao sistema através de uma subserviência vergonhosa disfarçada de obediência respeitosa.

Cresci e passei a empregar os mesmos métodos que via serem eficazes; ameaças, coação física e psicológica, chantagem emocional e financeira.

Resignado encontrei outra criatura para substituir aquela primeira.

Mas a completude que sentia no útero e o prazer do primeiro seio sugado nunca mais eu senti.





07/06/02



 


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