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Redação-->O ABORTO EM: “A MENINA DO ÔNIBUS” -- 07/06/2012 - 15:56 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Uma obra literária que não traz consigo uma certa polêmica é apenas mais uma obra literária. A função do autor não é tão somente contar uma história, mesmo que muito bem contada. Ele deve envolver seus personagens em questões pertinentes a sua época e assim contribuir para as discussões dessas questões, pois muitas vezes o leitor é levado a refletir acerca delas, ao se posicionar contra ou a favor de um personagem, coisa que não faria sem aquela obra, e assim tirar suas próprias conclusões. Embora muitas vezes o autor se incline mais por um dos lados, já que a total imparcialidade é impossível, ainda sim o dever dele é permitir que o leitor faça sua escolha. O autor que tenta impor suas ideia à força está muitas vezes fadado ao fracasso.
Na minha obra “A Menina do ônibus”, cujos últimos capítulos estão sendo escritos, eu me propus a levantar algumas questões, principalmente no que diz respeito ao envolvimento de um homem de meia idade com uma jovem de 14 anos. A diferença de idade, a sexualidade, o erotismo, a moral, a visão da realidade. Como tudo isso afeta não só o relacionamento dos dois, mas principalmente o dia a dia de Ana Carla, que na realidade não passa de uma menina. A diferença social, pois os dois pertencem à mundos diferentes; a infidelidade e o aborto também são discutidos. Aliás, é sobre último, o qual aparece em dois momentos distintos da obra (no primeiro caso a personagem está grávida e no segundo trata-se apenas de uma suposição), eu gostaria de reproduzir um trecho do livro e deixar que os amigos leitor opinassem. O trecho em questão faz parte do capítulo 52. Ei-lo:

Ela não disse palavra. Apenas sorriu, sentou na cama e deitou ao meu lado, dobrando o joelho e jogando a perna sobre as minas. Aninhou-se e pousou a cabeça no meu peito. Eu não sabia para onde olhava, mas pouco depois tudo desanuviou. Ana Carla agarrou-me o falo flácido e encolhido com dois dedos e passou a movimentá-los para trás e para frente.
-- Como pode! Uma coisinha desse tamanhinho engravidar uma mulher – balbuciou ela, como se devaneasse em voz alta. Em seguida acrescentou: -- E se eu ficasse grávida, o que a gente ia fazer? -- perguntou, levantando a cabeça e procurando meus olhos.
-- Não sei. Talvez um aborto – respondi impensadamente. E quando me dei conta do que dissera, temi que ela se ofendesse.
-- Não sei se teria coragem. Matar um ser humano. Não, não sou capaz. Se fizesse ia me sentir uma criminosa e ia carregar essa culpa para o resto da vida. Não temos o direito de tirar a vida de ninguém. Só Deus pode.
-- Posso te dizer o que penso disso? Mas não fique chateada.
Ana Carla virou para cima de mim e disse:
-- Pode falar que eu não vou ficar. Mesmo que eu não concorde.
-- Para início de conversa, sou totalmente favorável. Na realidade, as pessoas preferem ver apenas um lado da moeda, mas, como sabemos, toda moeda tem dois lados. Então, por que não vejam o outro lado? Porque a maioria de nós só vê aquilo que nos interessa. O resto simplesmente ignoramos, como se não existe. Aliás, normalmente não damos conta disso. Mas pode estar certa: tudo tem seus prós e contra.
-- Mas sendo assim, entre fazer e não fazer, o mais correto é não fazer. Pois depois de feito, não dá para trazer a vida de volta – interrompeu-me.
-- O problema é que damos muita importância ao ser humano, como se o mundo dependesse de nós, quando, na realidade, o mundo não está nem aí. Não vai mudar nada na ordem das coisas se um ou um milhão de pessoas morrerem. O planeta talvez até agradeça, porque será menos um milhão para pilhá-lo, como a humanidade vem fazendo há milhares de anos. Se continuar assim, em mais mil anos estará completamente inabitável. Cada vida a menos, o planeta agradece. Mas como o mundo não está em questão deixemo-lo de lado – continuei. Ana Carla permanecia atenta, feito uma aluna dedicada. -- Talvez o mais difícil não seja o lado humano da coisa, embora aqui também as pessoas tendem a ver a coisa de forma distorcida. Sei que somos racionais, mas na realidade quase não usamos a razão. É verdade! A maioria de nossos atos e de nossas escolhas são produtos de decisões instintivas e não racionais. E mesmo quando usamos a razão, ainda sim esta é falha, pois nosso conhecimento só é possível através de valorações, ou falando de uma forma bem simples: comparamos o tempo todo. E aí que está o erro. Atribuímos a um embrião sensações e experiências que ele nunca teve. Por isso achar que sofrerá e sentirá dor tal qual a sentimos é um absurdo. Mesmo que suas conexões nervosas estejam formadas, ainda sim afirmar que ele sentirá dor e sofrerá é distorcer os fatos. A dor é apenas um dos lados da moeda. Do outro está o prazer. E sem prazer, não há dor. Agora eu te pergunto: que prazer um embrião de poucos dias terá experimentado?
-- Não sei. Talvez nenhum.
-- Exatamente. Nenhum.
-- Mas isso não justifica matar um ser humano – retrucou ela. Mantinha-se atenta, sem demonstrar afetação com as minhas declarações.
-- Então vamos ver o lado dos pais. Pense numa gravidez indesejada, fruto de um descuido, duma camisinha furada ou mesmo duma aposta que não deu certo. Nós dois mesmos, quantas vezes transamos sem camisinha porque não fomos capazes de resistir a tentação? E olha que sou um homem esclarecido, que conhece perfeitamente os riscos.
-- Ah, sei lá! Várias – respondeu ela com um sorriso.
-- Pense em nós mesmos! O que poderia nos acontecer se você ficasse grávida? Sua vida seria destruída e seu futuro totalmente comprometido. E eu? Acabaria na prisão. E ainda por cima teria de sacrificar um monte de coisas para pagar uma pensão, porque seus pais não deixariam a gente se casar. E mesmo que a gente case, ainda sim um filho nesse momento tornaria as coisas bem mais difíceis. E não se deve esquecer aquelas mulheres sem a menor condições financeiras e psicológicas de ter um filho. Nesses casos não seria menos custoso e menos sofrível um aborto? Melhor sacrificar um embrião do que a vida de dois seres humanos que aí sim são capazes de sofrer. E muito.
-- É. Por esse lado, você tem razão. Eu sei que às vezes não consigo resistir, mas uma gravidez agora ia ferrar com a minha vida. Acho que todos os meus sonhos seriam desfeitos. Eu quero ter um filho, mas só depois da gente estar casado, com uma casa só nossa e quando a gente achar que está na hora.
-- Então é aonde quero chegar. E tem mais. Agora pense no lado do filho? Um embrião é apenas um embrião que um dia vai se tornar um ser humano que poderá ter um algum futuro ou apenas conhecer a dor e o sofrimento. Imagine um filho, fruto de um acaso ou de pais que, ao olharem para a criança, vão amaldiçoar o momento em que foi concebida? Ou ainda: vivendo num lar totalmente desestruturado, onde impera a indiferença, violência, criminalidade e uso de drogas? Que ser humano será esse? Imagine o quanto essa criança vai sofrer ao longo da vida? A que violência não terá de suportar? E o que se tornará? Talvez até um ser humano decente, se o destino lhe der uma oportunidade e ela a agarrar. A maioria esmagadora não terá essa chance. E aí? O que se tornará? Traficante, criminoso e coisa até pior. Por estar acostumado a conviver com a violência e a falta de perspectiva, não se importará em causar sofrimento nos outros. Será que vale a pena trazer essa vida ao mundo para sofrer? Para tirar a vida de um pai de família ou mesmo de um filho querido? Existe uma lenda que diz que Midas, um rei grego, aprisionou Sileno, professor e fiel companheiro do deus Dionísio. Sileno era um sábio. Então o rei Midas lhe perguntou qual dentre as coisas era a melhor e a mais preferível para o homem. Não quis responder. Mas depois de forçado, acabou dizendo: “não ter nascido, não ser, nada ser. Depois disso, porém, o melhor para ti é logo morrer”. E isto vale neste caso. Talvez as pessoas devessem refletir acerca disso. Mas isso é muito complexo para pessoas comuns. Elas não são capazes desse nível de reflexão.
-- Eu mesmo nunca pensei sobre isso. E olhando por esse lado, você tem razão. Mas tem a questão do pecado.
-- Pecado? De fato a questão religiosa é a mais complexa. E contra a fé não há argumentos. Pois ela exige o incondicional, ou seja: não aceita questionamentos. Se há questionamento não há fé. Se sua fé é inabalável, posso te apresentar um milhão de argumentos que não adiantará de nada. Mas se você é apenas uma pessoa religiosa, sem extremismo, então talvez eu possa te convencer. Para a maioria das pessoas, a existência de Deus é uma verdade absoluta e inquestionável, apesar de todas as evidências contrárias. As pessoas não pensam que só porque ainda não conseguimos explicar de onde viemos e para onde vamos, a vida é fruto de causas divinas. Nos últimos milênios muitas das coisas as quais se atribuía causas divinas, são perfeitamente explicáveis pela ciência. Aliás, a religião vem, aos poucos, perdendo terreno. Vai chegar um dia me que se verá as religiões atuais da mesma forma que vemos a crença dos gregos, romanos e de todos os povos da antiguidade. Bem. Mas voltando à questão religiosa do aborto, é bom lembrar que nem mesmo os religiosos se entendem acerca de quando se começa de fato a vida. Fala-se na questão da alma, mas esse é outro ponto de discórdia. A meu ver, a religião defende a vida a qualquer custo, porque o aborto evita o sofrimento, principalmente da mãe. E a religião encontra o seu campo mais fértil naquelas almas sofredoras. E aqui encerro meus argumentos, minha florzinha. Porque se não te convenci até agora, prosseguir seria inútil.
-- Não sei. Precisaria pensar bastante, antes de dar uma resposta definitiva – disse-me ela.



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