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Redação-->Dona Zinha -- 22/10/2013 - 17:45 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Peguei Dona Zinha no segundo ano. E não caiu, nem subiu, o pano. Subi, eu, aliás,

para o segundo andar daquele velho e austero sobrado de Maria Tangará, duros

ambos, feito a aroeira. Mas não subi sozinho, nem à frente. As meninas, sempre iam

na dianteira. E nós, na rabeira.

Já alfabetizado, sentia-me meio que realizado. Quando o Edinho, vizinho de casa e

carteira, e companheiro de tantas idas me leu, privativamente, um artigo sobre Rui

Barbosa, corrigi-o com autoridade, mas sem severidade:

- Não Edinho, essa palavra aí num pode ser `agüia` de jeito nenhum.

E lhe dei o exemplo:

- Olha lá em casa mexe-se muito com agulha, tanto meu pai quanto minha mãe

entende de costura, e se pronunciam `agulha`, logo livro não ia trazer um erro

grosseiro desse. Ah, quer saber, disse eu emendando meu saber: é águia. É. Veja o

artigo: O Aguia brasileira.

Estava sem acento, mas aquele lapso ortográfico em nada me diminuía a sapiência de

aluno veterano - e amigo. Ou era mais companheiro?

E acabei deixando Dona Zinha de lado. Só pra dar meu recado. Mas não há de fazer

mal. Um cantinho muitas vezes já basta.

Antes fosse. Não é que vendo um dia a incansável Dona Zinha grafar no quadro negro

a palavra `assucar`, reagi sem pestanejar, e ali na frente de toda a classe:

- Mas Dona Zinha, assucar não é com c cedilha? E fui emendando, sem me emendar,

lembrando de ter visto papai pintar numa das latas de mantimento a palavra `açúcar`,

e ter botado ali até o acento. Se o velho que era bamba numa aritmética e até em

cálculo de juros, e já tinha ganho um dicionário num programa de rádio, além de

confrade vicentino que sempre dava seu recado - e era ouvido - nas reuniões da

Conferência, iria ele escorregar justamente no açúcar, pensei eu com meus botões, e

falei com a confiança de um Prof Cipro.

Diante de minha estridência, Dona Zinha apagou o seu assucar e o trocou pelo meu.

Mas não deixou de dizer que também se podia escrever daquela forma, que era a

grafia antiga.

Nunca mais tive cara pra ir no Bar Para-todos, que era de seu marido e próximo de

minha casa e comprar daquelas balas que só eles sabiam fazer. Com afeto e com

muito assucar.
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