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Cartas-->34. HONORINA -- 22/08/2002 - 06:37 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Detestei o meu nome, porque me chamavam de “Heroína”, o que não arreliava muito, até que completei os quinze anos e passei a ouvir um terrível “Cocaína”. Não pensem que algo tive de ver com o vício. Desastrada fui, mas na via pública, arrebentada por caminhão em alta velocidade. Eu e mais três companheiros, quando voltávamos de uma festinha de aniversário.

Os dados são os mais rotineiros. A Polícia achou e autuou o assassino. A Justiça o libertou. O processo não progrediu. E tudo deu em nada, que a impunidade no Brasil raia pela loucura do “quem-pode-mais-chora-menos”.

Perdi contacto com os rapazes, tendo encontrado a moça diversas vezes, arreliada e triste, desejando voltar atrás no tempo, para reingressar na carne. É uma coitada que não teve a mesma facilidade que eu, correndo atrás de fantasias sexuais e outras, chamando-me, raivosa, de “Cocaína”, querendo pôr a culpa em mim, por ter querido sair naquela hora da festa.

Não vou esmiuçar a realidade da colega, que não me foi dado conhecimento suficiente para esclarecer as razões por que está há tanto tempo (mais de três anos) perambulando à toa pela face do Globo.

Eu cá estive atarantada, durante certo tempo, até que me vieram avisar de que poderia inscrever-me nesta turma, se obtivesse conselheiro que por mim se responsabilizasse, quanto a não agredir os demais ou a trazer problemas para as reuniões.

Estou colocando nestes termos, pois muitos parceiros de grupo passaram pelos mesmos procedimentos, só que “doiraram a pílula”, por assim dizer, tendo informado que para cá foram trazidos pelos “protetores”. A verdade, porém, é que eles assinam, como fiadores, o contrato de matrícula, para serem chamados, em caso de dissidência ou molecagem.

Também preciso dizer, já que estou sendo crua na descrição, que a única criatura da equipe que deu trabalho aos mentores fui eu mesma, quando entrei em desavença com a antiga coleguinha, pelas acusações de leviandade que me fez. Tudo foi contornado a contento e hoje aguardo, ansiosa, o momento da reconciliação, pois me foi explicado que não devo manter rancor nem mágoa. Afinal de contas, a briga foi por muito pouca coisa.

Não devo esquecer-me de dizer que foi um parente longe quem se atreveu a me amparar, talvez necessitado de possuir algum assistido, para merecer as regalias do tempo extraordinário, para isentar-se das duras tarefas dos estudos.

Tal como eu, muitos estudantes litigam contra os quefazeres e não se contentam, por afastarem-se do bulício das ruas e da alegria dos jovens encarnados. Por isso, são poucos os que se integram em turmas como estas, para o dedicado estudo das leis e atribuições cármicas de que se investem os que desejam evoluir, sob a graça do Senhor.

Não estranhem quando emprego palavras que não me caberiam no vocabulário tacanho da adolescente não escolarizada. Esta terminologia vou aprendendo aqui mesmo, nas palestras dos professores, nas leituras obrigatórias, no carinho atencioso com que sou acompanhada pelos parceiros, que me abrem o dicionário, sempre que não atino com o significado de alguma palavra ou expressão. Isto também haverá de explicar o fato de não estar totalmente respeitando a premissa da linguagem “castiça”. Não é por desrespeito à norma. É mais por autenticidade de quem não recebeu todos os conhecimentos à altura da “Turma dos Primeiros Socorros”. Estou “verde” para esta missão, mas não me permitiram fugir dela. Do contrário, a equipe iria ter de ficar “marcando passo”, até que deliberasse enfrentar a tarefa. Assim é que é neste ambiente de paz e fidalguia.

Sabem o que me fez ficar cordata e me ajeitar num cantinho junto aos demais? Foi a raiva que passava, toda vez que ia visitar os que deixei na Crosta, porque me chamavam de “Heroína” e de “Cocaína”, meus pais e colegas. Aqui, não. Aqui, todos me chamam pelo nome, e Honorina sou, até com certa satisfação.

Irmão José me chamou de lado e me fez ver que heroína até poderia ser, se suportasse com denodo os embates da antipatia. Lembrou-me, também, que Honorina é nome muito bonito, pois costumamos atribuir a honra e a glória ao nome do Senhor. Não são razões fortes, nem para estabelecer vínculos de amizade e respeito, mas para mim foram “quentíssimas”, na contingência de ter morrido sem lágrimas.

Não vou lançar o leitor contra meus pais, mas a verdade é que pouco os ajudava em casa, preferindo sair, freqüentando todos os bailecos do bairro. Meus oito irmãos davam reforço para encherem os corações de meus pais, de forma que mais uma ou menos uma não fez muita diferença.

Se não tiverem motivo para levar avante a leitura, insossa apresentação de dramazinho corriqueiro, sem grandeza de caráter e sem lições evangélicas, pelo menos se ponham a pensar no que estou fazendo junto a estes estudantes da “élite” da “Escolinha de Evangelização”, pois todos estamos recebendo mensagens bastante avançadas, quanto às interpretações cármicas das últimas existências corpóreas.

Não estarei aqui para colocar o sistema “de pernas para o ar”? Ou para causar ojeriza quanto ao enquadramento dos boçais na categoria dos “irmãos”, já que todos somos filhos de Deus?

De qualquer maneira, não burilei o estilo para disfarçar a irreverência contra a hipocrisia dos que se querem fazer passar por santos. E isto não estou escrevendo em relação aos depoimentos dos colegas, mas quanto a muitos dos espiritistas que não desejam sujar a ponta dos dedos ao folhearem estas páginas, sem que se lembrem de que Jesus cuspia no barro e esfregava nos olhos dos cegos...

Vamos “pôr a mão na massa” para, “no frigir dos ovos”, chegarmos à conclusão de que todos teremos de passar pela mesma porta estreita do conhecimento consciencial dos males que praticamos e dos bens que deixamos de executar.

Se dispuserem de boa vontade, irão perceber que a pobre “Cacaína” (variante sórdida de “Cocaína”) não poderia vir até este posto para desfeitear impunemente os leitores mais saudáveis. É a advertência que me escuda, perante o mal-estar que poderei estar provocando. Mas, como “está cheio o Inferno de bem intencionados”, vou ter de suspender a exortação. Peço, apenas, para que reflitam bastante sobre tudo o que têm lido neste opúsculo.

“O perdão é divino, uma vez que o erro é humano e a reiteração dele, diabólica.”

Fiquem nas graças do Senhor!

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