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Cartas-->35. CLAUDETE -- 23/08/2002 - 06:24 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Desde muito pequena me achei superiormente dotada. Até o nome estrangeiro me proporcionava ambientação em clima de diplomacia e austeridade, cujos significados não sabia, mas que me ressoavam na mente como de muita importância e interesse.

Foi só no etéreo que fiquei sabendo que “claudicare”, verbo latino que se liga à raiz de meu nome, quer dizer “mancar, puxar por uma perna”. Saber que eu era a “manquinha”, mesmo à francesa, não foi agradável.

Entretanto, depois de muito meditar, considerei o apelido bastante conveniente, pelos malfeitos das anteriores passagens pela carne, o que me deixa temerosa de recordar, pelo sofrimento adicional com que se sobrecarrega a sensibilidade, quando se é impotente para ultrapassar as fases mais negras e perversas da existência.

Passei a amar o nome, com renovada intensidade, quando soube que havia muitas pessoas carentes assistidas por tantas Cláudias e Claudetes que se perdia a conta. Por que deveria sobrecarregar-me de susceptibilidades por causa da coincidência entre más atitudes e nome transitório, o qual se perde na memória dos tempos?...

Quero chegar ao ponto da dissertação, qual seja, o de que só as boas recordações devem apaniguar o aparato da memória dos santos e demais seres angelicais e puros. Se não for assim, que vantagem haverá em progredir e, ao mesmo tempo, ficar amarrado aos terríveis acontecimentos que nos ligaram a outros seres através do ódio, da dor e do sofrimento? De que adianta ser humilde, se a lembrança das épocas do egoísmo, do orgulho e da vaidade nos aporrinha a paciência? De que serve ser paciente, se nos esfalfamos nas turbulências de outras épocas, revividas com minúcias, na torturante condição de que tudo deve ficar impresso indelevelmente na mente espiritual, pela eternidade? E assim por diante...

Chegaremos ao cúmulo de entender o perdão, de aceitar que as pessoas evoluam e de estabelecer todos os padrões de comportamento, mediante a aplicação rigorosa e globalizada da lei de causa e efeito, mas ficaremos à mercê das intempéries da vontade, que nos levará ao supremo gozo de todas as virtudes e ao cataclismo de todos os vícios, defeitos e pecados.

Quando sabemos que o ser encarnado fica imune às lembranças dolorosas de outras encarnações ou dos campos de torturas das Trevas, ficamos ansiados para ouvir dos mestres que as mesmas recordações não nos atormentarão mais, quando estivermos trabalhando em prol dos irmãos, na superação desejável de todas as dores e de todos os castigos.

Quero estabelecer o nexo do raciocínio através da necessidade de se assinalarem os termos “pecados” e “castigos” em itálico, para determinar que tais conceitos não devam ser rigorosamente encarados com os sentidos tradicionais, porque envolvem filosofia religiosa muitíssimo diferente da kardecista. É como se os espíritas resolvessem esquecer os significados antigos, para buscar novas expressões ou termos mais condizentes com os cânones da Doutrina.

É essa a analogia que pretendi estabelecer com a vontade que se exerce sobre os sentimentos despertados pelas recordações rebarbativas. Evidentemente, se a memória tem o dom da eternidade, a vontade esclarecida deve exercer-se soberana sobre os influxos sentimentais, que também se reacenderiam. Assim, não haverá necessidade de serem lembrados os atos impróprios, pela só razão de que não se repetirão.

Por outro lado, haverá um momento em que toda a assistência aos sofredores de todos os níveis será exercida por entidades carentes de prestar esse auxílio, para o devido crescimento nas áreas em que estejam ainda fracas, pelo desenvolvimento parcial das qualidades. Nesse instante, seres mais evoluídos não poderão considerar-se ligados ao exercício das benemerências, para não tirarem o mérito da prestação de serviço dos demais.

Se quiserem imaginar que essa cadeia de assistência é infinita, tudo bem. Mas terão de concordar que haverá um momento em que uns seres estarão mais próximos da bem-aventurança do que os da escala imediatamente inferior.

Vejam com que insegurança estou a desenvolver os tópicos, preocupadíssima em comprovar uma tese cuja realidade está longe de mim e dos leitores, tanto que não podemos sequer suspeitar de quantos são os círculos de angelitude. Pois bem, deverá haver um momento (essa questão de tempo deverá passar por revisão) em que o passo seguinte não deve constituir-se em nenhuma preocupação, ou nunca será dado. De repente, desprendido de todos os problemas, o ser apaniguado pelo superior desempenho se verá no Reino do Pai, apto a exercer a plenitude existencial do amor, que é o máximo que consigo pensar em termos de felicidade transcendental. Eis a quinta-essência do saber aplicado a todos os setores da espiritualidade do ser transformado em criatura excelsa.

O meu nome é Claudete e assim quero ser chamada, enquanto não tiver percebido que não mais estou mancando. De repente, um dia, voltarei ao etéreo e trarei na lembrança meu novo apelido, que espero ser Constance, para me manter fiel aos compromissos de levar palavrinhas de esperança aos que sofrem, na fé de que todos nos reuniremos sob o manto de bondade de Jesus.

Derivei a dissertação para aspectos bem pouco práticos, para a ajuda que devemos prestar aos encarnados que se encontram temerosos de perder os filhos pequenos para o terrível Limbo da fé católica. E dizer que eu tinha seis anos, quando voltei da Crosta! E que não recebi o batismo católico, porque meus pais são evangélicos, metodistas, cuja cerimônia de iniciação não equivale aos pensamentos dos que seguem a Igreja Romana.

Vejam como as noções, quando seguidas ao pé da letra, acabam confundindo a mente desacostumada aos raciocínios abstratos. E dizer que pretendi levar aos leitores as noções do crescimento espiritual, com e sem o aparato da memória. Em que ficamos?

Vamos orar com muita devoção para que os protetores, sejam santos, anjos da guarda ou espíritos de luz, desçam para apanhar-nos, ao nos desencarnarmos, levando-nos prontamente a compreender que fizemos o melhor possível, dentro das circunstâncias em que houvermos vivido. Se dermos um passo de cada vez, não nos desampararão, qualquer seja a esfera em que estivermos trabalhando.

Sejamos sensatos o suficiente para acreditarmos que todos os temas deverão ser avaliados, discutidos e assimilados, segundo as leis cármicas, universais, porque a Verdade há de ser absoluta no seio do Criador. Já pensaram, amigos, se as lembranças pudessem ser as mais deleitosas e se os fatos recapitulados só viessem a nos dar alegria e prazer? Não seria o prometido Paraíso?

Mamãe e Papai, se um dia me reconhecerem na mensagem, porque minha vibração específica estará conduzindo estes pensamentos e estes sentimentos ao fundo de seus corações, lembrem-se apenas daquela filhinha carinhosa que embalaram em seus braços.

Felicidades a todos!

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