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Infantil-->A SEMENTINHA MEDROSA -- 16/11/2017 - 17:06 (MARCIA OLIVEIRA ) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


A SEMENTINHA MEDROSA

Autora: Marcia Oliveira



Estava muito escuro.

Para todos os lados que ela olhava, via um negror. Para baixo, para cima, para frente. Ai, meu Deus!

Ela estava sozinha no escuro e não havia como acender a luz.

Mas... olhando bem para o alto, justo acima de sua cabeça, podia-se perceber uma leve claridade.

Era como se raios de sol quisessem entrar e fossem barrados por uma camada de pequenos grãos pretos e marrons.

- O que seria aquilo? – pensou a sementinha.

- É a terra – ouviu uma voz responder.

- O quê? Quem falou? – perguntou a sementinha assustada. - Não vejo ninguém. E eu não falei. Só pensei...

- Não precisa falar. Falar é coisa dos animais. Nós, vegetais, nos comunicamos através do pensamento mesmo. E eu ouvi você pensar.

- Eu quem? Onde está você?

- Aqui, de seu lado direito. Olhe bem e verá minhas raízes. Um dia, quando crescer, vai conhecer meu tronco, meus galhos, minhas folhas e minhas flores.

- Crescer? O que é isso? – perguntou a sementinha.

- Ora, esse é o caminho natural de todo ser vivo: nascer, crescer e morrer!

- E como é nascer?

- Nascer é isso que já lhe aconteceu. Você é uma semente e tem vida. Pode pensar, sentir e se comunicar. Seu corpo está retirando da terra os alimentos de que necessita para crescer.

- E crescer, então? Você ainda não me falou o que é – argumentou a sementinha, com uma certa dose de impaciência.

- Crescer é aumentar. Você terá caule, raízes e folhas. Talvez flores e, quem sabe, dará frutos também? Suas raízes caminharão para baixo e seu caule para o alto, em direção àquela claridade lá em cima. Aí, você terá uma enorme surpresa! Vai conhecer nosso mundo, o planeta Terra! Vai ver que existem outros seres parecidos conosco: são as plantas. E outros completamente diferentes, meio esquisitos: os animais.

Muito atenciosa, aquela voz cheia de sabedoria falou sobre o planeta:

- A Terra é bem bonita, toda colorida. Tem um céu azul maravilhoso, onde nuvens brancas formam os mais fantásticos desenhos. Durante o dia, brilha o sol que nos aquece e alimenta. De noite, o céu se torna escuro, aparecem estrelas reluzentes e pode-se ver a Lua, nosso satélite.

Falou também sobre as plantas:

- As nossas parentes enfeitam grande parte do planeta com seus vários tons de verde: verde-claro, verde-escuro, verde-água. E as flores? Ah que maravilha! Essas há de todas as cores: amarelas, vermelhas, azuis, alaranjadas, violetas. Falou sobre as águas:

- Existem os rios com belas cachoeiras e os oceanos com ondas brancas ritmadas.

A sementinha lembrou-se da menção aos animais e pediu:

- Quero saber mais sobre os animais esquisitos de que você falou.

- Existem várias espécies. Alguns têm quatro patas, o corpo coberto com pelos e fazem barulhos estranhos com a boca. Outros são silenciosos e vivem dentro d’água. Ainda há os de penas coloridas. Esses voam pelo céu, batendo suas asas no ar.

Aí, lembrou-se animada:

- Ah! Existe também um tipo diferente chamado “homem”. Ele é especial porque é muito inteligente.

Curiosa, a sementinha perguntou:

- Eles também são nossos parentes?

- No fundo, no fundo, somos todos parentes, pois fazemos parte do mesmo Universo e isso nos une, como se fosse um parentesco. Com relação aos animais, devo dizer que eles são ao mesmo tempo bons e ruins para nós, as plantas.

Muito espantada, a sementinha indagou:

- Como assim? Ou eles são bons ou são ruins, não é?

Toda paciência, a velha árvore tentou explicar:

- Nem sempre. Preste atenção: eles são bons quando nos cultivam em seus jardins, em suas hortas e pomares, como fazem os homens. As vacas e galinhas fornecem esterco para que algumas de nós, as verduras, possam crescer bonitas e viçosas. As abelhas e outros insetos levam nosso pólen de uma flor à outra, facilitando a reprodução. As aves espalham nossa semente, através de suas fezes. Enfim, eles ajudam de várias maneiras.

- Mas você disse que eles eram ruins também.

- É porque às vezes somos pisoteadas por antas, onças e outros animais pesados. Os bois, cavalos, cabritos nos comem quando somos ainda pequenas e tenras. E muitas vezes os homens cortam nossos troncos para utilizar a madeira ou nos queimam para formar suas lavouras e pastagens.

Apavorada com a parte final da narração, a sementinha perguntou:

- Quer dizer que podemos simplesmente sumir?

- Sim, e isso é morrer – respondeu a interlocutora.

- Ah! Então não quero crescer! Como vou viver sabendo que um dia, sem mais nem menos, vou morrer? Quero ficar aqui para sempre. Aqui em baixo ninguém vai pisar em mim, nem me comer.

Com imenso carinho, a velha árvore ponderou:

- Olhe sementinha, morrer não é tão ruim assim! Não precisa ter medo. Se não houvesse morte, não haveria vida também. Morrer é tão natural quanto nascer. É o ciclo da natureza: os seres nascem, crescem e morrem. Isso acontece com todos nós: nascemos, crescemos, vivemos e um dia vamos morrer. Mas se você não sair daqui debaixo não vai viver, não vai conhecer o mundo lindo que existe lá fora.

- Você não se importa de morrer? – perguntou inconformada.

- Ao invés de nos preocuparmos com a morte, acho que devemos nos preocupar com a vida e tentar viver da maneira mais bonita possível: sendo boa, sendo honesta, procurando ser útil, fazendo direitinho nosso trabalho e ajudando a todos que pudermos. É a forma de construirmos uma vida bonita. Cada um deve fazer bem feito sua parte e não deve fazer aquilo que não gostaria que fizessem a ele.

Percebendo que aquela “criança” a ouvia com atenção, acrescentou:

- Além disso, devemos cuidar bem de nosso planeta. Ele é a nossa casa.

E finalmente, concluiu:

- Quanto à morte, não se preocupe. Ela é o mais lindo mistério que existe. O que acontece depois, só teremos mesmo certeza quando lá chegarmos. Mas sabe sementinha, alguns homens, considerados sábios, acham que ela nem existe! Acham que a vida apenas se modifica e continua para sempre, cada vez mais bela e mais perfeita. Por isso, coragem! Vá em frente.Construa uma vida bem bonita para você. Isso é o que importa.

A sementinha calou-se e ficou pensando, pensando...



Algumas semanas depois, perto de um majestoso flamboyant, no quintal de uma das casas da cidade, uma garotinha disse entusiasmada:

- Olhe mamãe! Nasceu uma plantinha perto daquela árvore grande!

Após examinar, a mãe falou:

- Parece um pé de laranja. Você andou chupando laranja por aqui? Uma sementinha germinou...





 


Comentários

Jan Muá  - 20/11/2017

Um texto interessante na área de literatura infantil. A história é muito apropriada à curiosidade infantil, a narrativa bem conduzida e os diálogos inteligentes e bem estruturados. Jan Muá

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