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Poesias-->PENSANDO EM TI -- 12/11/2002 - 22:06 (João Ferreira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos






PENSANDO EM TI





Jan Muá

12 de novembro de 2002





Já vi extasiado as águas dos vendavais e dos tornados em pororoca



Já cerrei minhas janelas a violentos ventos ciclônicos

E olhei as crianças doidas e felizes brincarem no jogo dos ventos e das águas



Já assisti aos vermelhos sinais das auroras boreais

E ao fusilamento de trovões apocalíticos despejados nos pára-raios do telhado de minha casa



Já ouvi pessoas relatarem seus dramas e suas alegrias

E festejei a tranqüilidade que veio depois da tempestade



Por isso compreendo o lado sagrado recôndito

E íntimo de tua alma

Em suas verdades e inefáveis segredos!...



Aprendi que não há suposições capazes

De desnudar a lhaneza e a delicadeza

Dos barrancos e dos labirintos da alma!



Aprendi que a nudez é um segredo íntimo

Da mais refinada seda do tecido sensível

De um corpo exposto!



E que ela é apenas o átrio

de um grande salão onde atos fantásticos se expandem

Em lírico e dramatúrgico espetáculo!



Aprendi que com as palavras expressamos nossos palpites

E as superficiais imagens colhidas nas sensações

Que compõem o fundo das narrativas de personagens ocultos



Por isso respeito tua própria voz

Sensível e delicada que sabe carregar as palavras

Com a sutileza da poesia e com a solidão de teu próprio coração!



Respeito tua vontade de guardares os labirintos dos mundos

Que te regem sem maiores palavras



Respeito teus silêncios e teus dizeres fechados

E a mixagem de teu discurso envolto em mantos lanígeros de confusos pronomes pessoais



Entendo que como pessoa humana

Tens ao lado da tua vida em ato

Muitas e plurais forças que desenham em ti

Outras vidas possíveis de acontecer



Considero-te admirável pelo ser que ostentas

E pela vida que cresce dentro de ti

E pela lépida destreza em governares a tirania

Dos tempos e dos espaços que te visitam ofegantes

Para te sufocar na solidão



Curvo-me diante de tuas lágrimas sensíveis

E dos silêncios incrustados em tuas palavras

No doloroso caminho da busca do inefável verbo

Que aos humanos nega a palavra explícita...



Curvo-me especialmente

Diante da tua inocente caminhada

Que também tem seus precipícios e quedas clamorosas.



12 de novembro de 2002

Jan Muá





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