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Infantil-->A SAMAMBAIA CHORONA -- 27/11/2017 - 23:14 (MARCIA OLIVEIRA ) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A SAMAMBAIA CHORONA
Autor: Marcia Oliveira

O céu estava muito azul. Era um dia claro e sem nuvens. Isso deixava as plantas radiantes de alegria. Menos ela, que não parava de chorar e pensar:
- Ai, ai, ai. Como sou infeliz!...
- Infeliz por que? – ouviu alguém perguntar.
Que susto! Ela não havia falado! Estava apenas chorando e pensando...
- Não importa que você só pensou. Eu ouvi mesmo assim. Esqueceu-se de que nós, plantas, podemos nos comunicar por pensamento? Como é seu nome? – ouviu, de novo, a mesma voz.
Reparou, então, em um pequeno vaso de violeta perto dela.
- Eu sou a samambaia Aia, e você, quem é? Eu nem percebi que tinha companhia. Quando chegou? – respondeu, entre admirada e meio zangada.
- Eu sou a violeta Leta. Cheguei tem pouco tempo, mas conheço você de longa data. Eu sempre a ouvia chorar, quando estava na varanda. É lá que eu moro. Só fui trazida para dentro de casa, porque flori. Quando minha floração terminar, com certeza serei levada de volta. Mas, por que você chora tanto? – perguntou a violetinha, que apesar de pequena era inteligente e sensível.
Foi só falar em chorar e Aia lembrou-se de que estava triste. Recomeçou o chororô.
- Ai, ai, ai. Como sou infeliz!...
Leta ficou desapontada. Queria conversar mais. Saber a razão de tanta tristeza. Se pudesse, tentaria ajudar. Então, com jeitinho e paciência, disse:
- Escute Aia, você não gostaria de me contar porque está chorando? Quem sabe eu posso fazer alguma coisa?
Ouvindo aquilo, Aia chorou mais alto e mais desconsolada ainda. Não conseguia nem responder.
Sentindo que devia tomar uma atitude, a violeta Leta falou com energia:
- Agora chega! Pare de chorar! Só chorar não resolve. Vamos conversar e ver se há alguma coisa a ser feita. É assim que se resolvem os problemas: conversando e procurando soluções. Não com essa choradeira sem fim. Pode tratar de ir falando. O que aconteceu?
- Como assim? Então você não enxerga? Eu não sabia que as violetas eram cegas. - respondeu Aia, malcriada.
- Eu enxergo, sim. Muito bem. E não estou vendo nada de errado com você. Você é uma samambaia e só não está mais bonita porque anda triste e chorosa, mas mesmo assim, olhe quantas folhas você já deu à luz. Todas de um verde brilhante e bem crescidinhas, até. Qual é o problema, afinal?
- O problema é justamente esse: eu sou uma samambaia e...
Pronto. Retomou toda a choradeira Nem conseguia terminar a frase. Leta encheu-se de paciência novamente e encorajou-a:
- E... o que Aia ? Você está doente? Vamos, acalme-se e conte-me tudo.
- Não, eu não estou doente, mas é como se eu nem tivesse nascido. Sabe por que? Por que eu nunca poderei ser útil. Eu não dou flores, não dou frutos, não produzo madeira, não sou alimento e não presto para remédio. Nem para sombra eu sirvo. Você sabe, já vivo na sombra, aqui dentro desta sala. Quer tristeza maior? Eu não sirvo para nada. Sou uma inútil! – disse Aia, enfatizando bastante a palavra “inútil”.
- Ah! Então é isso. – pensou a violeta Leta. e, com carinho, argumentou:
- Amiga, é muito bonita sua preocupação em ser útil. Se todos a tivessem, o mundo seria bem melhor. Haveria menos gente necessitada. Uns estariam ajudando os outros.
- Pois é... e que utilidade tenho eu? Como posso me sentir bem? - a samambaia Aia voltou a perguntar desanimada, quase chorando outra vez.
- Aia, todos podem ser útil de alguma maneira. É só querer. Você, por exemplo, é linda, com essas folhas compridas e cheias de pontinhos pretos. Quantas plantas conhece que tem folhas bonitas e compridas como as suas? Você serve para enfeitar os lugares onde está. É tão linda que os humanos usam você e outras de sua espécie para enfeitar os suas casas, seus jardins. Todos se sentem melhor, ficam mais alegres, quando estão em ambiente bonito e agradável. Acha pouco poder embelezar e fazer as pessoas se sentirem bem? Por isso, você tem de se esforçar para ficar cada dia mais bonita. Além disso, como toda planta, você contribui para a boa qualidade do ar, aqui no planeta.
Aia ficou calada. Nunca pensara naquelas possibilidades. Não sabia que enfeitar os ambientes era importante. Tinha de reconhecer que, de fato, era mesmo muito bela. E depois... puxa vida, havia se esquecido... ela também ajudava, por pouco que fosse, a purificar o ar...
Refletiu... refletiu bem e, de repente, começou a se sentir melhor e a entender que tinha uma utilidade sim, e que podia ser ainda mais útil, crescendo, ficando bem reluzente e continuando a purificar o ar.
Foi tornando-se uma planta alegre. Com isso aumentou a produção de folhas. Elas passaram a nascer brilhantes e em maior número. Ficaram bem compridas. Algumas alcançaram o chão. O vaso ficou uma beleza. Todos que entravam na sala elogiavam a samambaia.
Aia ficou tão feliz, que aprendeu até a cantar. Ao invés de chorar, agora ela passava boa parte do tempo contarolando ou lembrando-se das estórias engraçadas que, às vezes, o vento trazia.
Ela e a violeta Leta inventaram uma brincadeira de dizer versinhos. Começaram a rimar chulé com picolé, minhoca com pipoca e siri com piriri. Divertiam-se bastante. Várias vezes a samambaia agradeceu à amiga por tê-la ajudado a deixar de ser chorona.
Assim, a vida seguia tranqüila, até que um dia perceberam um movimento estranho na sala. Era uma tarde de sábado. Sabiam que a família havia viajado naquele final de semana.
Alguns homens, desconhecidos e mal encarados, entraram e levaram todos os móveis, o aparelho de TV, o computador, os livros e os objetos. Quem seriam?
Na segunda-feira, quando a família regressou...Que susto! E que prejuízo! Havia entrado ladrão.
A uma certa altura, ouviram a dona da casa dizer, com uma certa tristeza na voz:
- Não se preocupe, querido. Vamos economizar e compraremos tudo de novo. E olhe, ficamos com a coisa mais linda que tínhamos aqui: a samambaia... Também restou a violetinha... Vou levá-la para fora. Ela precisa de mais luz.
Assim, a violeta Leta voltou à varanda. É possível que, quando florir outra vez, reveja a amiga Aia. Se for levada de volta a para a sala. Quem sabe? Mas para sempre, a amizade estará guardada no coração das duas, pois amizade é uma coisa que nunca se acaba. Fica para sempre no coração.
Aia mudou totalmente sua vida. Aproveitava bem a luz do sol. Sabia que isso a ajudava a ficar bonita. Com prazer colocava novos brotos e ia enchendo o vaso, cada vez mais. Procurava fazer bem feito seu trabalho de enfeitar e renovar o ar. Assim passou a se sentir útil e feliz.
Nunca mais chorou. Ao invés da choradeira, as plantas da varanda ouviam, agora, um canto alegre e, de vez em quando, uns versos engraçados. Vinham lá da sala...
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