Usina de Letras
Usina de Letras
   
                    
Usina de Letras
96 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 55354 )
Cartas ( 21072)
Contos (12178)
Cordel (9607)
Crônicas (21341)
Discursos (3113)
Ensaios - (9921)
Erótico (13148)
Frases (40262)
Humor (17570)
Infantil (3577)
Infanto Juvenil (2311)
Letras de Música (5420)
Peça de Teatro (1311)
Poesias (135962)
Redação (2881)
Roteiro de Filme ou Novela (1036)
Teses / Monologos (2375)
Textos Jurídicos (1909)
Textos Religiosos/Sermões (4240)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Ensaios-->Neoclassicismo e Romantismo na América Hispânica -- 30/06/2005 - 22:47 (PAULO HENRIQUE COELHO FONTENELLE DE ARAUJO) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
PAULO HENRIQUE COELHO FONTENELLE DE ARAÚJO
n. USP: 3710046















Neoclasicismo y Romanticismo en Hispano América – ideas e conceptos de P. Henríquez Ureña








Trabalho de Aproveitamento da Disciplina de Literatura hispanoamericana: modernismo y vanguardias na graduação do Curso de Letras da F.F.L.C.H. da Universidade e São Paulo.





São Paulo
Março de 2005



Pedro Henríquez Ureña, em sua obra “Las correntes literárias en La América Hispânica”, fala de uma anarquia latente na América hispânica do século XIX que, mais do que uma conquista da independência política trilhou um caminho de independência intelectual através de grandes homens ligados à literatura. Urenã acompanha essas duas conquistas e analisa a obra de autores chegando ao detalhamento de suas influências. Ureña fala de Francisco de Miranda que defendia a idéia de uma grande América Hispânica chamada “La Gran Colômbia” que desde “las fuentes Del Mississippi hasta el cabo de hornos” se converteria em uma monarquia constitucional, cujo monarca seria chamado Inca e se elegeria entre os descendentes dos antigos governantes do Peru. Ureña cita José Mejía entre outros, constatando que a independência intelectual, na difusão de novas idéias, na valorização da cultura de cada povo e, no ápice, na liberdade do indivíduo de todas as formas de escravidão e servilismo seriam concomitantes à liberdade nacional. Urenã, contudo, determina a data de surgimento do desejo de independência, que se faz pela primeira vez na obra “alocucion a la Poesia” de Andrés Bello, em que o autor requer a sua musa , uma volta à natureza , que abandone a “culta Europa”, região de luz e de miséria.
A análise da obra poética de Andrés Bello se faz pela valorização dos seus temas em que se listam a riqueza natural do novo mundo e a proeza dos libertadores que, na época de Bello ainda estavam em sua última campanha. O certo é que Andrés Bello não escreve muitas poesias originais, pois é detectável ser ele um ponto de transição entre o Neoclassicismo e o Romantismo e isso vislumbrado principalmente através do poema “La agricultura de la zona tórrida” onde Bello, na valorização de diversos produtos agrícolas do novo mundo, termina por resgatar um tema horaciano de primazia do campo sobre a cidade. No mais é detectável um amadurecimento de sua obra poética pelo amadurecimento de sua vida e Ureña cita seu “rifacimento”(1843) de “La prìere pour tous” de Victor Hugo como uma obra mais formosa do que o poema de Vitor Hugo e isso porque o autor hispânico já tinha ultrapassado a casa dos sessenta anos de idade, o que proporcionou para o poema um clima de claridade mesclada com tristeza de um crepúsculo outonal.
Ureña destaca ainda a parte não literária da obra de Andrés Belo, que entre estudos de filosofia, leis (autor do código Civil Chileno) e até ciências naturais tem como ponto culminante sua “Gramática de la lengua española” Bello, que defendia a unidade lingüística da América espanhola, objetivo demonstrado pelo segunte trecho do prólogo: “No tengo la pretension de escribir para los castellanos. Mis lecciones se dirigen a mis hermanos, los habitantes de hispanoamérica. Juzgo importante la conservación de la lengua de nuestros padres en su posible pureza, como un medio providencialde comunicación y un vínculo de fraternidad entre las varias naciones de origen español derramadas sobre los dos continentes”
E na projeção dessa independência intelectual, Pedro H. Ureña destaca ainda José Joaquin de Olmedo (1780 –1847) que em sua obra poética sobressai La victoria de Junín: canto a Bolívar (1825), em que se observa um claro impulso romântico sob o estilo neoclássico. Suas Poesías completas, junto com Al general Flores, vencedor em Miñarica (1835), revelam um poeta de qualidade, que exerceu grande influência na literatura hispano-americana. Ureña cita ainda José Maria Heredia de uma Cuba que não chegou ver independente, portanto é um poeta lírico, um poeta do fracasso, da rebelião sufocada, da ausência e do desterro e autor de versos que seus compatriotas repetiriam durante setenta anos para anima-los ao esforço e sacrifício. Ureña aponta ainda Fray Servando Teresa de Mier cujos escritos são de grande penetração para os problemas políticos e sociais e também José Joaquin Fernandez de Lizardi autor “Pèriquillo Sarniento”(1816), de estrutura ultrapassada, mas que, na história da vida de um pícaro, há uma visualização da realidade mexicana, nos seus aspectos de pobreza e miséria.
Há, por fim, entre vários autores citados o poeta Domingo Del Monte que descobriu a vida rural contemporânea como tema para a literatura, dando origem a um tipo de poesia chamada criollista, embora em sua forma espontânea a poesia criola tenha existido desde o início da colonização espanhola e portuguesa na América.
Pedro Henríquez Ureña, em sua obra “Las correntes literárias en La América Hispânica” também faz um apanhado da conjuntura política e, por aderência natural, da conjuntura literária dos países da América latina; demonstrando que, após sua independência da Espanha e de Portugal, as ex-colônias alteraram o seu sistema econômico (de acordo com os princípios do liberalismo) e a dificuldade na implantação da mudanças necessárias - com a diminuição geral da riqueza - determinou um empobrecimento das manifestações artísticas, com a exceção da literatura que, prosperou durante aqueles anos de crise e mudança estrutural, circunstância que não pode ser considerada paradoxal, devido a evidente função política que a literatura possui em uma sociedade. Ureña afirma que os homens de letras sempre estiveram do lado da justiça social, da organização política contra as forças da desordem. Ureña menciona autores e termina por diagnosticar que a confluência da crise institucional com a literatura determinou uma mudança essencial para esta arte, mudança que revelou uma superação de autores como Bello, Olmeda Heredia considerados demasiado europeus em suas formas de representação da América. Impunha-se a novidade na forma, uma forma adaptada aos novos tempos: a forma que surgiu no contato com o Romantismo europeu.

O Romantismo surgiu então como revolução espiritual que abria em cada segmento nacional, um caminho onde a expressão própria, a revelação da alma de um povo era uma determinante. Em outras palavras, o Romantismo ultrapassara a racionalidade do classicismo acadêmico.
Ureña aponta Esteban Echeverría, ( 1805-1851), poeta argentino. Primeiro representante do movimento romântico na Argentina, influenciado por Lamartine, Vigny e Byron e autor de obras como “ Elvira ou A noiva do Prata “(1834) e “La cautiva” que logrou demonstrar com fidelidade a vida e a natureza Argentina, com seus campos abertos – os pampas – seus ventos persistentes, suas chuvas, suas secas, seus fogos e os gritos de guerra de seus índios que já haviam dominado o cavalo e as armas européias. Falava também dos criolos que lutavam para levar uma vida civilizada em meio a um vasto deserto e com a constante ameaça de um ataque por parte dos selvagens. Ureña destaca ainda o poeta brasileiro Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), dono de um estilo sensível e fresco que sem esforço aparente dava expressão a uma ampla variedade de sentimentos e emoções. Em Gonçalves Dias o romantismo se cumpre como projeto de uma nação do novo mundo, tendo o mesmo fundado, inclusive, uma literatura indianista do Brasil com a sua obra “I Juca Pirama”
O movimento romântico que começara na poesia, logo se difundiu no teatro e na novela. Cita Gertrudes Gómez de Avellaneda (1814-1873), escritora e dramaturga cubana, conhecida como La Peregrina e classifica as novelas dessa época como sendo obras de estrutura débil, caracterizadas com freqüência, pela descrição de costumes. Na opinião de Pedro Henríquez Ureña, as novelas mais interessantes dessa época se escreveram no Brasil. Cita Joaquim Manuel de Macedo(1820 –1882) que pinta agradáveis quadros da vida cotidiana e retratos de tipos humanos como a “Moreninha” e “Moço louro” e José de Alencar(1829-1877) que buscou criar uma novela arqueológica e histórica de assunto indígena e colonial, triunfando com a publicação de “O guarani” e “Iracema”.
Ureña afirma que o movimento romântico adquiriu fisionomia própria na América hispânica, embora os autores daquele período tenham se equivocado ao admitirem que o único guia fosse a inspiração, o que conduziu a perda de excelentes hábitos mantidos pelos autores neoclássicos, de apego aos usos normais do idioma e o aprofundamento acerca de um tema por tratar. O desapego a esse rigor cientifico acabaria por alterar palavras para acomoda-las às necessidades da rima ou não considerar se a gazela é um animal de asas ou não.
O Romantismo, contudo, se foi conhecido na Europa como uma literatura da rebelião, também sofreu mudanças com o tempo e depois que os problemas sociais deixaram de ser temas poéticos, o poeta preferiu viver no isolamento, em seu próprio mundo de imaginação, em um estado de individualismo exacerbado, também denominado “mal do século” que nunca vingou completamente na América Espanhola, embora tenha existido no Brasil ,em meados do século XIX, resquícios da “epidemia” contaminado os poetas Álvares de Azevedo (1831-1852) Laurindo Rabello (1826-1864) , Junqueira Freire (1832-1855) entre outros.
Em suma, Poesia, teatro e novela são as linhas principais do movimento romântico, embora quem mais o encarne não seja um poeta mais um escritor que nunca escreveu um drama nem uma novela. Ureña fala de Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888) educador e hábil estadista. Primeiro presidente civil da Argentina, que contribuiu para o desenvolvimento econômico e social de seu país por meio da promoção do ensino público e do desenvolvimento do comércio, da agricultura e dos transportes. Domingo Faustino Sarmiento escreveu sua obra fundamental, publicada em 1845: Civilización y barbarie: vida de Juan Facundo Quiroga, y aspecto físico, costumbres y hábitos de la República Argentina, em que, sob a forma da biografia romanceada de Facundo Quiroga, tirânico caudilho do governo Rosas, o autor denuncia a ditadura e realiza um estudo sociológico de seu país na época. O livro opõe-se à cultura tradicional ruralista e defende a industrialização e a urbanização. Suas obras completas compreendem 52 volumes, em sua maioria dedicados à educação. Sarmiento colaborou em diversos periódicos e publicou “Conflictos y armonías de las razas en América” (1883), análise dos problemas de emigração. Em 1885 lançou o periódico El Censor e, dois anos depois, transferiu-se para o Paraguai. Domingo Faustino Sarmiento morreu em Assunção, Paraguai, em 11 de setembro de 1888, com a certeza segundo sua próprias palavras, de que “ no deseé mejor que dejar por herencia millares en mejores condiciones intelectuales, tranqüilizado nuestro país, aseguradas las instituciones y surcado de vias férreas el território, como cubiertos de vapores los rios, para que todos participen Del festín de la vida , de que yo gocé solo a hurtadillas”.

Comentários

pica seca  - 22/04/2015

eh isso ae galerinha partiu come mto cu e buceta

O que você achou deste texto?       Nome:     Mail:    

Comente: 
Informe o código de segurança:          CAPTCHA Image                              

De sua nota para este Texto Perfil do Autor Seguidores: 17Exibido 5906 vezesFale com o autor