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Ensaios-->Contos -- 07/05/2000 - 23:28 (Pedro Carlos de Mello) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Em minhas mãos, o livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”. Bastou uma folheada para ver o tesouro que estava frente aos meus olhos. Desde os mais antigos contistas como Machado de Assis, João do Rio, Lima Barreto, Graciliano Ramos e Monteiro Lobato, passando por Érico Veríssimo, Mário de Andrade, Rubem Braga, Osman Lins, Rubem Fonseca e José J. Veiga, até os mais novos como André Sant’Anna, Valêncio Xavier, Rubens Figueiredo e Luis Fernando Veríssimo, dentre muitos outros, estão representados nesta coletânea de Ítalo Moriconi.

Todavia, ler apenas essa antologia não é suficiente para desfrutar por completo do prazer de ler esses autores. Os contos selecionados devem servir como aperitivo para que busquemos os contos restantes dos autores que nos interessarem. Machado de Assis, por exemplo, tem dois contos na seleção: “Pai contra mãe” e “Pílades e Orestes”. No entanto, são inúmeros os outros contos de qualidade que nosso escritor maior nos legou.

Se quisermos ir mais longe, ultrapassemos as fronteiras do Brasil. Falo da coleção “Mar de Histórias”, de Aurélio Buarque de Holanda e Paulo Rónai, uma antologia do conto mundial. Ali veremos Anton Tchekov, Oscar Wilde, Eça de Queiroz, Charles Baudelaire, Gustave Flaubert, Guy de Maupassant, Honoré de Balzac, Edgar Allan Poe, Franz Kafka, Arthur Schnitzler, O. Henry e muitos outros. Afinal, são 242 contos, escolhidos entre os melhores de 195 autores pertencentes a 41 literaturas.

Novamente, a antologia não basta. Como contentar-se com apenas um conto de Arthur Schnitzler, por exemplo? Como ignorar o seu interessantíssimo livro “Contos de Amor e Morte”, reeditado recentemente pela Companhia das Letras? Como ficar sem saber qual era a “Sina do Barão Von Leisenbohg”, um dos belos contos do livro? Da mesma forma, como ficar satisfeito com apenas três contos (que estão na antologia) do mestre do conto russo e renovador do conto mundial Tchekov? Como não ler “O Malfeitor” e “A Mulher do Farmacêutico”, que constam do livro “O Malfeitor e Outros Contos da Velha Rússia”?

Além disso, retrocedamos um pouco do panorama do conto mundial e fixemo-nos nos contistas latino-americanos, nossos vizinhos: Antônio Skármeta, chileno, Enrique Anderson Imbert, argentino, Horácio Quiroga, uruguaio, Adolfo Bioy Casares, argentino, José Donoso, chileno, Roberto Arlt, argentino, Carlos Fuentes, mexicano e Jorge Luis Borges, argentino, dentre outros. Eles não estão na antologia mundial. Mas como desconhecer que Adolfo Bioy Casares escreveu “ Confidências de Um Lobo”, que Roberto Arlt escreveu o instigante “Escritor Fracassado” e que Jorge Luis Borges escreveu “O Sul”, dentre tantos outros contos?

E quando você lê um livro como “Assim se escreve um conto” de Mempo Giardinelli, entrevistando vários contistas e esses indicam vários contos imperdíveis? A lista vai ao infinito: contos dos próprios entrevistados e contos de Dylan Thomas, Scott Fitgerald, William Saroyan, Max Burbohm, Ambrose Bierce, Chesterton, e muitos outros.

E ainda, você não pode esquecer os novos contistas e os contistas estreantes, como é o caso da maioria dos que escrevem para este site. Borges, numa entrevista a Thiago de Mello em julho de 1984 citou Schopenhauer, que dizia que só devemos ler um livro que já dure pelo menos cem anos. Se um livro dura cem anos, pode ser que seja bom. Eu, no entanto, acho um desperdício você deixar de ler um autor contemporâneo, que, de repente, transcenda sua época, levando sua obra a durar mais de cem anos. Mas, você não estará vivo para lê-lo, você não poderá voltar atrás. Assim, eu prefiro arriscar, eu prefiro experimentar, pois posso ter surpresas agradáveis. Quero ler os consagrados, mas também quero ler os novos.

É um mundo de contos. Contos e mais contos. Desde a época em que o escravo Esopo contava suas fábulas, passando por Petrônio, Boccacio, Chaucer, Cervantes, Perrault, Jean de la Fontaine, indo até Edgar Allan Poe, Maupassant, Henry James, Anton Tchecov, Stevenson, O. Henry e muitos outros do século passado e deste. E assim os contos, essas histórias breves, tratando de vários temas, tocando nossa sensibilidade, vêm, anos após anos nos encantando. E as antologias, embora não suficientes, são um tesouro. Mas não só: também são mapas de muitos outros tesouros, a que nos lançamos com volúpia para descobrí-los.
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