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Ensaios-->Quero dizer algumas palavras -- 20/12/2005 - 11:11 (rodrigo mendes delgado) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
QUERO DIZER ALGUMAS PALAVRAS


Gostaria de dizer algumas palavras. Algumas das coisas que vou dizer aprendi sozinho, outras, pessoas maravilhosas ensinaram-me, outras me foram ensinadas por pessoas talvez não tão maravilhosas, mas que, por serem filhas de Deus merecem meu total respeito.

Em não raras ocasiões tenho me sentido um estranho no mundo. Não sei se tanto descaso, jogo de interesse e falta de amor são normais. Quero crer que não sejam. Preciso crer que o mundo é muito mais do que este lamaçal pútrido no qual o caráter de muitos se transformou. Quero crer que a sede de sangue que movimenta as guerras é apenas fruto da insanidade de uns poucos, que infelizmente detém o poder. Um poder que foi outorgado por aqueles que hoje são desumanamente massacrados.

Preciso crer que a verdade ainda pode subsistir, mesmo enterrada na latrina da falta de compaixão dos homens. Em muitas coisas preciso crer. Quero crer que todo o bem que pratiquei até o presente momento não foi em vão, e certamente não o foi porque, em algum momento, pude propiciar o surgimento de um sorriso na face sofrida de um meu semelhante.

Quero crer que as pessoas que se vendem o fazem por medo ou fraqueza, necessidade ou desespero, mesmo que possam estampar um sorriso mórbido e insano em suas faces. Pobres almas perdidas e sem fé.

Fico pensando qual o argumento que o astuto, aquele que engana tantas pessoas todos os dias, utilizará quando se encontrar com o único mal irremediável nesta vida, a morte. Qual pretexto ele utilizará diante do Julgamento, ao qual nenhum homem poderá fugir, do qual nenhum homem poderá se furtar ou ludibriar.

Como se comportará o estulto, o velhaco, o biltre diante da verdade? Como ficará sua face diante da face de tantos quantos fez sofrer e chorar neste mundo? Não sei se devo ter pena. Não sei o que devo sentir. Mas, certamente estarei lá quando todas estas coisas acontecerem. Todos nós estaremos.

Todos igualados. Donos do poder, soberanos das nações, humildes trabalhadores; os que viveram do sofrimento de muitos, e os que sofriam pela cobiça de poucos; donos do poder, e escravizados pelo poder. Possuidores de amplas riquezas e possuidores apenas das roupas ou farrapos do próprio corpo. Os que riam insanamente quando ganhavam o imundo dinheiro imerso em sangue e lágrimas, e aqueles que perderam e deram seu suor e sangue para que estes poucos vivessem como reis absolutos. Pessoas esteticamente lindas, ao lado de pessoas esteticamente fora dos padrões dos modismos humanos.

Os que se fartaram de comer, com aqueles que sentiram, todos os dias, a dor da fome e da ausência do pão na mesa. Todos iguais, todos juntos, lado a lado.

E talvez vejamos a cena onde uma criança pobre e faminta divida um pedaço do único pão disponível com o mais abastado dos seres humanos, aquele que nunca conheceu a fome, mas incentivou, de alguma maneira a sua propagação. Veremos o velho, completamente decrépito, ajudar o jovem a subir no palco do julgamento estendendo-lhe a mão. Pessoas humildes enxugarão as lágrimas daqueles que choram o desespero do reconhecimento do erro cometido. Mas, estarão ali, todos iguais. Porque todos são irmãos, mas somente naquele momento se darão conta disso.

Sonho com um dia melhor. Sonho com pessoas melhores. Porque acredito que se Cristo não tivesse visto algo de bom na humanidade, não teria se sacrificado por ela.

Aprendi que muitas pessoas vão nos enganar. Mas, que devemos responder a isso com toda a sinceridade que nossos corações podem conter.

Aprendi que pessoas somente nos procuram no momento da necessidade e depois, simplesmente, se vão. Sem deixarem nem mesmo um muito obrigado. Mas, que a isso devemos responder com toda a solicitude e cortesia quando novamente voltarem a nos procurar, porque nunca devemos virar as costas para um rosto sofrido, um corpo calejado e uma alma enfraquecida. Isso não nos torna melhores do que estas pessoas, mas nos faz melhores do que nós mesmos, e é isso o que vale nesta grande cadeia evolutiva do amor.

Aprendi que devemos ter coragem para ferir alguém, mas que devemos ter mais coragem ainda para não o fazer. Descobri que o tempo passa, para todos, indistintamente. Descobri que os únicos tesouros que vou levar desta vida são os amigos que fiz, os sorrisos que recebi e o amor que distribui.

Espero que o mundo seja melhor. Que as pessoas tenham coragem de enfrentar seus medos, suas fraquezas e reconhecer seus erros, porque isso exige nobreza de caráter. Não espero que ninguém seja perfeito, posto que perfeito nem mesmo eu sou. Espero apenas sinceridade no rosto das pessoas, fidelidade nos momentos difíceis e que quando elas disserem umas às outras “eu te amo”, que seja de coração.

Rodrigo Mendes Delgado
Advogado e escritor

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