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Redação-->O País Distante de Um Sonho Presente -- 20/01/2002 - 09:21 (Poeta Maldito) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
É difícil conduzi-los sem palavras contundentes e desafiantes, por isso não vou deixa-las de lado. Um propósito de um texto é deixar uma mensagem que poderá ser seguida, muitos conseguiram essa façanha, contudo meu trabalho é mais árduo. Eu não tenho seguidores, sou um desconhecido estudante enfrentando as dificuldades necessárias a vida. Mas eu percebo neste povo – ai vocês pensam “outra pessoa querendo falar sobre os problemas do Brasil”, eu espero não repetir algo que já sabemos, mas eu não vou dizer exatamente dos problemas que conhecemos, mas sim da incrível fantasia que fizemos de nós mesmos, o povo brasileiro – uma incrível vontade de se dar bem às custas dos outros, a irresponsabilidade que acompanha nossa criação e que nos faz pensar desse modo mesquinho e incorreto que não nos leva a parte alguma e que faz as novas gerações terem vergonha do passado, bom pelo menos os que têm algum senso do que é certo e errado. Eu fico imaginando o que pensa um político que, pelo menos deveria ser uma figura de corretibilidade, demonstra exatamente o contrário. Mas não são só os políticos, obviamente que não, mas a grande parcela da população pratica a desonestidade de forma crônica, sem pensar nas más conseqüências psíquicas que elas provocam. Eu fico imaginando o motivo de existirem tantos fiscais. Nós temos fiscais para toda função que formos praticar, e o pior é que se tem razão. Temos desde radares em estradas por causa da irresponsabilidade dos motoristas, até fiscais que vigiam o próprio governo. Eu não sei o motivo dessa incrível e irresistível vontade de não pensar ou de ignorar as conseqüências que estes tipos de atos podem render, e que é claro para todos não é só dado aos brasileiros – daí então muitos então pensam: “Brasileiro é assim mesmo, agente vai vivendo, é só acreditar” . É disso que eu estou falando, da quietude ou pior, do ponto que chegou a corrumpitibilidade, do quanto estamos enganados dessa imagem que fizeram do “povo brasileiro”, vocês sabem: “o povo alegre, o povo sem medo, o povo sem preconceitos, que Deus é brasileiro, ...” . Como que o povo pode ser alegre se lhe falta desde alimento, à confiança em seus representantes. Como que o povo não tem medo, se alguns dos requisitos básicos para qualquer espécie do mundo como, a certeza de alimento e a segurança para se sobreviver, estão a tal ponto abaladas. Dizer que não temos preconceito é o mesmo que dizer que sabemos sobre tudo. E dizer que Deus é brasileiro só faz deixar que a apatia cresça. Mas não precisamos de muito para viver, mas todos temos que poder sonhar, temos que ter perspectivas, ou então enlouquecemos. Os ladrões, seqüestradores, traficantes..., existem não por outro motivo. Ou vocês acham que eles têm uma natureza má, o diabo encarnado no corpo, não mesmo. Eles, como nós, querem ser felizes. Eu não quero defendê-los, mas quero sim, tentar desmistificar algumas coisas. Quando se é criado em uma favela, qual é sua perspectiva de vida? Primeiro que estando ali se você conseguir sobreviver já será um grande passo. Depois quais são os sonhos que uma pessoa constrói quando ali. Podem até pensar que nenhum, mas está errado, pois são sonhos capitalistas assim como o da maioria da população. Estando lá e conseguindo não passar fome – meta que muitos conseguem – e tendo segurança, vem então a possibilidade de ter prazer, a tentativa de realizar os sonhos: ser rico, ser famoso, ter um carro, ter belas roupas, ter uma casa. Como se pode negar o prazer para as pessoas? Não há possibilidade disso acontecer. Mas a realidade é essas pessoas não tem como ganhar dinheiro para realizar seus sonhos, a não ser roubando, seqüestrando, traficando... . Pois vejam bem em termos práticos. Se você dono de uma padaria e precisa contratar uma pessoa para atender as pessoas – eu não estou sendo preconceituoso, estou apenas criando uma cena – e lhe aparecem quatro pessoas uma sem experiência mas com segundo grau completo e bem trajada, a outra tem primeiro grau completo e experiência e referência apesar de não estar tão bem trajada quanto a primeira, a outra é analfabeta, não tem experiência no ramo, as roupas não estão muito bem limpas, assim como o corpo, a outra pessoa está ali já sem esperança porque nos últimos três lugares em que ela foi para procurar emprego, saiu escorraçada, humilhada e ameaçada de ir presa, ela está muito mal vestida e parece que não se banha, é analfabeta, não tem experiência, é uma das milhares de pessoas miseráveis. A segunda pessoa será contratada, mas a culpa não é do dono da padaria, ele também quer ganhar dinheiro e o lucro será mais certo com a segunda pessoa. O único motivo dessa cena ser falsa é que um miserável nunca iria tentar emprego desse modo, ele sabe que não é bem vindo e tem ódio disso. Ele se vê igual em corpo, mente e também em ideais. A razão está toda com ele, mas os recursos não. Ele vai então em busca dos recursos, do modo que pode ser o errado mas o único que lhe sobrou. Então rouba, mata por tão pouco apenas para ter uma coisa tão rara em sua vida, prazer em ter a sensação de ser igual. Escuta-se por aí: “Assassino cruel, matou meu filho por causa de uma camisa”. Nenhuma das partes estão erradas e agora vocês sabem, nem o assassino nem os que sofrem da perda. Mas nós brasileiros nos acostumamos com tudo isso, se já não é, está virando diversão – andamos repetindo por aí frases : “Eu odeio pobre!”. Que é tão preconceituosa como, “Eu odeio rico!” ou, “Eu odeio negro!”, “Eu odeio branco”. Nós nos acostumamos... essa frase é uma das piores coisas que eu já escutei. Apaziguamos nossas dores nas dores dos outros pensando: “tem gente em pior situação que a minha” . Eu não me renderei mas me delongo demais e já existem linhas demais para se pensar a respeito. Espero que tentem ao invés de pensar quando terminarem, “não há como mudar tudo isso” pensem exatamente o contrário sendo críticos com tudo que se escuta, pois é desse ponto que nasce a vontade de mudar.
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