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Textos_Jurídicos-->AÇÃO DE COBRANCA-MEMORIAL -- 20/09/2000 - 17:00 (Nelson de Medeiros Teixeira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Memorial apresentado em causa própria nos autos do processo 33.739/87, onde o autor, advogando em Cachoeiro de Itapemirim, ES, foi acionado numa Ação de Cobrança.





EXMo SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA 1a VARA CÍVEL DA COMARCA DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM-ESPIRITO SANTO:





NELSON DE MEDEIROS TEIXEIRA, já qualificado nos Autos da Ação Sumaríssima - Processo No 33.739/87 - que lhe move ITACAR- ITAPEMIRIM CARROS LTDA, vem, conforme determinado pôr V.Ex.a. em audiência, apresentar e requerer a juntada do presente memorial, pedindo vênia para expor da maneira que se segue:
Termos em que
Pede deferimento
C.Itapemirim, 21.03.88

Nelson de Medeiros Teixeira
ADVOGADO

M E M O R I A L:


“O dinheiro é o novo Deus do século XX, e em seu altar se sacrifica tudo, até mesmo a honra”. ( Pierre Van Passen, In Colunas do Caráter, de S.Julio Schwantes, pag. 150).


MM JUIZ:

Busquei meu carro trocar,
por um auto diferente,
fui direto na Itacar,
onde eu comprava somente.

Lá chegando me pediram,
muita grana prá trocar.
-Pintar é o jeito - insistiram,
já que não pode comprar.

Quatro e seiscentos orçaram,
a pintura e a lanternagem,
nove mil porém cobraram,
numa fina sacanagem.

Outro serviço fizeram
mesmo não autorizado.
-Seu carro agora- ,disseram,
-tem motor retificado.

Ficou bonito o possante
todo arrumado e pintado,
só que o vistoso “rodante”
foi rebaixado a “cansado”.

Na ladeira não subia
na descida deslizava.;
do motor óleo escorria,
a marcha-ré não entrava.

Roncava tanto o “miúra”
que parecia um cachaço,
às vezes tinha tremura,
que nem viúva num amasso.

O carro ficou manhoso,
voltei correndo a dizer.
Nunca vira um motor novo
tanto barulho fazer.

-Tudo acabado e perfeito,
me respondeu o gerente.
Todo carro tem defeito
quando o motor tá valente.

Eu vos pergunto Excelência,
que argumento podia eu ter,
se na vida a preferência
é de quem detém poder.

Que pode sozinho um freguês
contra a vil patifaria ?
Sem respostas dos por quês,
ante tanta hipocrisia.

A autora quer ver guardado,
dinheiro que afirma ter,
mas só serviço prestado
dá direito a receber.

Serviço que não foi feito
-como é fácil compreender-
deixa o réu insatisfeito,
sem vontade de ceder.

Confesso preclaro Juiz
que busquei nos meus tratados,
uma norma ou diretriz
sobre motores quebrados.

Na espécie, nada encontrei
que pudesse aqui citar,
mas na verdade eu só sei
que não devo na Itacar.

A prova documental,
é, data vênia, um enfeite.
É puramente formal
duplicata sem aceite.

A testemunha é simplória
mas primou na sensatez,
não armou nenhuma história
contou somente o que fez.

A verdade destrinçou
sobre o serviço prestado,
com perícia ele deixou
meu Passat retificado.

A segunda testemunha
-restou claro e comprovado-
sabe no fundo a “mumunha”
só que quis ficar calado.

Mas deixou bem assentado
- Vossa Excelência é sagaz-
que o serviço assim prestado
tinha “mutreta” por trás.

Isto sim restou provado
ninguém pode duvidar,
cabe ao autor, enrolado,
o contrario demonstrar.

O que vai sentenciar
Vossa Excelência eu não sei.
Só sei que nos autos não há
melhor prova que eu vos dei !

Isto posto, o réu espera
ser vencedor nesta ação,
pois onde a verdade impera
é “sopa” a jurisdição.

E em final requerimento
já que está sem numerário,
vem pedir deferimento
e também seu honorário.


C.Itapemirim, 21.03.88

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Nelson de Medeiros Teixeira
Advogado
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