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Artigos-->Médicos. Corporativismo não é Sindicalismo -- 28/07/2013 - 18:44 (Leonardo Koury Martins) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Desde a Constituição de 1988 e a aprovação da Lei Federal 8080/90 o Brasil inicia uma série de profundas mudanças referentes à construção da Política de Saúde em todo território Brasileiro.


Não por uma questão apenas organizativa, mas o Sistema Único de Saúde – SUS tem como principal proposta, a constituição de uma rede de direitos em saúde e a compreensão territorial e organizacional da oferta pública nos municípios.


Saem às ideias que contribuem fortemente pela medicalização e começam a surgir espaço para pensar qualidade de vida em saúde.


Para não ser descontextualizado, gostaria de construir em três pontos um argumento que a cada dia reforça que os graduados em medicinas, deixando claro que não são doutores, se auto-excluem enquanto categoria profissional de toda esta nova construção. Obviamente não são todos os profissionais graduados em medicina, mas nem todos tiveram espírito “guevarita” para pensar que sua formação deve servir ao povo e não a si mesmos.


O primeiro ponto da minha argumentação encontra-se na forma de contratação de todos os profissionais no campo da saúde, desde os profissionais de nível médio como administrativos, agentes comunitários, técnicos em nutrição e de técnicos de enfermagem, quanto os profissionais de nível superior, incluindo os graduados em medicina.


O SUS ao tratar todos os profissionais como iguais e trabalha pensando que os mesmos devem trabalhar por carga horária e não por número de atendimento. A carga horária é fundamental para sair da lógica do atender, numericamente, para atender com tempo todos os pacientes possíveis. Assim traria igualdade no atendimento, seja ele do graduado em medicina que antes do SUS atendia 30 pacientes em menos de 2 horas e voltava para casa ou outro “bico”, trazendo uma péssima qualidade na consulta. O atendimento por sua vez seria buscado como no trabalho do profissional Assistente Social ou Terapeuta Ocupacional que atenderia conjunto a outro profissional como também o graduado em medicina, no seu período de 20, 30 ou 40 horas semanais, assim como nos plantões hospitalares. A grande ideia é buscar qualidade, interdisciplinaridade e complementaridade e por fim a ideia de número por atendimento.


Outra grande questão é a proximidade que cada vez mais o SUS faz com a interdisciplinaridade e o diálogo no território e com a população. Além de uma prerrogativa básica dos princípios da Lei Federal 8080/90, o SUS traz como condição do trabalho o espaço de ouvir diversos saberes integrados, como no atendimento das políticas em saúde metal, como exemplo um enfermeiro e psicólogo agem conjuntamente, como em pensar estratégias de atenção em saúde em domicílios que o problema é contaminação da água. Entre estes dois atendimentos o diálogo com o Agente Comunitário de Saúde ou de Endemias se faz fundamental para a melhoria do atendimento da população, além de aproximar a realidade vivida do procedimento a ser executado pelos profissionais.


A última questão, que interdialoga claramente entre os primeiro e segundp pontos aqui apresentados, é a de que um usuário ou usuária do SUS pode ter um tratamento de pressão alta com exercícios físicos, ou até mesmo, evitar a depressão em grupos de socialização no território, ginásticas, caminhada e academias públicas. Esta última questão ataca drasticamente a medicalização, financiada pelas indústrias farmacêuticas que estão no hall das grandes financiadoras dos congressos de médicos. Laboratórios famosos que antes financiavam as famosas amostras grátis passam também a ter esta caridade proibida pelo estado brasileiro.


Afinal, quem nunca recebeu de indicação médica um remédio A ou B, ao invés de ter o direito à escolha da estratégia do tratamento ou escolha do medicamento mais barato. É como se fosse induzida a toda população a necessidade de beber o refrigerante que financia mais viagens aos médicos, sem considerar que existem outras bebidas mais saudáveis ou até mesmo outras marcas de refrigerante melhores ou mais baratas.


Portanto, com todas estas inovações e alternativas qual pensa o SUS na ótica da saúde como qualidade de vida e não na lógica saúde doença a categoria profissional dos médicos continua a discursar com a ideia de que o atraso é mais lucrativo, mesmo que seja pior a população. Esta categoria deseja que o SUS dê errado, dialogam a cada atendimento com a população que o SUS não é ruim, reafirmam que é precarizado, reforçando assim a falta de humanização do SUS quando tratam mal a população mais pobre, além de desvincularem a cada dia de um atendimento interdisciplinar. Fazem a população pagar pela arrogância de uma falsa hierarquia do conhecimento.


Os graduados em medicina ainda tentam reforçar o conceito arcaico de que cada atendimento tem valor em certos reais e certos centavos. Preferem claramente trabalhar no modelo “plano de saúde” e ou atendimento expresso para quanto mais atender, mais dinheiro ganhar, além de pensar os remédios como única alternativa para todas as situações de problemas de saúde.


Esta categoria que se propõe ser elitista desde sua formação tem um baixo índice de comprometimento profissional com o povo brasileiro, pois formam e buscam enriquecer no atendimento privado e em certas especializações que por fim acabam atendendo a si mesmos. Não querem rabalhar no sistema público, principalmente nas periferias e cidades do interior. Dão-se ao direito de escolher o público a ser atendimento pela cor e condição social e não pela necessidade.


Atualmente repudiam uma das dezenas de alternativas de governo para que os mesmos interiorizem seu conhecimento, condicionando a necessidade de seu trabalho ser popularizado e com financiamento vinculado ao atendimento da população mais pobre, chamam a ideia de escravidão branca.


Os graduados em medicina, que não doutores, não entenderam que corporativismo não é sindicalismo, que suas pautas estão longe de uma defesa de melhoria da qualidade profissional, mas apenas ilustra a necessidade de outros olhares pela saúde pública brasileira. O olhar corporativo da categoria pouco serve a quem precisa da saúde no Brasil.


Certamente a saúde pública precisa de muito mais para atender a população, mas antes de qualquer coisa, precisa a cada dia estar a serviço do povo brasileiro e não de uma nefasta e fascista manifestação corporativa. Esta que a mais de 20 anos caminha distante da humanização do SUS.



Leonardo Koury - Escritor, Assistente Social, Educador e Militante dos Movimentos Sociais
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