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Crônicas-->32. A VISÃO NOTURNA -- 11/10/2002 - 08:01 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Pretendi ter a capacidade de enxergar no escuro. Acabei cego pelas loucuras que pratiquei contra os meus olhos.

Só esta introdução deveria bastar para prevenir os leitores quanto à imprudência dos sonhos contra a natureza. Na verdade, precisei acostumar-me a sentir o ambiente com os demais sentidos, para o que os desenvolvi muito mais do que o comum da gente. Mas esta é história que qualquer cego poderia vir contar.

Quanto a mim, o que me caracterizou a existência carnal foi um apego absurdo à teimosia, pois não admiti nunca que fora o culpado da desgraça que me abateu. Aliás, cheguei ao ponto de afirmar que não haveria outro meio de obter o que pretendera, pois a falta da visão era como o mergulho na escuridão mais absoluta, o que me facultava imaginar todos os ambientes e todas as pessoas.

Também no plano das conquistas espirituais, quedei totalmente impossibilitado de enxergar um palmo adiante do nariz. Aferrei-me num materialismo obtuso e só via a vida como a resultante das tendências deterministas do cosmo. Por isso, impedi minha inteligência de aceitar Deus e a religião.

Como vim parar neste meio feliz e adiantado?

Ocorre que, apesar de tudo, não pratiquei o mal. Apesar da limitação física, abria a bolsa para o socorro dos infelizes. Não acreditava nos espíritos, porém, auxiliava como podia nas campanhas de assistência aos necessitados. E tinha longas conversas com a criançada, porque a palavra fácil me favorecera a criação de histórias cheias de aventuras, com heróis corajosos e donzelas belíssimas.

Ao meu lado, durante muito tempo, minha irmã, que me guiava pelo mundo dos videntes e que tinha muito medo que eu praticasse contra a vida a mesma insensatez que me tirara a visão. A ela dedico este pequeno escorço biográfico, a ela, que ascendeu a paragens mais felizes e evoluídas, mercê do muito sacrifício com que resgatou os poucos débitos que tinha para comigo e para com a espiritualidade.

Quando aqui cheguei, procurei-a por toda a parte, desejoso de lhe ouvir de novo a voz pacienciosa e terna orientando-me a caminhada. Mas batia com a cabeça contra as paredes, cego ainda, inconsciente de que tinha morrido. Essa infernal condição durou até o dia em que me sentei no chão e me pus a meditar a respeito do fato de estar voltando a uma situação conhecida, ou seja, a um momento anterior à encarnação, quando admiti a hipótese de crescer moralmente dentro de um lar terreno onde seria agasalhado com amor e carinho.

A lembrança da existência na erraticidade foi que me despertou para a realidade atual. Achei que não precisava mais manter-me longe da luz e abri a mente para a aceitação da vida de além-túmulo. Foi como tirar a espessa venda com as mãos. Mas foi aí que comecei uma correria desenfreada pelos rincões estranhíssimos que criava, já que me deixei envolver pelo forte arrependimento de ter perdido a oportunidade de melhorar-me espiritualmente.

O que me salvou e me conduziu para este lugar?

As historinhas que fui relembrando, porque falavam das virtudes masculinas e femininas. Aos poucos, pude conceber as alegrias infantis dos irmãozinhos e atinei com o fato de não ter sido inútil a minha peregrinação. Foi nesse ponto que pude receber a companhia de um grupo interessado em me demonstrar reconhecimento, justamente alguns daqueles seres a quem havia feito o bem (e aqui cabe a expressão inteiramente), sem olhar a quem.

Hoje partilho desta felicidade de informar mediunicamente aos encarnados como todos podem superar as deficiências físicas ou morais, para fazerem jus a uma paz interior que lhes dará tranqüilidade para os estudos e para a prática do socorrismo.

Especificamente aos que estão impedidos de ler com a vista esta manifestação, recomendo que pensem positivamente numa restauração através das obras de benemerência, não dando jamais trela àquela vozinha da consciência que não aceita a justiça divina tal qual se apresenta aos mortais. Não caiam também na armadilha de acusar os malfeitores, como se os crimes que cometem se originam no fato de terem todos os sentidos intactos, afirmando que, se fossem cegos, não procederiam desse jeito. A maldade está na alma e todos devemos precaver-nos contra as formas que adquire, pois se disfarça, inclusive, com fantasias de ateu.

Qual Diógenes com sua lanterna, houve um tempo, nas cavernas da ignorância, em que buscava um espírito puro, dando-lhe as características da perfeição. Devo ter passado perto de Jesus e o deixado para trás, porque a minha concepção não brindava as melhores qualidades, uma vez que não possuía eu os méritos que buscava nos outros. Essa a pior cegueira.

Estejam onde estiverem, amigos, sempre encontrarão caminhos seguros para virem a ser recebidos em festa pelos seres que os antecederem na espiritualidade. Sejam felizes!

Antenor.

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