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Crônicas-->34. O “RASGADOR” DE SEDA -- 13/10/2002 - 09:05 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Era só encontrar-me com alguém cuja estima desejava e logo varria o solo com a pena de meu chapéu. E isso a vida toda. Não foram poucas as pessoas que corresponderam ao meu gesto, de forma que pude entender que também poderia representar algo de importância para a sociedade.

Ocorre que era bem constituído mentalmente, com boa inteligência e rapidez de raciocínio, podendo, através dos diálogos, reconhecer o quanto de pureza ou de aspereza havia nas personalidades alheias. Por isso, facilitava o bom relacionamento, utilizando-me de expressões amáveis e corteses.

Salpiquei durante toda a curta vida os meus encômios, algumas vezes desmedidos, por toda a parte, obtendo quase sempre bons resultados. Se, às vezes, era traído pela excessiva confiança que depositava nas pessoas, não me afastava do princípio adotado, porque as recompensas eram bem maiores que os castigos.

Quando conheci meu primeiro centro espírita, aos dezoito anos, já portava comigo aquela característica, de forma que o pessoal logo se apegou ao jovem promissor, cheio de boas palavras e belos sentimentos. Quanto a mim, julguei os mais velhos bastante compenetrados dos serviços que prestavam naquele ambiente austero, admirando-me do fato de que me houvessem permitido bem cedo chegar-me à mesa das comunicações mediúnicas.

De início, mantive-me afastado dos trabalhos, não dando oportunidade a nenhuma transmissão. Isso arrastou-se por mais de ano, até que, na falta do orientador da sessão, os colegas de mesa me apontaram como doutrinador eventual. Aceitei meio receoso mas com a convicção de que poderia conversar franca e lealmente com qualquer entidade trazida pelos guias da casa.

De fato, o primeiro com quem conversei foi um pobre sofredor, suicida e temeroso de continuar infeliz, já arrependido, curvado sob a angústia de haver levado a desolação aos filhos menores. Como o ocorrido se dera há mais de quinze anos, julguei que estava próximo o término da crise de consciência, podendo manifestar a esperança de um breve regresso ao seio dos bons familiares e protetores. Aconselhei-o a visitar os parentes magoados, para constatação de que a vida deles não ficara paralisada no tempo, mas que haviam superado a tristeza, podendo ter acontecido que muitos, aplicados ao estudo da doutrina espírita e elevados pelas lições de Jesus, já teriam perdoado o seu gesto de desespero e angústia.

Estou narrando o primeiro caso, com o fito de demonstrar que foi suficiente para me fazer crer que estava habilitado a prosseguir como doutrinador e conselheiro. Não tecia elogios muito facilmente, como na vida secular, mas jamais ralhei com quem quer que fosse, sempre com ânimo propício a insuflar nos corações carentes de amor ou de amizade, certa predisposição para admitirem os próprios erros, à vista da imperfeição reinante neste planeta de expiação e provações.

Aos vinte e cinco anos, deixei a Terra, envolvido em trágico acidente, cuja causa se deveu à imperícia e à imprudência de um motorista de coletivo. Foi por ocasião de meu noivado, estando cheio de planos de conquistas pessoais no campo afetivo. Não me desesperei, porém, nem atribuí culpa ao infeliz, que se viu, desde logo, perseguido por muitos dos passageiros mortos no acidente.

No primeiro momento, cuidei dos familiares e da moça, que se viu desiludida e desesperançada. De imediato, porém, percebi que me deixava emocionar, a ponto de me desequilibrar, sempre que recebia as vibrações pesadas dos que não haviam compreendido que o homem, em sendo mortal, está sujeito a passar para o outro lado da existência a qualquer momento. Solicitei ajuda aos gentis protetores do centro, que se esforçavam para fazer que entendesse os problemas daquela repentina mudança energética, e deles recebi o apoio desejado, qual seja, o de cuidar dos meus, para que pudesse ser designado membro do grupo de socorristas que partiria para assistência aos companheiros de acidente que se digladiavam nas trevas.

Gostaria de narrar os sucessos particulares relativos a cada um dos litigantes, no entanto, não conseguiria escrever tudo em menos de cinqüenta laudas. Registro, então, que alguns se perderam em busca de um fantasma criado com base na figura do motorista, enquanto outros se deixaram convencer de que nada mais haveria que fazer para restabelecer o vínculo vital.

Quanto ao causador da tragédia, não me foi possível agregá-lo ao contingente que trouxemos à colônia, porque se afadigava com a lembrança de que deixara filhos menores em situação de penúria. Como não havia decorrido muito tempo, não tinham até aquele instante adquirido o consolo das criaturas citadas em meu primeiro trabalho de doutrinação.

Desejei ficar na companhia dele, mas não agüentei as sensações do remorso e do desconsolo que o pobre fazia expandir ao derredor. Como eu não havia adquirido o domínio de meu cabedal psíquico, foi preciso que os instrutores me retirassem de perto do condenado, estando eu em péssima condição perispiritual.

Foi nesse frenesi provocado pelo desejo de praticar ato superior às minhas forças que compreendi, finalmente, que a minha fina educação deveria mesclar-se a conhecimentos teóricos mais profundos do que seja a virtude e sua aplicação no campo de atuação aberto pelo espírito de benemerência.

Se me fosse dada aqui clarividência para expor como realizar com perfeição todos os atos do socorrismo, talvez não conseguisse, porque estou prestes a oferecer aos leitores palavras de agradecimento pela magnânima aceitação da mensagem deste amigo, com que todos poderão contar a qualquer tempo e lugar.

Está claro que me veio à mente o fato de que, daqui a vinte ou trinta anos, poderei estar impedido por inúmeros fatores restritivos da liberdade, inclusive por poder estar reencarnado, contudo, se requisitarem o agasalho de alguém desta colônia em meu nome (Valdomiro), com toda a certeza serão atendidos, desde que se mantenham íntegros em sua disposição de se aperfeiçoarem constantemente, o que me parece óbvio pelo fato de que chegaram a esta altura da obra.

Jamais pensem em mim sem uma oração, porque os primeiros que são auxiliados são vocês mesmos. Fiquem, pois, na graça do Senhor!

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