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Artigos-->Agora -- 21/04/2014 - 11:02 (MARIA CRISTINA DOBAL CAMPIGLIA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos



Agora



 



salto sem corda em algum espaço

e resta só o olhar para me agarrar



cadê você que eu te vi



muitos anos correram a me seguir

e voaram como pássaros

e cadê eu, que não vi?



Mas agora não importa.



Porque pode-se inventar um cometa

e passar com o tempo dentro dele

sugando-lhe as entranhas

com sol ou neve



pode-se inventar a poesia

insana

comestível

ou cigana



aquela que antes não víamos

a que acendia a lareira das paixões

atrevidas



porque embora fuja hoje

o frescor do que passou



o século pode agora

morar dentro do instante

no encontro de um olhar

com outro olhar; outro dia







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