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Crônicas-->39. O SALVADOR DA HUMANIDADE -- 18/10/2002 - 06:59 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Como eu gostaria de acreditar em que Jesus, verdadeiramente, representa aquele que veio para salvar a humanidade, o messias enviado por Deus para sacrificar-se em prol de abrir caminho para que todos cheguem até o reino do Senhor.

Mas eu queria que Jesus efetivasse alguns milagres espirituais da mesma forma que curou os leprosos, que deu luz aos cegos, que ressuscitou os mortos. Queria que ele dissesse:

— Homens de todos os quadrantes, erguei-vos perante Deus e apresentai-vos para a peregrinação definitiva!

Aí, todos iríamos caminhar impávidos, rumo à bem-aventurança, de mãos dadas, entoando hosanas e saltérios.

Mas Jesus disse que a cada um seria dado conforme o que obrassem de bem em favor dos semelhantes, amando-os indiscriminadamente, sem ver se eram ou não inimigos. Assim não vale, porque acrescentaria ao sofrimento da carne mais as dores espirituais pela descoberta da inferioridade em que estamos mergulhados. Eu desejava a salvação pura e simples, contudo, Jesus nos ofereceu o seu exemplo de compaixão e solidariedade, incentivando-nos a que trilhássemos a mesma senda da perfeição, sem sermos perfeitos como ele.

Em vida, trabalhei bastante pelos necessitados, porém, sempre receoso de ser desrespeitado, maltratado, ofendido, agredido e assassinado. Não confiei jamais na proteção dos espíritos benignos que cercavam de cuidados o centro espírita e nos diziam que estávamos sob o amparo de entidades de superior virtude. Por isso, não aceitava entrevistar criminosos nos presídios, nem levar a palavra da fé e da esperança aos doentes no isolamento dos hospitais.

Desconfiava, desconfiava, desconfiava...

Vivi mais de oitenta anos e só no finalzinho, percebendo que não faria diferença viver ou morrer, estive no caminho de um desbeiçado da vida, que me deixou a carcaça a apodrecer no meio de matagal, enquanto ia vasculhar o interior de minha casa para se apoderar dos poucos pertences que ainda possuía. Sei que se frustrou, porque as células que achou não deram para adquirir sequer a garrafa que lhe manteria o vício.

Em lugar de agradecer-lhe a forma rápida do despacho, ergui a voz do coração, para pregar-lhe idealmente que estava fazendo comigo o que os algozes fizeram com o Cristo.

Só muito mais tarde é que vim a compreender que a necessidade de encontrar um salvador da humanidade tinha que ver com a consciência obliterada pela íntima ambição de ser eu mesmo aquele messias.

Parece um absurdo que tenha sido esse o resultado final da pesquisa psíquica que levei a cabo, tendo estudado as obras de Kardec e tendo ouvido tantas exposições de companheiros dotados da doutrina espírita. Não me bastaram as inúmeras doutrinações que ouvi e que exarei em sessões de desobsessão. Queria a salvação pelos dotes de outrem. Não atinei que precisava agir em consonância com as teses que dizia aceitar e que divulgava em quanta oportunidade me aparecesse.

Trago este meu exemplo para suplantar as possíveis suspeitas dos leitores quanto a estar este grupo a simular perfeição ou a disfarçar imperfeições. O meu objetivo primordial é levantar a dúvida da melhor concepção de vida ativa e sua prática. Se quiserem um conselho adicional, recolham-se em meditação e vejam se admitem o fato de que estamos todos necessitados da compaixão divina, para pleitearmos um lugar em colônia mais adiantada, onde os espíritos privam da felicidade de não se magoarem com o fato de que os terráqueos estão em luta fratricida.

Sei que a minha palavra não terá grande efeito, no entanto, se disser algo de bom, podem acreditar, irei repetir exatamente o que ensinava nas aulas e nas palestras, culminando por recomendar a melhor prece, com o máximo de concentração na bondade de Jesus e na misericórdia divina.



“Deus de amor infinito, tende compaixão pelos que sofrem a desdita de colocar-se à frente dos necessitados, como se todo o mal do mundo neles se concentrasse. Ao menos, Senhor, fazei que compreendamos que vossas bênçãos se espargem sem cessar pelos universos e que somos nós que não nos pomos dignos de recebê-las. Um gole d’água em vossa fonte de perene benignidade nos faria as criaturas mais gloriosas e saciadas. No entanto, antes de beber, costumamos encher nossos cântaros, porque julgamos que nos cabe dessedentar os demais, como se fôssemos melhores que eles. Que este nosso rogo tenha o condão de significar um passo mais na conquista da humildade que nos iluminará um dia. Assim seja!”

Davi, pela "Equipe do Eterno Regresso".

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