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Erótico-->6. CONSIDERAÇÕES GERAIS -- 20/02/2003 - 10:28 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Diante do resultado dos ditados, pus-me a meditar a respeito do interesse que possam despertar. A primeira observação vou fazer repousar sobre a ausência dos diálogos, sabendo que os verdadeiros romances ou, pelo menos, os que fazem sucesso editorial se preenchem de intermináveis conversas entre as personagens, caracterizando o ambiente cultural e emocional.

Poderia argumentar, afirmando que mantenho o tom de colóquio, de forma a representar-me monologando diante de pessoas de carne e osso, presentes em imaginação, também capazes de recriarem a minha figura e os diversos acontecimentos, os quais disponho sem descrições, empenhado, sobretudo, em despachar os aspectos morais, sociais, filosóficos e espirituais. Mas não vou fazê-lo por impertinente, dado que todo bom narrador imprime ao texto a vibração do envolvimento das mentes dos leitores, sempre contornando as situações, inclusive de modo inverossimilhante, para construir os diálogos, satisfazendo o princípio prévio de que, sem eles, a obra não irá “emplacar”.

Fiz questão de o companheiro encarnado redigir o termo “emplacar”, expressão da linguagem atual e popular, para dar azo ao comentário da falência de meus dizeres, respingados de palavras cultas em franco declínio literário, também de difícil assimilação pelo comum dos leitores. E não apenas o léxico não prima por estar na “crista da onda”, como o vulgo dizia no meu tempo: muitas formas gramaticais não se deixam coagir pelo “modernoso”, caso mais nítido em se tratando das construções sintáticas.

Poderia valer-me dos conhecimentos lingüísticos apurados do mediador, que não se negaria, sei muito bem, a adestrar o idioma, colocando a meu serviço outras modalidades mais afins ao gosto que os editores supõem, por razões estatístico-financeiras, ser o da população alfabetizada disposta a gastar tempo (e dinheiro) nesta arcaica maneira de aquisição de cultura.

Os parágrafos anteriores foram para demonstrar a minha teimosia, a minha encalacrada formulação personalista de quem não pretende ceder às evidências claríssimas de que esta comunicação, elaborada conscientemente à revelia dos ditames da padronização editorial, irá ser rejeitada e jamais virá à luz em que se desenvolvem as pessoas.

A se crer na verdade das conclusões acima, volto-me para os meus orientadores, na angústia de válida, pertinente e oportuna perquirição:

— Estarei cumprindo este dever segundo as expectativas dos mestres e dos colegas ou, o que me parece mais exato, estarei provocando-lhes as decepções mais deprimentes, já que não era assim que imaginavam o texto?

Está claro que a pergunta apenas ilustra a fórmula do estilo direto, uma vez que, pelo menos até este ponto, o ditado está seguindo o rascunho que foi aprovado pelos mentores. Esta é outra maneira de dizer que a resposta alcançada aprova os recursos de que dotei a mensagem, obtendo dos amigos e superiores permissão para prosseguir.

Resta considerar se todas as suspensões do narrado não suscitam as dúvidas relativas ao empenho maior que eu deveria ter em colocar os leitores frente a frente com os acontecimentos, levando-os a conhecer os mecanismos psicológicos da época, demonstrando como é que o desenrolar daqueles me levaram a reagir pela forma que o fiz.

Se estou em condições de afirmar as possibilidades de encaminhamento do relato, estou impedido de realizá-las, por completa falta de competência...

Permitam-me, de novo, interromper a idéia, para explicar o que penso a respeito do que seja “competência”, em se tratando de comunicações mediúnicas deste teor.

Quando se traz ser tão imperfeito, tão incompleto, tão mesquinho quanto eu, exigindo-se do coitado (sem sentido sentimental) que teça considerações sobre as próprias atitudes, previamente sabidas como desencadeadoras de tristes represálias cármicas, deve-se esperar que não consiga manifestações muito inteligentes, na abrangência de todos os fatores determinantes da ação. Pedissem-me para inventar história, preencheria todos os tópicos determinantes do sucesso junto ao público encarnado. Falar de mim mesmo, arrazoando sobre as causas e demonstrando as conseqüências, ao mesmo tempo que devo tratar o tema de ponto de vista exterior, como manipulam os materiais os cientistas nos laboratórios, está além de minha capacidade intelectual e emotiva (ambos os fatores entrelaçados estreitamente, impedindo-me de fincar pé na realidade, sem hesitações de caráter sentimental).

No capítulo anterior, revelei o que de pior fiz na vida. Precisaria estimular os sentimentos dos leitores no sentido da pieguice das lágrimas fáceis? Esse, na verdade, é o objetivo dos dramas e das tragédias da antiga e da moderna dramaturgia, sejam veiculados por que meio forem.

Pintei, sim, o desespero das pessoas que me amavam, mas dei ao quadro tonalidades pastéis, para referendar o pensamento de que a vida deveria ser encarada com maior determinação espírita, ou seja, na convicção de que Deus é pai de amor e misericórdia e que se deve deixar nas mãos dele a decisão final sobre o destino de todos os seres, especialmente quando o que nos resta fazer é apenas rezar, pedindo por proteção, por amparo, por intervenção, por socorro enfim, no amenizar das dores e sofrimentos de quem atuou de forma tão insensata, contrariando as leis do bem, da caridade, da esperança e da fé, em suma, do amor, conforme a pregação do Cristo.

Definitivamente, não vou mais pedir perdão aos amigos que me seguem por estes capítulos. Creio tê-los advertido com o máximo da honestidade, quanto às fraquezas deste espírito-autor, cujo desejo manifesto é o de lograr a demonstração de que aos homens e às mulheres se obrigam as virtudes, para darem continuidade feliz à existência, no plano espiritual.

Todavia, os feitos durante a estadia no Umbral faltam ser trazidos e eles se prendem aos que deram forma à história da vida sobre a Crosta, de sorte que me verei na necessidade de referir-me a diversos episódios terrenos, para dar seqüência compreensível.

Perdão não vou pedir mas agradecer a paciência de todos tenho de fazê-lo desde sempre, porque, é justo denunciar, estou capacitando-me a entender melhor as causas dos procedimentos incompatíveis com as leis do Pai que me trouxeram a este nível espiritual, que, reconheço, é contorcido, é disforme, é patético, conquanto, intelectualmente, advogado que fui, esteja no domínio de imenso cabedal de conhecimentos da realidade psíquica.

Falando de modo mais simples: faz-se, ao poucos, a luz para a minha mente sofredora, graças a este trabalho.

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