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Contos-->AMOR QUASE IMPOSSÍVEL -- 19/02/2003 - 09:53 (Maria Hilda de J. Alão) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A primeira vez: olharam-se, sorriram, conversaram e, enlaçados, dançaram... Ele, garboso rapaz, trazendo no olhar verde-esmeralda mil anos de feitos europeus... Ela, nos olhos negros aveludados, portava o orgulho de ser filha do continente africano...
Mas o amor não escolhe território, nem tão pouco as pessoas e quando chega, a sineta não soa...
Amaram-se, como jamais ser algum amou... E este amor um fruto gerou...
O que devia ser alegria, pesadelo se tornou quando a família, as "diferenças" questionou...
Separaram-se. A dor foi imensa... Ele, influenciável, outro amor procurou, de olhos verdes, iguais aos seus... Pouco tempo durou...
Ela quedou-se amargurada com o fruto nos braços embalando e, dos olhos negros, lágrimas derramando.
Porém a vida, com seus altos e baixos, continuou... A lembrança e a saudade estavam vivas... A dor, o tempo amenizou... O amor verdadeiro, o tempo não conseguiu apagar...
Década e meia depois, encontram-se novamente. Agora, já maduros e seguros de seus desejos, enfrentando qualquer obstáculo. Foram tantos beijos, tantas lágrimas... Os olhos europeus voltaram a brilhar espargindo raios verdes de esperança e o olhar negro era um diamante engastado no suave rosto.
Depois, com a emoção à flor da pele, ele abraça a mocinha que um sonho acalentava: o de conhecer aquele de quem o verde olhar herdara e que seu coração, mesmo sem conhecê-lo, tanto amava...
Olhou para a mulher e viu, no seu sorriso, a luz do amor que a envolvia... E abraçando as duas, diz-lhes entre lágrimas:
- Nada nos separará, nunca mais, porque Deus uniu os continentes que geraram tão bela flor...

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