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Artigos-->Bonançosas caravelas portuguesas -- 21/12/2016 - 20:55 (João Ferreira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Bonançosas caravelas portuguesas
João Ferreira
Porto 21 de dezembro de 2016
Cheguei a Lisboa no dia 7 de dezembro aproveitando a estação baixa de preços de passagens aéreas. Fiz palestra no salão da Biblioteca Municipal de Sesimbra no dia 10 acedendo a um convite de Pedro Martins, diretor da edição das obras completas de António Telmo. No dia 11 fui de trem de Lisboa para o Porto por convocação de minha amiga Professora Doutora Maria Celeste Natário da Faculdade de Letras da Universidade do Porto para falar no dia 12, num seminário que ela orienta, sobre “Questões éticas e políticas da Geração 70 na perspectiva do século XIX”. No dia 13 estava já no Ateneu Comercial do Porto falando sobre a Questão do Pré-Modernisno em Portugal. Voltei a Lisboa e Setúbal para atender nova programação. Desta vez na Casa Bocage em Setúbal dirigida por Bruno Ferro, para falar, a convite da Presidente da Associação Agostinho da Silva sobre o ciclo candango de George Agostinho da Silva. E no dia 18, levado novamente por meus amigos agostinianos ainda participei na casa do Fauno gerida por Alexandre Gabriel, notável músico, dono da editora Zéfiro, da sessão organizada pro Pedro Martins para debatermos as últimas publicações dedicadas a Agostinho escritas por estudiosos ou discípulos agostinianos.
Desde ontem encontro-me na cidade do Porto, no Norte de Portugal. Uma cidade interessantíssima, “cidade invicta”, cidade democrática, republicana, com uma tonalidade cultural própria que os turistas europeus amam. Ainda há bem pouco tempo foi capital europeia da cultura. Escrevo no dia 21 de dezembro que é rigorosamente o primeiro dia de inverno aqui e em toda a Europa. Apesar de ser oficialmente um dia de inverno, o dia está bonito ainda que frio. Agora à noite a temperatura ronda os 12 graus. Mas o tempo está muito agradável. Só é preciso a gente se agasalhar.
Logo de manhã, resolvi sair para a rua e curtir um dia diferente. Eram cerca de 10 horas. Bem agasalhado, aproveitei a hora em que a imprensa internacional europeia já tinha chegado às bancas. Iria comprar vários jornais e revistas para fazer uma ideia atualizada do que atualmente se passa na Europa. Iria sentar-me num café e ler com muita calma alguma coisa interessante e com a intenção de redigir uma crônica para meus amigos brasileiros.Belas intenções. Fortalecido por dentro e aproveitando para exercitar os músculos de minhas pernas viciadas no cárcere sedentário, fui andando, comprei o Le Monde, a revista Visão, o jornal de Notícias do Porto e até, para espiar, um jornal de extrema-direita, o Diabo. Tudo isto serviria para informar minha mente libertária, democrática e ecumênica. Iria ler e aproveitar, certamente. Atravessei a Praça da Batalha passei pela frente do Teatro de S. João e abraçando meus jornais e minhas revistas desci o pequeno trecho da rua de Santa Catarina, virei à esquerda pela rua 31 de outubro, ladeei a estação de S. Bento.Em seguida passei em frente da fachada da Igreja dos Congregados e fui sentar-me numa esplanada gostosa que meus olhos e meu sentido de orientação selecionou na Avenida dos Aliados, no centro do Porto. Aí iria ler minhas notícias, pensar, imaginar e poetar, sem outras preocupações, numa ginástica natural de pensamento livre. Era a forma agradável que encontrava para viver e agradecer a Deus esta disponibilidade que me dá em minhas andanças pelo mundo, onde ainda encontro tempo até para escrever esta crônica que vou publicar na Usina de Letras. Antes de começar minha leitura e minhas reflexões a partir do noticiário, já com minha mesinha selecionada, meus olhos engrandeceram ao depararem com um detalhe de cultura popular de bom gosto, ali na Avenida dos Aliados. Espalhados pelo miolo da Avenida e preparados para funcionarem com iluminação própria na quadra do Natal estavam espalhados cerca de uma dúzia de balanços suspensos ocupados por turistas e por muitas crianças, disputando a vez. Cada balanço tinha um banco sólido de madeira inteiramente seguro que podia ser movido e balançado. Colocada para ser vista à noite e integrar a iluminação da praça, no topo de cada balanço havia uma destas palavras formando um conjunto mágico: Porto, Festa, Natal, Amor, Magia, Sonho, Paz, Abraço.
Beneficiando da comodidade da bela mesa do bar em que me instalei, dei início à leitura das notícias internacionais e europeias nos periódicos que comprara. A notícia quente era o atentado terrorista em Berlim, atribuído a um refugiado paquistanês na Alemanha. A notícia que havia chocado a opinião pública no dia de ontem tinha sido o assassinato do embaixador da Rússia em Ancara, na Turquia. Para definir a tensão que passou a reinar nos países europeus, os jornais de hoje buscaram uma expressão clara e unânime que diz tudo: ”Europa está em alerta máximo”, sobretudo em mercados e feiras.
Isto é um lado da crônica de hoje. Todavia, a vida social e política se expande noutros sentidos.
As notícias são boas para os portugueses. Os jornais dizem que os portugueses vão ter o Natal mais farto de há seis anos para cá. Calcula-se que este ano cada português gastará uma média de 373,35 euros. Num câmbio não inteiramente rigoroso esses euros correspondem a cerca de 1.493,00 reais. O crescimento do PIB português no ano de 2016 foi de 1,2. Na complicada dinâmica da economia europeia, o euro aprisiona bastante as economias nacionais dos países-membros, seja pela alta valorização do euro, seja pela falta de liberdade que os países-membros têm em gerir sua própria economia, anexada a normas várias e a ritmos que são geridos por Bruxelas. Em seu conjunto e apesar de limitações naturais que tem, Portugal apresenta-se como um país moderno, bastante tranquilo, com uma alta taxa de visitação turística. Os transportes são bons, a hotelaria é boa, as comunicações são boas, a democracia gere a vida social com naturalidade, dentro do que são considerados direitos e deveres sociais.A culinária portuguesa é excelente e elogiada por todose. Em destaque a pastelaria doce, as comidas regionais.
No plano nacional há projetos muito avançados no que toca ao meio ambiente. O Novo Fundo Ambiental português é constituído por investimentos ambientais, com recursos dados para projetos indicados pelo Governo relativos a projetos hídricos, agricultura, florestas, conservação da natureza e subsídios para compra de carros elétricos pelas famílias, projeto fundo azul, educação amhiental, “descarbonização nas cidades” (living labs), armazenamento de energias renováveis” e outras.
Mas a notícia que mais me emocionou foi a que li no Jornal de Notícias do Porto de que “no município de Penelas há um projeto-piloto de entrega personalizada de refeições por drone a idosos em aldeias isoladas”, graças a um convênio que existe entre o município e a Santa Casada Misericórdia.
Entre as notícias natalinas que engrandecem a tradicional festividade do período do Natal em Portugal está a que nos relata que “a Biblioteca Pública Municipal da cidade do Porto preparou várias atividades pedagógicas para crianças. Entre elas, está a oficina de azulejaria, a oficina de técnicas de construção de presépios, a moldagem de barro e aproveitamento de materiais reciclados. Na oficina de azulejaria, há a tentativa de levar a criança ou o jovem a descobrir o azulejo. Tudo começa por uma visita aos azulejos do claustro do prédio da biblioteca, um antigo prédio barroco do século XVII. Após este primeiro contato, o aluno entra mais preparado na oficina de azulejaria.
Por muitas razões, eu diria que Portugal se tornou hoje um país que vale a pena visitar. País moderno, com muita facilidade para as pessoas se deslocarem, com muitas atrações paisagísticas, muitos monumentos históricos, culinária excelente e com muitos laços característicos que unem Portugal e Brasil. Na rua Augusta, em Lisboa, vale a pena ver e visitar a Casa Brasileira, uma casa que expõe com muita inteligência cultural e comercial variadíssimos salgados e doces de muitas regiões de Portugal.

João Ferreira
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