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Artigos-->Mazelas do Casamento - A Indissolubilidade -- 13/11/2017 - 23:37 (ALEXANDRE MOTTA JUSTO) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Eu queria saber quem foi o desgraçado que inventou a indissolubilidade do casamento. Eu ia dar tanta porrada nele, mas tanta, que ele ia inventar uma máquina do tempo só para voltar ao passado e eliminar a ideia do próprio casamento.

Olha a besteira que o cara fez.

O casamento sempre foi a união de um homem e de uma mulher (hoje em muitos países também entre pessoas do mesmo sexo) sob a benção de um ou muitos supostamente existentes entes sobrenaturais e superiores (no botequim do Pereira é o chamado “no religioso”) ou perante um outro homem que personifica o Estado e suas regras (no botequim do Pereira é o chamado “de papel passado”). Este último hoje é dissolúvel. O primeiro continua sendo indissolúvel.


Quando um homem e uma mulher se casam “por amor” eles na verdade estão sob o efeito de uma enxurrada de substâncias químicas produzidas pelo próprio corpo e que produzem um número inimaginável de reações nos seus pobres cérebros. Me parece que essa coisa toda dura uns cinco anos e depois passa. Li isso em algum lugar.

Pois bem: desde a pré-história macho e fêmea se unem com o único fim de espalharem seus genes pelo mundo por meio da cópula.

Você pode se perguntar se tal objetivo não poderia ser alcançado mesmo sem o casamento.

Eu digo que sim. Era assim na pré-história. Macho e fêmea copulavam, garantiam a sobrevivência da cria e depois o macho procurava outra fêmea. Era simples. Era indolor. E todos eram felizes.

Porra, nos dias atuais poderia ser assim também mesmo com o casamento! O macho e a fêmea casariam, copulariam, gerariam descendentes e ficariam juntos até que os descendentes não precisassem mais da proteção dos pais.

Em épocas pré-históricas essa proteção se daria pela força física do macho e dos cuidados da fêmea com a alimentação, higiene, saúde. Nos dias de hoje uma pensão alimentícia resolve o problema do macho e uma babá o da fêmea.

Mas eis a parte mais triste.

Nós nascemos e durante toda nossa vida martelam na nossa cabeça o tempo todo que o casamento é para a vida toda. Você tem oito anos, é almoço de domingo na casa da sua tia e você está brincando. De repente alguém diz:

- Sabem o Marquinho e a Tânia? Estão se separando.

Clima de velório.

- Jura? Mas eles formavam um casal tão bonito! - diz a sua tia.

Sabe o que o comentário da infeliz da tua tia fez com a sua cabeça? Reforçou nela a ideia da indissolubilidade do casamento. Separação é algo triste. Casais bonitos não se separam; uma notícia dessas acaba com o almoço de domingo (essa ultima conclusão só é válida porque você só tem oito anos).

Consequências.

Você cresce com essa coisa incrustada na sua mente como um filhote de um alienígena que faz de um astronauta seu hospedeiro: casamento é para sempre; quem se separa é porque fracassou, porque errou. Sabe o que acontece? Casais que já não se amam mais como homem e mulher, mas se gostam como amigos, se admiram e se respeitam, continuam casados por muito tempo e, nessa situação, se tornam infelizes. E mais! Esses casais que já não se amam sofrem quando se separam! Dá para acreditar nisso??? O homem não gosta mais da esposa e a mulher não gosta mais do marido e quando se separam ambos sofrem! Sofrem por qual motivo? Porque alguém em algum momento da história da humanidade disse que o casamento é indissolúvel e que a indissolubilidade é sagrada. Meu Deus! Você acabou de violar uma regra sagrada! Você está errado! Você tinha que ter tentado por mais um ano! Quem sabe por mais cinco anos? Ou por toda a vida!

São as “verdades inventadas” pelo homem. Na natureza nada disso existia antes do nosso amigo jogar essa regra nas nossas cabeças. Macho fodia fêmea; fêmea engravidava; filhote nascia; macho e fêmea cuidavam dos filhotes; filhotes cresciam; filhotes já adultos procriavam; genes do macho e da fêmea seguiam em frente; macho dava adeus para a fêmea. Hoje, como eu disse, o macho não precisa esperar a cria chegar à idade adulta: basta pagar a pensão e dar adeus para a fêmea. Esta, por sua vez, recebe a pensão e paga uma outra mulher para cuidar da cria. Mas uma coisa é certa: ambos vão sofrer, não por amor, mas porque o casamento deveria durar até o último dia das suas vidas.
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