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Artigos-->O centauro dentro de nós -- 13/02/2018 - 19:49 (João Rios Mendes) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos



Nos primeiros dias de escola aprendemos que somos animais racionais. A professora explica que somos diferentes dos outros animais porque temos a capacidade de raciocinar, de usarmos a razão em nossas decisões. Somos o único animal capaz de pensar e decidir antes de agir analisando todos os fatores contrários e favoráveis.

Isso significa que temos dentro de nós dois animais. Um em estado bruto e outro lapidado, que usa a razão para dominar a brutalidade. O bruto e o racional formam o que somos, nos ajudam em nossas decisões, nos levam à defesa ou ao ataque.

O Centauro – ser mitológico metade homem e metade cavalo – é a figura que mais representa nossos instintos. Como humanos, tal qual o centauro, a razão fica na parte superior e frontal do corpo. A razão deve estar sempre vigilante para não deixar o animal dominar todo o corpo.

A professora também ensina que vivemos em sociedade. Portanto, temos que obedecer às regras sociais. Nossos pais nos levam à escola para que desde cedo nos diferenciemos dos outros animais. Para nos ensinar a convivência em sociedade temos, além da escola, a família e o estado. Como educadores, essas instituições não podem falhar nem dar mal exemplos senão a vida em sociedade fica insuportável.

As cenas de violência nas praias do Rio de Janeiro exibidas fartamente neste carnaval, mostram que o lado animal está sobrepondo-se à razão em alguns indivíduos. Aquelas cenas mostram que a escola, a família e o estado fracassaram na arte de educar, de convencer e de mostrar o que é viver em sociedade.

Os centauros nas areias das praias mostrados pela televisão ignoraram a parte humana superior e conservaram a metade animal desembestada. Quando esperávamos atitudes sensatas e moderadas daqueles jovens vimos a força física do bando sobrepondo-se à razão.
Para tentarmos entender o que está acontecendo com aquela juventude podemos pegar emprestados os exemplos dos governantes do Rio de Janeiro. O Rio tem presos dois ex-governadores, alguns políticos e vários empresários renomados por surrupiarem dinheiro público. Sem contar as irresponsabilidades dos motoristas que avançam o sinal vermelho e dirigem bêbados.

Quais recados a irresponsabilidade desses governantes, empresários e motoristas passam à juventude em formação? Se o bacana da cobertura rouba eu também posso fazer o mesmo aqui na areia; se aquele magistrado do Supremo Tribunal solta os endinheirados eu também não serei preso; se quem deveria investir na minha escola e no meu preparo para o trabalho está me roubando por que eu vou ser correto em minhas ações?

Claro que este texto é apenas uma reflexão ligeira e por isso deixa inúmeras brechas para controvérsias. Mas num ponto havemos de concordar. Apesar de sem escolas e sem empregos aqueles jovens bandidos têm inteligência e exemplos em que se espelham.

O cão pastor só não avança no rebanho porque foi treinado e será corrigido se atacar. Aqueles jovens batem, derrubam e chutam porque sabem que não correm riscos. Qual a diferença entre eles e nós que assistimos a tudo isso do sofá confortável? Se tirarem nosso trabalho, nossa escola; se nos afastarem das boas maneiras de convivência, se nos agredirem gratuitamente no trânsito não soltaremos também o centauro dentro de nós?




Colaboração: Cleide Dias

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