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Artigos-->Limiar -- 20/03/2018 - 09:53 (Padre Bidião) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
O ontem absorveu todo o futuro inacabado que insistia em viver nos planos elaborados pelo presente. Havia ainda algo que escondesse ou que não estivesse pronto o suficiente para aniquilar possíveis vícios de um ser imperfeito. Não haveria solução, pois a imperfeição considerada normal já se apresentava como vício enrustido na pele. Essa mesma pele tão frágil ao corte da navalha da ilusão a abrandar um revolto coração que mal sabia engatinhar nas próprias emoções de tão tolhidas em algum momento do passado. Olhou para a janela e percebeu que havia uma criança e um cão na praia a brincar com os tempos inutilmente aproveitados, uma vez que logo adiante, teria que retornar à casa dos pais. A brincadeira jamais deixaria de existir, salvo a criança e o animal tão absorvidos naquelas memórias já de certa idade que manteriam a eles salvos. Mas o presente estava tão real e absoluto quanto a relatividade de uma vida consciente que seria recebida por um futuro envelhecido com as artérias entupidas por placas de ateroma. Não haveria outra alternativa senão encarar com facilidade este e outros danos tão sutis da idade. Mas o mar, a areia, a criança, o cão e a bola não seriam fumigados daquela memória tão imersa naquela velhice que abriria as cortinas ao futuro daquele ser. E por ser, logo haveria de desaparecer ao tempo, ao vento no intento de perpetuar as lembranças de um passado cassado pelo presente. O cão largado ao chão, já não tinha forças de erguer um olhar de esperança em um dia rever aquele menino que um dia brincava com ele na praia sem nunca ter saído de casa. É verdade, hoje perdido nas recordações de um passado em branco, talvez nem o enxergasse e muito menos dele lembrasse que um dia estavam a beira mar, disputando uma bola. Hoje, estão os dois esquecidos no presente de todos embora acolhidos pelo passado que naquele momento era tão presente e aproximavam os dois. A vida entre eles estava por um fio formando um divisor entre um passado vivificado pelos corpos já envelhecidos e perto do fim e um presente aos olhos curiosos dos que nem supunham o que viesse a ser vida.
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