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Contos-->Gabi e o perdão -- 26/08/2003 - 03:15 ( Andre Luis Aquino) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Numa dessas favelas miseráveis um dia nasceu mais uma criança, uma menina, a terceira garota no meio de sete filhos, o barraco era pequeno, do tamanho da esperança daquela família que mal conseguia sobreviver.
Ela se chamaria Gabriela como a moça da novela e ainda pequenina ficou conhecida como Gabi para o resto de sua miserável vida, cresceu assim a deus dará, estudo teve muito pouco, teve mesmo é que pedir dinheiro na rua e vender bugiganga no farol, teve mesmo que aprender o que era a vida desde muito cedo.
De menina virou mulher muito precocemente, tinha doze quando foi violentada por um garoto delinqüente de treze, traficante e fugido da justiça, Gabi aprendeu da forma mais dura e dolorida o sexo e talvez por causa disso tenha sentido raiva e nojo desse ato para sempre, mas nem por isso deixou de se dar.
E se dando quando tinha quatorze já tinha sido namorada de traficante, policial e até de playboys que iam comprar drogas na favela, seus cabelos eram negros e seus olhos castanhos, os garotos da favela falavam que ela dava pra qualquer um e gostavam de cuspir na cara dela, Gabi não respondia só enxugava seu rosto, se ela pudesse talvez também cuspisse em si mesma.
Aos dezesseis Gabi engravidou e não sabia quem era o Pai de seu filho, nove meses carregou no bucho uma criança mal querida e assim que ela nasceu Gabi entregou o bebê para uma freira e nunca soube o que fizeram dele, partiu para outra cidade em busca de uma vida melhor ou de menos sofrimento.
Gabi usava drogas e já não sabia viver sem elas, trabalhava para pagar os vícios da bebida, do fumo e das picadas, prostituía seu corpo, entregava a sua carne e quase não sabia o que era estar sóbria, sua vida era em preto e branco, ela não tinha mais sapatos e suas roupas eram sujas, virou um farrapo humano, apenas a sombra de alguém.
Uma noite depois de uma overdose fora salva por um policial que passava na praça onde ela se drogava, levada ao hospital passou dias desacordada, a morte passou bem perto e quase a levou, talvez para ela morrer fosse só um alívio.
Tentou fugir do hospital muitas vezes, mas os enfermeiros fortes sempre a impediram de escapar, um médico implacável resolveu diagnosticá-la como louca e ela foi internada num manicômio.
Podemos até imaginar o que é um lugar desses, mas saber de fato como é estar lá só quem pisa em tal solo sabe e Gabi soube sofrendo muito com a abstinência das drogas, os gritos dos loucos à noite e os risos desenfreados de dia, primeiro ficou louca pra depois ficar sã, teve que enlouquecer pra se curar, mas a cura num lugar desses nunca chega.
Ficou amiga de um senhor que cuidava das roupas do manicômio, deu sua carne em troca de liberdade, o senhor facilitou a sua fuga num domingo vazio, nesse dia ela completava 23 anos de idade.
De volta as ruas Gabi resolveu levar uma vida nova, decidiu que não usaria mais drogas e não daria mais a sua carne pra qualquer um comer, bateu na porta da freira que um dia acolheu seu filho, a freira deu a ela o que comer e beber em troca do seu suor varrendo a igreja e limpando as latrinas do convento.
Pensou em virar freira, mas não dava para isso de ser santa, ganhava alguns cobres das freiras mais piedosas e de vintém em vintém juntou o suficiente para alugar um quarto num cortiço no centro da cidade, aprendeu com uma freira amiga a fazer unhas e virou manicure num salão.
Assim Gabi passou a viver a vida em cores, aos poucos foi se tornando alguém que tinha uma história pra contar, Gabi só encontrou o perdão o dia que se olhou no espelho e não teve vontade de se ferir, depois que Gabi encontrou o auto-perdão o amor a encontrou num açougue comprando carne, um açougueiro virou seu marido.
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