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Ensaios-->JUNTANDO AS ESCOVAS DE DENTES -- 13/04/2008 - 14:02 (ANGELA FARIA DE PAULA LIMA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
JUNTANDO AS ESCOVAS DE DENTES


Cada vez está menos em moda juntar as escovas de dentes. Parece que o mundo globalizado e interligado pela internet, propicia uma presença confortável, uma companhia agradável e que uma vez cumprida a sua função de entretenimento é finalizada com um “até mais”, desligando o aparelho ou imediatamente passando para outro ponto de interesse.

Isso parece confortável. Não precisamos servir cafezinho, não precisamos mudar de roupa, e podemos interromper a visita a qualquer instante. Assim como também voltar à conversa sem o mínimo constrangimento.

Tanta liberdade tem dificultado as relações pessoais e modificado o padrão de convivência. Achamos difícil conviver com outras pessoas no mundo real, pois isso se constitui, dentro da visão cibernética, uma invasão de privacidade. Podemos conviver com todas as pessoas e ao mesmo tempo ter nossa vida longe dos olhos alheios. Ter nossos espaços preservados e totalmente habitados por nossa individualidade.

Entretanto o grande desafio da convivência amorosa passa a ser facilitado por esse maravilhoso instrumento que se chama computador. Desde sempre, a presença constante de duas pessoas em um casamento tradicional tem sido, paradoxalmente, o grande empecilho de uma vida feliz e tranqüila. Gostamos de nossos instantes de solidão, embora não sejamos ermitões.
Queremos aqueles momentos de sossego em que possamos assistir aquele canal de TV brega que nosso companheiro abomina. Queremos usufruir do silêncio necessário à própria criatividade sem sermos continuamente incomodados pela culpa de não estarmos aproveitando devidamente o nosso companheiro. Gostamos de ouvir aquela música clássica ou sertaneja na altura que achamos ideal sem receber a censura de ninguém. Queremos dançar, cantar, dormir, comer... Sei lá!... Até andar pelado se assim quisermos! Tudo isso sem aquela voz de fundo nos dizendo que o espaço é de todos e que temos de respeitar a maioria.

Antes da era da informática tínhamos de desenvolver a paciência, o jogo de cintura, o bom humor. Muitas vezes tínhamos de sair um pouco, respirar um ar mais puro, viver nosso mundo de maneira mais isolada. Viajar era uma necessidade premente, tirar férias, sozinho, para “espairecer”. Essa era a expressão. Com o tempo esse jogo de cintura vai virando um jogo de aparência, a delicadeza cedendo espaço à hipocrisia e o espairecimento acaba virando fuga cada vez mais prolongada, desaguando numa relação de aparência social, mas minada pelo desamor e intolerância.
Sei que essa visão nova a respeito de uma vida diferente tem provocado debates calorosos sobre a necessidade de interagir. O que fazer?

Isso me remete à lembrança de reações similares às novas concepções de lazer das crianças modernas versus crianças de antigamente. Num mundo cada vez mais competitivo, como afirmar que o jeito de viver da geração anterior é mais saudável que a de agora? É preciso se conscientizar de que a vida mudou, literalmente. E as necessidades de vida também.
O que era exercício físico saudável como subir em árvores, comer fruta tirada no pé da planta, foi substituído pelas academias, pelas aulas de várias formas de exercícios e - me desculpem! - muito mais saudáveis, monitoradas, e em ambientes propícios devidamente preparados para tal função. A alimentação também evoluiu no sentido em que temos acesso a muito melhor qualidade de frutos. A criatividade não se perdeu, ela se expandiu no sentido em que o mundo também se alargou com o livre acesso a uma gama maior de realidades externas conseguidas com o uso da internet.

Claro que não faço apologia do viver isolado e sem a presença das pessoas! Nada substitui o toque, o beijo, o cheiro e o som do riso. Falo dessas novas realidades como parte de um novo conceito a ser incorporado e aceito pelas antigas gerações. Não vejo vantagem também na apologia do estilo de ser anterior, quando o mundo não oferecia as mesmas facilidades e necessidades que mundo de hoje nos apresenta. A cada época a sua concepção de vida. É preciso progredir na visão de vida assim como no conhecimento que amplia dia a dia a nossa capacidade de realizar coisas novas e maiores.

E as escovas de dente? Ah! Não me esqueci delas... Sei muito bem que falava de relacionamentos amorosos.

Não abro mão da presença do homem amado! Fazemos questão de estar juntos todas as vezes que podemos e temos vontade. Existem prazeres que só podemos usufruir na companhia de alguém que gostamos de verdade e por quem estamos apaixonados. E como é bom o abraço envolvente, o olhar de ternura e um corpo abrasado de desejo!

Para isso, mantemos a nossa privacidade virtual, mas as escovas de dente...
Ah... Essas são mantidas em recipiente próprio, devidamente juntas, se beijando dia e noite!...

Quem sabe um dia os donos fazem o mesmo?...
13/04/2008
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