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Contos-->Jardim vazio -- 18/10/2003 - 08:30 ( Andre Luis Aquino) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Lembro de uma vez no tempo em que ainda era uma criança que havia perto do lugar onde brincava um grande e alto muro todo branco que se estendia por toda uma calçada da rua.
Com aquela já enorme curiosidade que tinha em minha infância queria saber o que tinha por trás daquele muro, mas ele era tão alto que sempre desistia da idéia.
Num belo dia resolvi matar de vez minha curiosidade e subi no banco de minha bicicleta para alcançar o alto daquele muro só que nem assim era capaz de conseguir subir até seu topo, mesmo diante dessa dificuldade pensei em não desistir facilmente do meu objetivo e resolvi me arriscar, saltei do banco da bicicleta com os braços esticados para agarrar na extremidade mais alta do muro e deu certo, poderia ter escorregado e caído ao chão, ter quebrado o braço ou qualquer outro osso, mas naquela época adorava me arriscar nessas aventuras acrobáticas e na maioria das vezes elas davam certo.
Mas todo o meu esforço não me valeu de nada, quando meus olhos pela primeira vez puderam fitar o outro lado daquele muro fiquei deveras decepcionado, estava tudo abandonado e não havia nada de interessante ali, era apenas um grande jardim abandonado com o mato crescendo em volta dos canteiros, as flores estavam secas e mortas os arbustos murchos e tinha uma pequena arvore no centro quase sem folhas mais ainda viva e no fundo havia ainda uma casa igualmente abandonada e deserta.
Fiquei ali no alto daquele muro apenas por um minuto, pois já estava preocupado em como iria descer dali, por sorte alguns amigos passavam por perto naquele momento e me ajudaram a descer em segurança.
Mesmo tendo sido na época uma aventura decepcionante jamais me esqueci daquele jardim abandonado que naquele tempo não significava muito pra mim, com a imagem guardada na memória hoje aquele mesmo jardim ganhou um outro sentido.
Com os anos passados a vida emprestou ao meu coração um pouco de poesia e aquela imagem guardada ganhou uma nova dimensão no meu pensamento e imaginei uma história que explicasse o motivo da existência daquele jardim vazio.
Um dia aquele jardim tinha sido belo, verde e florido e enfeitava o quintal de uma casa que abrigava uma família feliz, ao mesmo tempo que um homem era o pai da família era também jardineiro daquele imenso jardim.
E assim foi durante muito tempo, as flores e o colorido daquele jardim refletiam o que era aquela família, o pai e jardineiro viveu seus melhores dias naquele espaço, dedicou muita alma para tornar aquela família e aquele jardim as melhores partes de si.
O tempo passou, os filhos cresceram e deixaram a casa vazia para viverem suas próprias vidas em outro lugar e o pai ficou sozinho com a mãe e desta feita já estava mais velho e mesmo assim cuidava com todo carinho de seu jardim que cuidava dele de volta.
Mas um dia sua mulher morreu subitamente e ele ficou viúvo, perdeu um pedaço de si e nunca mais foi o mesmo, ela foi cremada e suas cinzas foram jogadas no jardim e fertilizam até hoje a árvore no centro do jardim que ainda teimosa permanecia viva.
O homem viveu até os seus últimos dias naquela casa e ficou conhecido naquela época como o jardineiro que regava as plantas e molhava a terra com suas próprias lágrimas.
Seu último desejo teria sido ter suas cinzas jogadas igualmente no jardim e assim foi feito, misteriosamente algum tempo depois o jardim que estava quase morto voltou a florir e um tempo depois a casa foi vendida para uma nova família e para um novo pai de família e jardineiro.

MEUCAMINHAR@YAHOO.COM.BR


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