Usina de Letras
Usina de Letras
   
                    
Usina de Letras
101 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 54717 )
Cartas ( 21051)
Contos (12071)
Cordel (9440)
Crônicas (21012)
Discursos (3106)
Ensaios - (9890)
Erótico (13106)
Frases (39732)
Humor (17538)
Infantil (3557)
Infanto Juvenil (2306)
Letras de Música (5410)
Peça de Teatro (1309)
Poesias (135400)
Redação (2862)
Roteiro de Filme ou Novela (1035)
Teses / Monologos (2371)
Textos Jurídicos (1913)
Textos Religiosos/Sermões (4159)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Ensaios-->ANDANDO NA CONTRAMÃO -- 11/06/2008 - 08:42 (ANGELA FARIA DE PAULA LIMA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


ANDANDO NA CONTRA MÃO





Existem pessoas que vivem de maneira totalmente diferente das regras sociais do grupo por elas freqüentado ou imposto.

Digo imposto, no sentido familiar, enquanto não nos é cabido o direito de escolhermos nossos pais e parentes. Freqüentado, no sentido social, quando é a única alternativa de agregar-se a um núcleo que, mal ou bem, as mantém seres sociais e sociabilizados.

Embora mantenham uma fachada de similitude, lá dentro, se fosse dado o poder da visão de suas mentes, veríamos o tanto de conceitos desejados e nunca assumidos por essas mesmas pessoas. E, se tivessem o direito de escolher o tipo idealizado para serem seus reais companheiros de vida, nunca seriam os mesmos do momento então vivenciado.

Isso acontece com muita gente ou com pelo menos, uma parte expressiva dos seres humanos. Nunca havia pensado em semelhante questão até ler o livro de Arnaldo Jabor:- EU SEI QUE VOU TE AMAR. Não sei se quem o leu percebeu esse tremendo enfoque da questão do ser humano na sua essência. O da necessidade de dar asas à fantasia que existe dentro de cada um e que é inteiramente reprimido pelas regras sociais dentro do padrão do que é limpo, bom, e desejável para ser "perfeito" nessa mesma sociedade.

Tenho estudado muito a respeito dos comportamentos naturais e que não são os aceitáveis e aprendidos em uma educação repressiva. E noto, que o grande vilão do equilíbrio e da felicidade é o abafamento da personalidade verdadeira de cada indivíduo.

Tentamos vida a fora padronizar regras sociais de comportamento ideal para todo um grupo social estabelecido, seja casa, cidade, comunidade religiosa ou país. E nos tornamos tão escravizados pelos costumes, tão pouco abertos às novas verdades, que criamos confrontos em todas as áreas da existência: dos dissabores familiares às grandes guerras mundiais. Quem é o maior gerador de todos os grandes conflitos? É justamente a crença de que se está com a verdade, sem qualquer contestação ou possibilidade de revê-la. Colocamos a "viseira de burro" e seguimos nosso destino com resignação. Quando, na verdade, gostaríamos de ser totalmente diferentes e seguir regras próprias. Mas " não fica bem!"...

Com isso, curvamo-nos à mediocridade da unanimidade (aparente) e vivemos muito precariamente a nossa vida já tão curta!

Tenho constatado através da observação de uma grande quantidade de pessoas - com as quais posso manter um diálogo mais aberto -, que a maioria vive a vida que os outros querem e não a que desejam viver. Essa falta de coerência entre o que se passa dentro de cada um de nós e a " realidade" externa cria um elemento de atrito na psique da pessoa, cindindo a sua personalidade, tornando-a superficial, vazia, dissimulada e literalmente impossibilitada de interagir com seu semelhante de maneira digna e honesta.

Vive uma vida aparentemente invejável. Recebe elogios de todos os que a cercam. É o grupo sempre denominado de: - os especiais, os fortes, os pilares da sociedade, os equilibrados, os conselheiros. Mas - sabe-se Deus lá!- a dor tremenda com que enfrentam ou enfrentarão sua real natureza quando lhes for dado o direito de perceber que foram envolvidos de forma ultrajante. São pessoas usadas para que seus "exemplos" sirvam de suporte para os "defeitos" desses mesmos que agora as elogiam. Havendo na sociedade quem os represente dentro dos padrões exigidos, então ficam livres para ser o que eles mesmos postulam como devassidão, ou instintos de baixa natureza humana.

Dão-se a alforria de viver instintivamente aquilo que são em sua essência, enquanto os guardiões da sociedade sofrem calados a impossibilidade de escancarar a sua verdade pessoal. É só prestar atenção nos grandes ícones da humanidade. Chega sempre o dia em que, mesmo existindo quem desminta, as suas "podridões" invariavelmente virão à tona.

Se assistimos esse quadro repetidas vezes ao longo da história da humanidade, porque insistir tanto em manter o "status quo" desse comportamento, digamos, até compulsivo?

Faz parte também da natureza humana termos heróis para imitarmos ou termos como objetivo de vida moral e religiosa. Basta saber de que lado iremos permanecer. O dos supostos invejados? Ou o dos supostos invejosos? Acredito que esse comportamento seja fruto da dualidade interior do ser humano, que não conhecendo a sua verdadeira razão de existir, busca conceitos extremos para poder se localizar nesse mundo. Daí criarmos os mitos, os santos, os heróis, as atuais celebridades tão dúbias, quanto os próprios valores embutidos no que podemos imaginar ser o ético e o moral.

Apesar de existirem os que se dispõe a ser o farol perfeccionista da sociedade, aqueles a quem damos o título de "estarem acima de qualquer suspeita", também é fato comprovado que, além de qualquer suspeita nossa eles têm seu lado negro e obscuro. Com uma única diferença. Não podem manifestá-lo livremente.

Faz-se fundamental responder a uma relevante questão: - Bom ou ruim, ético ou imoral para quê e para quem? Pois já é por demais sabido que o único referencial do bem ou do mal é o que incomoda ou limita cada um de nós particularmente. A sabedoria popular nos ensina que o nosso calo dói mais que o câncer do vizinho... Parece cruel, mas é assim mesmo. Por nossas dores, sofremos, mas pela dor alheia, nos condoemos.

Esse raciocínio, focado na vivência de um casal, pode ser usado em todas as facetas da nossa vida,

Por isso a leitura do livro de Jabor chamou-me tanta atenção. É que vi no drama daquele casal o limite entre o convencionado para ser usado em uma realidade familiar social, e o que realmente permeava a fantasia e a necessidade dos seus protagonistas.

Nas mulheres que foram escolhidas para ser o pilar da família, a mãe perfeita de filhos exemplares, o exemplo do casal dentro da sociedade repleta de falsos valores e falsas regras de conduta, existe esse mesmo lado obscurecido que reclama e deseja viver suas reais paixões.

E na maioria das vezes, só consegue vislumbrar ou ainda externar essa sua face quando deixam um casamento destruído pela mesma falta de viver sua coerência fundamental. Só então percebem que viveram estereótipos e não uma vida real.

Felizes são as mulheres que descobrem cedo esse equívoco e cujos maridos descobrem que lhes é dado o direito de ter no próprio lar o complemento do que lhes satisfaz as fantasias e desejos mais profundos.

Esses casais, sim, terão uma vida de plenitude e saberão por certo que, como nos canta Caetano Veloso,:

"Não existe pecado do lado de baixo do equador!"

11/06/2008
Comentários

O que você achou deste texto?       Nome:     Mail:    

Comente: 
Informe o código de segurança:          CAPTCHA Image                              

De sua nota para este Texto Perfil do Autor Seguidores: 61Exibido 874 vezesFale com o autor