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Roteiro_de_Filme_ou_Novela-->ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 07 -- 25/08/2005 - 12:19 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
ADEUS À INOCÊNCIA - CAP. 07


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7


-- Agora, vamos ter que ficar vigiando a fogueira durante a noite – expliquei. – E cada um de nós vai ter que vigiar um pouco enquanto os outros dormem. Vamos ter que fazer isso até arrumamos um jeito de manter ela acessa por toda à noite.
-- Eu num vou ficar acorda sozinha não – protestou Ana Paula. Minha prima, talvez por ser a menor do grupo, era a mais resistente em seguir as regras. Não sei se era porque ela não passava de uma criança de 12 anos, ou se por causa da ausência do Pai, ao qual era muito apegada. “Vou ter que ter muita paciência com ela. É minha prima e, coitada!, quando souber que o tio Jamil morreu. Será? Morreu sim. Senão ele taria agora com a gente. Melhor ela continuar achando que ele tá vivo. Sofre menos. Sofre mesmo! Mas também num vô deixar ela me criar problemas. Se for preciso, bato nela”, pensei.
-- Veja bem, prima! Todos nós vamos ter que vigiar ela. A fogueira é a única coisa que a gente tem pra chamar a atenção de algum barco ou navio que estiver passando por perto – expliquei. -- Cada um vai ter que ficar um pouco. Vamos ter que fazer mais esse sacrifício. Num é justo uns ficar e outros não. Mas é pra ficar! Num é pra ser escalada e ir dormir quando os outros estiver dormindo. Agora que tamos sozinhos, vamos ter que aprender a se virar. Enquanto a gente estiver aqui nessa ilha, vamos ter que assumir responsabilidades. Temos que mostrar pros nossos pais, quando eles resgatar a gente, que a gente foi capaz de se manter unidos e de sobreviver. Aposto como amanhã ou depois já encontraram a gente.
Enquanto eu falava, as meninas se mantiveram de cabeça baixa. Nem mesmo Ana Paula levantou a sua para protestar. Mas foi bom assim, porque pude mostrar alguma autoridade. Se fosse preciso usar de outros métodos para persuadi-la de cumprir sua parte no acordo, tê-la-ia usado. Pelo menos naquele momento, quando eu sentia um poder que jamais experimentara.
Durante um curto espaço de tempo houve silêncio. Parecia que ninguém sabia o que falar. E foi justamente Ana Paula quem o quebrou.
-- Mas e se a lenha num der?
-- Vamos ter que fazer ela dar – respondi. – Por isso vamos ter que abastecer a fogueira de pouco a pouco. Só para que ela não se apague de vez. Amanhã cedo, vamos procurar mais lenha para abastecer ela. Se a gente conseguir bastante, talvez não precise mais tomar conta.
-- Mas quem vai ser o primeiro? – inquiriu Luciana. – E por quanto tempo?
-- Boa pergunta Num pensei nisso. Se a gente tivesse um relógio funcionado seria mais fácil. Mas o meu tá quebrado.
-- E o meu eu perdi na tempestade – disse Marcela. -- E era um relógio caro. Ganhei dos meus pais no meu aniversário de 14 anos. Nem tinha usado ele direito.
-- O meu eu deixei em casa – disse Ana Paula.
-- Ta bom, gente. Só me deixa pensar um pouco – falei.
Eu realmente não sabia de como faríamos para contar o tempo. Foi Luciana quem a teve.
-- A gente podia usar a posição da lua no céu. Quando ela chegar em determinado lugar a gente chama outra pessoa para ficar no nosso lugar.
-- É mesmo. Não tinha pensado nisso.
E assim foi feito. Calculamos mais ou menos a posição da Lua e onde ela deveria estar quando amanhecesse. Dividimos esse espaço por quatro. Quando a lua chegasse num determinado ponto, o que estivesse tomando conta chamaria o próximo. E assim sucessivamente. Obviamente, nas primeiras noites, os cálculos não seriam precisos e um acabaria ficando mais tempo que outro, no entanto, caso ficássemos um tempo razoável na ilha, aprenderíamos a dividir o tempo de forma igualitária.
Faltava porém decidi a ordem em que cada um ia tomar conta da fogueira. Sugeri que fizéssemos um sorteio.
-- Vamos tirar dois ou um. O primeiro que sair será o primeiro a tomar conta dela e assim por diante – disse Luciana.
-- É isso aí. Então vamos – falei.
Foi um momento de grande descontração, pois o fato de estarmos tirando dois ou um deu-nos a impressão de estarmos numa brincadeira. Houve risadas e tiração de sarro, quando alguém era eliminado.
A primeira a sair foi a Marcela. Depois foi a minha vez. Para que se decidisse a questão entre Ana Paula e Luciana recorreu-se ao famoso par e ímpar. .
Então sentamos os quatro, formando uma roda, e dei as últimas recomendações.
-- Veja bem, Marcela. A gente vai tá dormindo aqui do lado. Você só precisa ficar sentada, de olho para que a fogueira num se apague. Num vai cair no sono, hein! Se alguém ficar com sono, quando estiver tomando conta da fogueira, levanta, anda um pouco, vai até a beira d’água e se molha. Faz qualquer coisa. Mas num dorme. Entenderam bem? – Todos balançaram a cabeça afirmativamente. – Se alguém ver alguma coisa, algum animal se aproximar, é só chamar. Num precisam ficar com medo porque aqui num tem ninguém. O máximo que pode aparecer é algum bicho pequeno atraído pelo calor da fogueira.
-- Mas vamos deitar assim na areia? – quis saber Ana Paula.
-- E você tem outra solução? – perguntei.
-- Não.
-- Quem não quiser que fique acordado – disse Luciana, ajeitando-se para deitar.
-- É isso aí. – falei, fazendo o mesmo.
Pouco depois já estávamos os três deitados em silêncio na areia macia.



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