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Artigos-->A CRUCIAL QUESTÃO DO IMPOR LIMITES (comportamento-educação)) -- 09/11/2000 - 19:52 (Márcio Filgueiras de Amorim) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
O limite contem, impõe uma barreira. O ser humano diante de toda barreira procura transpô-la. Impor, ou não, limite aos filhos ? Quanto de limite impor ? Estamos sendo severos, ou complacentes demais ? Rubem Alves criou uma metáfora brilhante quando compara esta questão ao vôo de uma pipa. Prendendo demais o cordão ela não sobe, soltando depressa demais ela cai.



No consultório, percebo a confusão dos pais em relação a quando e quanto de limite é necessário impor, para bem educar os filhos. Recebo adolescentes, ditos “problemáticos”, que me dizem: “meus pais não ligam para mim, posso fazer o que quiser que eles nem notam”. Ouvindo os pais, escutamos: “somos tão bons para ele, não proibimos nada”. Está claro que estes adolescentes estão suplicando que limites lhes sejam impostos. O mundo ficaria um pouco mais simples e seguro com regras mais claras, e sentiriam que os pais cuidam deles e portanto os amam.



Outra questão é a superproteção. O não permitir que a criança experimente nenhum nível de frustração. Tudo que pedem recebem. Nunca escutam um não. Entram e saem das aulas de música, ballet, línguas e esportes. Entram quando pedem saem à menor dificuldade, sem que os pais procurem ensinar a virtude da perseverança. Costumo dizer que a criança tem o entusiasmo, mas não desenvolveu ainda a persistência. Cabe aos pais, com carinho, incentivarem no momento já esperado em que elas desanimam.



O que em cada idade pode ser decidido, de forma autônoma, pela própria criança ou adolescente é assunto a ser compactuado pela família. Claro que com bom senso, ouvindo e levando em conta os argumentos infantis. O limite precisa ser claro, bem definido, com motivos precisos. Deve haver um acordo prévio sobre as regras, nada pior que um genitor impor um limite e ser imediatamente desautorizado pelo outro.



O que é limite em uma família pode não ser em outra, e é assim mesmo. Percebo, hoje em dia, que os pais procurando fugir a posturas autoritárias se tornaram tímidos em relação a colocarem suas próprias convicções. Eles devem ter a coragem de admitir que possuem crenças, opiniões e valores, os quais não precisam ser verdades universais mas, são as suas verdades. Acredito que em assuntos como religião, os pais tem o direito e o dever de passar suas convicções. Devem, entretanto, ter a abertura para aceitar que quando adultos possam, os filhos, manter ou mudar suas crenças, com liberdade. Há de se ter firmeza ao impor limites, mas sempre permanecendo um “certo tanto” de flexibilidade. Costumo dizer que a casa não é um quartel. Não estou falando mal do quartel, simplesmente lá o esperado é que a norma seja cumprida a risca, sem maior discussão. Em casa predomina o carinho, a brandura sem perda da firmeza e sem omissão. Que as regras não mudem somente em função de um pouco de pirraça ou choro, nem tampouco se esteja sobre o arbítrio do melhor ou pior humor dos pais, no dia. Que o proibido seja proibido assim como o permitido se mantenha possível.



Outro ponto fundamental é que se estabeleça um clima em que a autoridade dos pais seja acatada com certo respeito. Ouvi uma vez a expressão “autoridade amada” e concordo com ela. O apanhar para acatar ordens é inaceitável. Da mesma forma que não se admite mais que o filho apanhe com palmatória na escola, precisa-se acabar com o chinelo, como instrumento de tortura, no lar. No máximo se a conversa não resolve, coloca-se de castigo. Sendo que o castigo deve ser brando, proporcional a falta e suportável na idade. Importante é, não abrir mão da autoridade, entendida como algo que, cabe aos pais, muito mais conquistar do que impor.



É bom lembrar que não existe “receita de bolo”. Educar filhos é deixar explícito que se ama. Dar bastante carinho, sabendo temperar tudo isto, com o tão necessário limite.



Voltando a metáfora inicial, somente tendo a sensibilidade da justa medida entre o soltar e o tencionar a linha, se consegue alçar a pipa para seu mais alto e belo vôo.

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