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Erótico-->AS AVENTURAS DO PADRE DEODORO EM CAMPOS ETÉREOS — XXII -- 07/08/2003 - 08:17 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER
6. EM CAMPANHA

— Pessoal, vamos esquecer que fomos padres, abalançou-se Deodoro a prescrever. Deveremos agir como espíritos em busca de quem possamos atender ou que saiba encaminhar-nos para algum local menos enigmático. A partir de agora, quero que saibam, vou atender pelo nome de Antenor, para forçar a memória a recompor os tempos em que vaguei por estas regiões até ser destinado à última encarnação.

Joaquim esforçava-se por entender o objetivo do outro:

— Eu bem que gostaria de simplificar as coisas dessa maneira. Mas temo que não vai acontecer nada apenas por mudarmos o nosso apelido, mesmo que acertemos o que carregávamos na penúltima peregrinação terrena.

Antenor justificou-se:

— Não estou interessado em descobrir quem fui nem o que sou. Tenho tido suficientes desilusões para saber que não irei encantar-me, se, porventura, despertar para os aspectos de minha personalidade ocultos à consciência. O que desejo é lembrar-me dos caminhos que me conduziram à encarnação, pois este ponto é fundamental para a compreensão de inúmeros procedimentos intelectuais e sentimentais que me estruturaram a alma na qualidade de sacerdote, com todas as minhas crenças e todas as minhas dúvidas.

Foi Roberto quem deu o alvitre mais conveniente para a consecução daquele objetivo:

— Não sei se vocês atribuíram a nossa libertação do claustro ao pensamento coletivo de separação. A união atual me parece ainda precária e só subsiste, creio eu, porque nada alcançaríamos realizar sozinhos. Vejo que Antenor (não sei se vou acostumar-me com o novo nome)...

— Pense que meu verdadeiro nome seja Antenor e que Deodoro tenha sido o cognome adotado como sacerdote.

— Talvez fique mais fácil. Mas o que eu ia dizer é que você, quando se manifestou pelo encontro dos que lhe providenciaram o ingresso na vida terrena, o que desejava mesmo era ampliar o grupo, para o amplexo amigável daqueles que você julga serem seus comparsas... perdão!, seus protetores ou benfeitores, já que se cansou das mesquinharias de cada parceiro, uma vez que somos capazes de recordar as falas, conselhos e determinações do Cristo, mas somos absolutamente avessos a nos pronunciarmos com expressões meigas, gentis, generosas, estimulantes, afetuosas, amoráveis, para o reconforto das culpas que cada qual carrega. Parece que nos habituamos a prescrever normas e regras, a ditar pontos e mandamentos, a determinar penitências e expiações, a responsabilizar os pecadores, antes de acariciar os cabelos e enxugar as lágrimas dos amigos. Com tal espírito, ao nos depararmos com algum adversário, como você disse, gratuito ou não...

— Eu não disse, mas pensei. Concluo o seu arrazoado, pode deixar, porque estou compreendendo a crítica que você está empenhado a estabelecer, principalmente, pelo que posso observar em sua aura, a você mesmo. Desse modo, se não investirmos a comiseração que demonstramos por nós mesmos uns aos outros, pouco poderemos trabalhar em prol das pessoas menos abonadas. Estou certo?

Deveria estar, porque ninguém ousou responder, ainda mais quando viram aproximar-se deles um senhor distinto, vestido como cavalheiro do século XIX, sorridente e terno, que lhes dirigiu a palavra, apresentando-se:

— Meu nome era Léon Hippolyte Denizard Rivail, conhecido no Espiritismo como Allan Kardec. Muito prazer.

Os sete espantaram-se. Roberto tinha vaga lembrança daquela fisionomia, porque o retrato do Codificador se divulgara entre os espíritas, semblante severo e generoso, retratado à moda do século em que viveu, quando a fotografia dealbava. Essas observações íntimas facilmente foram captadas por todos, como se tivessem criado um poder novo de comunicação telepática.

Como o recém-chegado estendia a mão, Deodoro, que se esforçava para se apresentar como Antenor, tocou de leve as pontas do dedo, totalmente indeciso sobre o que fazer e o que falar. Parecia-lhe que Kardec vinha pessoalmente cobrar-lhe as refutações terrenas, somando as demais desfeitas da Igreja.

— Não se preocupe com questões menores, bondoso Monsenhor, disse-lhe o pedagogo francês. Não vivi analisando a moral evangélica à luz dos ensinos dos meus benfeitores espirituais para não ter aprendido a perdoar, a esquecer e a auxiliar a quantos persistirem na prática das perseguições religiosas.

— Eu... nós muito lhe agradecemos a generosidade (lembrava-se Deodoro do qualificativo atribuído a ele por Roberto) e nos tornamos seus devedores.

— É preciso, caro irmão Antenor Deodoro, que vocês suplantem esta fase de descobertas acadêmicas da realidade do etéreo. Recomendo-lhes que trabalhem com afinco, sempre tendo em mira o serviço evangélico, em nome de Jesus. Não vim e não viria em busca do reconhecimento do valor do trabalho modesto que empreendi e que se desdobraria de forma tão importante nestes século e meio desde que me desprendi dos liames materiais. Meu fito, ao procurar este grupo de trabalhadores em potencial, se justifica pelo intento que se declarou em germe e que, com a ajuda dos seus protetores e dos orientadores deles, de escreverem suas ponderações teológicas e filosóficas, para posterior transmissão mediúnica aos homens na Terra.

Deodoro estava intrigado com o volume de informações íntimas contidas naquelas poucas palavras. Não resistiu à curiosidade:

— Professor Rivail, permita-me tratá-lo com tão pouca cortesia espiritual.

— Professor fui e esse título se ajusta com rigor à minha personalidade conhecida. Eu lhe agradeceria se me chamasse simplesmente de irmão, porque todos o somos em Deus.

— Muito obrigado, Professor. Mas o que me incomoda (e esta preocupação não deveria assinalar oralmente, porque sei de seu poder de leitura do nosso pensamento) é saber que os acontecimentos que nos envolveram se expressam tão transparentemente em sua alocução.

— É verdade. Contudo, não se trata de nenhum poder superior. Vocês verão que, após estudos nas escolas do etéreo, uma vez formados socorristas e em pleno labor junto aos necessitados, conforme a prescrição de seus mentores, vocês terão desenvolvido o mesmo dom e poderão ajudar com muito maior discernimento, orientando os pupilos de forma absolutamente correta, em função do crescimento deles.

Deodoro percebeu a oportunidade de ouro que se abria para mais rapidamente progredir em seus conhecimentos.

Kardec prosseguia:

— Peço-lhes que não temam expor-se diante de mim, ainda que certos traços de egoísmo lhes pareçam exageradamente nítidos, para vergonha de quem gostaria de estar melhor preparado para discutir a doutrina, a fim de ir desbastando os galhos secos e improdutivos. Vocês ainda podem ser considerados sacerdotes católicos, porque a sua vontade está disposta nesse sentido. Tudo bem, irmãos. O que pretendo lembrar-lhes é o fato de que vocês têm guardado no fundo do coração que Deus sabe tudo o que se passa na Criação. Dessa forma, por que ter vergonha de aparecer em sua integridade moral perante uma das criaturas dele, se perante ele mesmo vocês não tremem? Não vejam em minhas palavras censura alguma. Se eu mesmo fosse perfeito, não estaria envolvido nesta luta por tornar a ação dos espíritos e dos espíritas coerente com a verdade do Senhor. Estaria no Paraíso, gozando da eterna bem-aventurança.

Roberto, à vista da acessibilidade do mestre lionês, como ele gostava de alcunhar Kardec, atreveu-se a perguntar:

— Léon, a minha questão se refere exatamente à honra que nos dá com sua presença neste lugarejo perdido das Trevas. Eu bem sei, segundo li em suas obras...

Imediatamente, Kardec estendeu a mão com alguns pequenos volumes encadernados e passou-os ao interlocutor. Roberto examinou rapidamente os títulos e agradeceu:

— Vejo que além dos cinco compêndios mais importantes, está aqui também o libreto “O que é o Espiritismo?”, e todos os exemplares da “Revista Espírita” de l858 a l869. Muito obrigado. Não cheguei a ler todos os seus textos mas pretendo fazê-lo agora, quando tenho tempo de sobra. Mas o que eu ia perguntando era a respeito de ser você mesmo quem se apresenta ao grupo ou algum enviado do verdadeiro Kardec. Sei que não posso estabelecer nenhuma distinção entre os espíritos de mesma categoria, porém, suspeito que a nossa insignificância não...

Kardec riu a bom rir e se manifestou sem qualquer indício de aborrecimento:

— Jesus diria, como se registra em São Mateus, XVII: 17: “Ó raça incrédula e depravada, até quando estarei consigo, até quando irei suportá-la?” Se o Mestre Nazareno desceu de sua glória para encarnar entre os homens, por que não poderia este simples servo buscar trazer lenitivo para as dores de um pugilo de almas capazes de sofrer todos os exames de consciência para melhorar o seu proceder cristão? Certo que você, querido Roberto, deve estar intrigado quanto ao fato de eu ter feito referência à mensagem ao público terrestre. A sua pergunta mais pungente está solidificando-se na qualidade do texto que deverão os amigos apresentar, para que os filiados ao movimento espírita não acusem de mistificação e de hipocrisia o servente humano que tornará possível a transmissão dos elementos relativos à minha personalidade. Creio que serão inevitáveis muitas interrogações pertinentes ao meu desenvolvimento após o decesso e quais os processos a que dei curso para melhor desempenhar as tarefas de codificador, tendo em vista que lhes passei a convicção de que me interessava pelo futuro da humanidade, em função da pregação dos valores hauridos diretamente de Jesus, mais os conhecimentos que me passaram os espíritos que me forneceram os roteiros de superior esclarecimento doutrinário, estabelecendo os princípios fundamentais do Espiritismo, quais sejam... Diga-os você mesmo, por favor.

Roberto não se surpreendeu com a gentileza das explicações, que julgou conformes aos ditames da personalidade do Codificador. E reproduziu os tópicos principais das leis reveladas através dos médiuns, colocando em segundo plano a desconfiança de que elas não eram originais dentro da História do Mundo:

— O Espiritismo baseia os seus princípios na lei da reencarnação, para que os espíritos possam evoluir até serem perfeitos.

Kardec, sem dar a impressão de participar diretamente, fez-se compreendido por todos:

— Lei que outros povos conheceram e respeitaram, por enunciados trazidos por espíritos enviados por Jesus.

Prosseguia Roberto:

— Outro fato importante é o entrelaçamento existencial entre os seres residentes numa mesma faixa vibratória ou de freqüência de ondas de mesma ou aproximada extensão, apesar de uns estarem encarnados e outros não.

De novo, o grupo recebeu o influxo das idéias de Kardec:

— Estendi-me bastante a respeito em “O Livro dos Médiuns”, que vocês devem ler para serem capazes de entender os irmãos espíritas que encontrarem no etéreo ou no orbe. Esse conhecimento é básico para que respeitem os humanos as informações hauridas através dos mediadores. Estranho ainda hoje que muitas pessoas não se conformem com a verdade dos contatos entre vivos e mortos, apesar de vigorosamente constituídas quanto ao seu intelecto. Compreendo que muita gente não esteja adiantada nas sendas da espiritualidade, preferindo, por razões diversas, manter-se sob a tutela de teorias e cultos que não exigem mais do que uma fé cega para referendarem a sua disposição de cumprir os mandamentos da consciência ou da igreja a que se filiam. Aceitam os dogmas materiais ou religiosos sem discussão, enquanto os que participam dos trabalhos das casas espíritas são estimulados ao exame das idéias, para a constituição de seu corpo de princípios, inclusive para que a sua fé se veja argamassada nos estudos de caráter científico. O mais que poderia ofertar a vocês agora não corresponde à sua necessidade imediata nestes próximos trezentos anos (pela contagem da Terra), a menos que se dediquem com denodo para efetuarem o congraçamento entre a vontade de acertar e a realização de suas obras. Dispenso a citação dos textos evangélicos que vocês sabem de cor e que poderão mencionar ao escreverem este episódio de suas aventuras nos campos etéreos.

Roberto indagou se deveria deixar registrado para os leitores terrenos todos os elementos primaciais do Espiritismo.

Recebeu a seguinte orientação de Kardec:

— Vocês deverão respeitar o ponto evolutivo deles. Como o público é um ser de multíplices faces, busquem estimular um enredo lúdico, mas não dêem importância às explicações extremamente facilitadas. Que cada qual pense a respeito da vida, segundo o prisma de seus interesses e de sua capacidade de assimilação. O que não pode deixar de evidenciar-se é o fato de que as instituições humanas mais sólidas podem estar fundamentadas em princípios errôneos. Eu mesmo, ao início das investigações espíritas, cheguei a acreditar que fosse possível agasalhar, sob a teoria que vinha desenvolvendo, todos os credos religiosos, unindo as pessoas em função das bênçãos de que me sentia apaniguado. Posteriormente, fui obrigado a considerar que me enganei, pelo menos naquele conjunto de fatores psíquicos e sociais sob que se estruturavam os interesses da civilização européia. Passei, então, a ter uma visão mais abrangente, admitindo que não veria em vida o Espiritismo triunfar em todos os corações e em todas as mentes. Transferi a perspectiva para o final do século e, depois, para o final do milênio. Devo reconhecer que muitas variáveis (com perdão do neologismo) não estavam sob meu controle e ainda não estão, de sorte que prefiro deixar que o futuro se resolva pelo trabalho presente, em prol da disseminação dos ideais espíritas cristãos, argüindo a responsabilidade a consciência de cada um, porque a cada um se dará segundo as suas obras.

Deodoro já não se preocupava com o fato de se chamar desta ou daquela forma. Via que o próprio benfeitor espírita da humanidade tivera dois nomes e, com certeza, muitos outros, porque se recordava, talvez ao influxo das influências subjetivas do ser de superior quilate presente, que o nome Allan Kardec lhe fora atribuído mediunicamente. Ficou com vontade de interrogá-lo a respeito, mas refreou o impulso porque lhe pareceu que a pergunta seria por demais pessoal e fora de propósito, porquanto arremessava a visão para o passado, quando o presente deveria ser muito mais rico em informes e lições.

— De fato, bom amigo, concordou Kardec, o passado apenas nos serve para caracterizar as ações que praticamos, para reforço das boas e eliminação das más. Na verdade, toda revelação do passado deve empregar-se no trabalho do presente, na melhoria da personalidade, para avanço espiritual nas sendas que nos levam a Jesus e ao Reino. O estudo das vidas passadas deve ser estimulado nesse sentido. No tempo em que me chamava Léon, como tão carinhosamente me tratou Roberto, a preocupação do codificador do Espiritismo era relativa à divulgação das bases filosóficas, morais, históricas, científicas e religiosas dos ensinamentos que me passavam os benfeitores. Era o que me parecia o mais eficiente para transformar a mente dos cidadãos e o próprio Estado, que nada mais é do que a soma das aspirações e das realizações individuais. Este ponto da minha pregação foi bem entendido pelos homens que estabeleceram o seu paradigma de procedimento pelas normas evangélicas que ressaltei nas obras, sob orientação direta dos espíritos de luz. Lamentavelmente, não pude concluir o trabalho de disseminação, tendo ficado ao encargo de vários companheiros o dar continuidade ao sistema. Devo reconhecer que ficou muito pouco para ser adicionado ao corpo doutrinário, contudo, o desenvolvimento da cultura no sentido tecnológico, propugnando a fixação das nacionalidades em função do status quo, não consigna os valores espíritas da solidariedade, da fraternidade, do amor e da união entre todos os povos e desvia os filiados ao movimento espírita para setores vitais restritos, tanto que homens ilustres à testa da política, da administração, das ciências e das indústrias, ainda que adeptos do ideário espírita, não conseguem ativar os principais elementos de regeneração coletiva.

Os sete não atinavam com a extensão das reflexões do mestre.

— Percebo que falo como se falasse a crianças que adentram a escola pela primeira vez. Tornei meus dizeres enigmáticos e completamente desprovidos de sentido para a realidade que vocês estão vivenciando. Mas creiam que não lhes faltará oportunidade, em época certa, para rememorarem o que lhes disse e aplicarem ao labor a que se destinam quantos se estimulam ao auxílio do próximo. Repito a atitude dos meus amigos da espiritualidade superior quando me forneciam informações cujos significados me passavam despercebidos. Tudo fiz para interpretar-lhes as mensagens com o mais rigoroso cunho científico do racionalismo de que estava dotado, a partir de meus estudos humanísticos e filosóficos. Mesmo assim, reconheço, algumas explicações ficaram aquém dos ensinos, cabendo a vocês discutir e resolver, se quiserem prestar real serviço ao desenvolvimento do Espiritismo.

Roberto estava nas nuvens. Não conseguia mais pensar espontaneamente, porque estava embebendo-se todo nas palavras de Kardec, que, por sua vez, orientou o discurso para a atitude do discípulo:

— Meu caro e sofrido ex-hanseniano, peço-lhe para mudar seu êxtase para o confronto necessário com a dura realidade em que vocês vão embrenhar-se. Notou como foi que o chamei? Pois se trata do maior elogio que qualquer espírito gostaria de receber. É que a constatação pelos demais do sucesso evolutivo gera campo de forte vibração, pois a alegria se condensa em incentivos para o crescimento não só do amor e do trabalho em prol de quantos se situem mais abaixo, como também de profundo respeito às conquistas dos superiores. Sei que Everaldo diria algo no sentido de avaliar o quanto de inveja e de outros sentimentos mesquinhos poderia causar o enriquecimento do irmão recebido em festa, principalmente quando se sabe que esteve durante tanto tempo vagando em erro pelos ermos da consciência culpada. Mas devo lembrar-lhe a parábola do filho pródigo.

Rapidamente perpassou pela mente de todos as belíssimas expressões contidas no “Evangelho de São Lucas” e Kardec prosseguiu:

— O que desejo deixar marcado nas suas mentes e nos seus corações é a necessidade do progresso responsável. Se vocês estivessem encarnados, seria muito fácil determinar-lhes que seguissem os roteiros da assistência aos que sofrem, lutando por fazê-lo sem sacrifício, ainda que se despojassem de todos os bens, conforme propôs Jesus ao jovem rico. E ficaria muitíssimo claro que o processo das recompensas se estabeleceria naturalmente, sem o tropeço dos desejos maliciosos ou da cobrança quase compulsória, como todos vocês, um dia, julgaram ser o correto. Mas vocês estão no etéreo e aqui muitos dos feitos intelectuais e sentimentais ficaram sob domínio da razão, pela evidência da realidade. Então, a prescrição para que sintam aquele contentamento de se verem ascendendo na escala espírita vou resumir numa frase que excede todos os anseios dos seres pertencentes a estes círculos, mas que se encontra sedimentada nos corações dos verdadeiros espíritas: FORA DA CARIDADE NÃO EXISTE SALVAÇÃO.

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