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Artigos-->Fidel com crise de consciência? -- 10/08/2002 - 21:24 (BELADONAIDIOTA) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Fidel com crise de consciência?







MÍDIA SEM MÁSCARA, ANO 1, NÚMERO 1, 8 DE AGOSTO DE 2002





Graça Salgueiro

No final do passado mês de julho uma delegação composta por 200 pessoas e chefiada pelo Bispo Carlos Baladron, da diocese de Guantanamo em Cuba, deslocou-se para Toronto a fim de participar da XVII Jornada Mundial da Juventude que acontecia naquela cidade, em decorrência da visita do Papa João Paulo II ao Canadá.



Desde a tomada do poder pelo ditador Fidel Castro em 1959, sob o regime marxista-leninista, os cristãos passaram a ser marginalizados e perseguidos, quando não barbaramente fuzilados por insistirem em professar a fé cristã. Igrejas foram fechadas e transformadas em mercados públicos ou salão de beleza; sacerdotes estrangeiros foram expulsos e alguns torturados e encarcerados. Em 1961, o cardeal Manuel Arteaga, então chefe da Igreja Católica cubana teve que pedir asilo na embaixada da Argentina, em Cuba. Hoje, os ofícios religiosos têm ocorrido de forma clandestina, em casa de fiéis que se recusam a abdicar de sua crença religiosa, mesmo que isso lhes custe privações de toda espécie, perseguições e encarceramentos, quando não, o grito frio da morte que lhes espreita as esquinas escuras e sombrias.



Naquele 28 de julho, um grupo de jovens que se preparava para participar de um encontro religioso com a autoridade máxima da Igreja Católica, ao pisar num mundo completamente novo e diferente de tudo que lhes era conhecido, compreenderam o que falavam os mais velhos de sua terra natal.



Raisel, um jovem estudante de eletrônica de apenas 18 anos e procedente de Niquero, na província de Granma, explicou que, entre dezembro e janeiro desse ano, selecionaram os jovens mais comprometidos com a igreja, para ir a esse encontro em Toronto. Até sair da ilha nenhum deles havia planejado nada, uma vez que desconheciam completamente como se desfrutava a vida onde a liberdade é mais que uma palavra no dicionário. Eles nunca haviam viajado para fora de Cuba e, não havia nenhum tipo de comunicação com países capitalistas. Primeiro foram à Montreal e em seguida partiram para Toronto onde até então todos permaneciam unidos. Segundo relata Raisel, foi já ao chegar em Montreal que "vimos toda esta maravilha que não conhecíamos, a liberdade que as pessoas desfrutam e que podem dizer ou fazer o que querem. Em Cuba tu estás como em uma prisão, um cárcere, e te sentes o tempo todo com uma tensão muito forte. Aqui não, cada um vive para si mesmo, não está dependente de outros e creio que é o que cada um dos jovens que ficou aqui, queremos encontrar no Canadá".



Logo ao chegar, Raisel revelou para um amigo seu desejo de não regressar mais à ilha e se enchia de admiração em poder falar de seus planos livremente, sem ninguém para vigiar-lhe ou punir-lhe. Com alguns endereços de cubanos residentes no Canadá e de famílias canadenses, deram alguns telefonemas pedindo ajuda, e ouviram como resposta que "teriam muito gosto em receber-lhes em suas casas". No sábado, por volta das 11:30 da manhã, enquanto todos se preparavam para ir a uma vigília, recolheram suas coisas e saíram.



Hoje, Raisel sente-se feliz, acreditando poder iniciar uma vida nova, contudo teme o que possam vir a sofrer seus familiares, bem como a igreja católica de seu país, pois foram alertados muitas vezes pelos religiosos de que não tentassem pedir asilo que o Governo faria mal à Igreja. Ele faz um desabafo e um apelo: "Creio que cada sacerdote, bispo, religioso, fiel cubano conhece a realidade de Cuba e creio que também têm que levar em conta que esta é a única oportunidade que temos, os jovens, de respirar outro ar. Sei o que significa isto para a Igreja e para muitas pessoas que haviam confiado em nós,mas espero que entendam, mesmo sendo um pouco difícil. Têm que compreender que essa era a única oportunidade que íamos ter".



O presidente da Fundação cubano-canadense de Toronto, Ismael Sambra, afirmou que o número dos que pediram asilo pode ser maior do que os 23 anunciados inicialmente. O porta voz do escritório de Cidadania e Imigração do governo do Canadá, Rejean Cantlon, informou que até o dia 30 de julho, menos de dez pessoas relacionadas com as Jornadas Mundiais da Juventude tinham iniciado os trâmites de asilo. Acrescentou ainda que, qualquer demanda de estatuto de refugiado leva três dias para ser registrado pelos serviços de imigração e que, por isso, nenhuma informação precisa poderia estar disponível àquela altura.



O que todo mundo deve estar se perguntado é: Por que foi autorizada a saída de Cuba de uma delegação tão grande, composta por 200 pessoas para participar de um evento religioso, quando a perseguição aos cristãos permance tão viva e cruel como quando seu ditador tomou o poder de assalto? Que "crise" de bondade e respeito, sobretudo às crenças religiosas e a liberdade de ir e vir acometeu o tirano do Caribe, soltando da gaiola 200 pessoas por quem não tinha afinidade nem afeto de espécie alguma? O que não foi revelado, nem pelas autoridades religiosas, nem pelo diretor de comunicações da Conferência Episcopal, nem por pessoa alguma, é que o governo de Fidel Castro deixou essas 200 pessoas viajarem porque recebeu do Vaticano uma quantia superior a U$ 200.000 dólares para confecção de passaportes, vistos, atestados de saúde, parte proporcional da importância da passagem que o governo obtém e "outros gastos".



Não foi crise de bondade nem de consciência; não foi aquela crise de arrependimento que, geralmente, acomete as pessoas ao iniciarem o outono de suas vidas. Não. Isso ocorre em quem crê que há algo mais além depois que se lhes enterram os despojos, e por isso tentam refazer o caminho, cuidando de não repetir os erros de juventude e procurando limpar, através dos seus gestos e atitudes, a única coisa que de fato interessa, que é a vida do espírito. O que ocorreu com Fidel Castro foi mais uma crise de oportunismo e ganância, diante de uma soma de dinheiro grande o bastante para dar continuidade à sua obra de financiar o terrorismo a nível mundial, sobretudo em países da América Latina, onde ele tem posto seus olhos gordos em cima, há tempo.



Raisel compreendeu que a oportunidade que foi concedida a ele e aos outros jovens dificilmente se repetiria, por isso não hesitou na escolha de não mais voltar ao seu país. Que seus familiares não paguem o preço dessa decisão e que os canadenses possam, de fato, oferecer uma vida nova àqueles que lhes clamaram pelo direito à liberdade, agora não mais uma palavra oca de sentido, saída apenas da memória dos seus antepassados, mas uma realidade, plena de vida e de esperança.





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