Quando George Bush, o pai, resolveu guerrear contra o Iraque, o mote foi a invasão do Kwait pelo país de Saddam. Logicamente que o papel de defensor dos países oprimidos pela tirania e pela irracionalidade, outorgado aos EUA pela letargia da ONU, o fórum de defesa dos interesses norte-americanos, foi perfeitamente exercido, tendo êxito a coalizão na expulsão do invasores, sendo estabelecidos, por meio de resolução da ONU, deveres de casa a serem praticados pelo Iraque, sob a ameaça de sanções em caso de descumprimento.
Agora, George Bush, o filho, parece ter 33 quilômetros como o mote da nova guerra contra o Iraque. Trata-se da descoberta pelo inspetores de armas da ONU de um míssil iraquiano que pode atingir 183 quilômetros de distância, 33 km. além daquela estabelecida pela ONU. O Iraque somente pode ter mísseis que alcancem 150 quilômetros; ou seja, a menos que sejam lançados de sua fronteira, tais mísseis não têm condições de atingir nenhum país que queria guerrear contra a nação iraquiana. Os iraquianos não podem se defender em caso de guerra. É a única nação do mundo a quem a ONU nega o direito à auto-defesa. A lógica dessa política somente se explica pela vontade férrea dos EUA de impor ao mundo sua própria tática defesa: se algum país representar perigo à grande nação americana, imediatamente os mecanismos de eliminação da ameaça são acionados, via ONU.
Evidentemente, o único fator preponderante na política de defesa dos EUA é o poder militar efetivo do país que supostamente representa a ameaça, ficando, nesse caso específico, em segundo plano o poder econômico desse país. Muitos se questionam porque os EUA tratam de forma diferenciada países como a Rússia, a China, a Coréia do Norte e o Iraque.
O primeiro, como sabemos, inimigo histórico dos americanos, não tem uma economia forte como a da China, contudo possui um arsenal nuclear capaz de destruir o mundo inteiro. A China também possui arsenal nuclear, assim como a Coréia parece dispor de algumas ogivas nucleares. Em termos bélicos o Iraque é o mais fraco desses países, em que pese as alegadas ameaças atribuídas pelos EUA a Bagdá em relação ao uso de armas químicas, de cuja existência até o momento os inspetores da ONU não detectaram qualquer vestígio.
Diferentemente daqueles três países, apesar de ser o segundo produtor mundial de petróleo, o Iraque não oferece perigo efetivo à segurança dos EUA, tanto quanto, se assim quisessem, russos, chineses e coreanos do norte. Aliás, é curioso perceber que, em relação à Coréia do Norte, a disposição dos americanos é de negociar, sem ameaças de guerra, invasões ou coisas do gênero.
A atual ópera bufa sob o comando de Bush tem a seguinte lógica: a invasão do Iraque com o único propósito de controlar os poços de petróleo se justifica plenamente se levarmos em conta que a economia norte-americana não pode prescindir do óleo que a sustenta, e o Iraque, detentor da segunda maior reserva, tendo Saddam Huissein no comando, pode muito bem arruinar a curto, médio ou longo prazo, a mais poderosa economia do mundo, desde que decida interferir no preço dos barris de petróleo, pelo controle da produção e exportação do produto.
Parece simples, contudo é á mais lógica explicação para tamanha sede dos EUA em guerrear um país que não pode atirar um mísero míssil além de seu próprio território!