‘Foi em dezembro de 1979 que pela primeira vez senti medo. Tinha 19 anos, estava a caminho do meu trabalho quando um ataque, sem aviso, me atingiu. Pernas bambas, tremor no corpo todo, coração disparado. A cabeça não pensava, as mãos estavam úmidas e sem movimentos, um desespero, um pavor, um medo absoluto e sem sentido no seu mais alto grau tomou conta de todo o meu ser, do meu corpo, da minha alma. Após esse dia os ataques voltavam toda vez que eu saía, depois de um tempo comecei a sentir medo mesmo quando estava em casa e fui desenvolvendo novas fobias, comecei a ter medo de ter medo. Até 1987 minha vida se resumia a aguardar o próximo ataque. Fiz uma peregrinação em consultórios, me levaram para centro de macumba, espiritismo, fiz de tudo, mas não melhorava.
Naquele ano li uma matéria sobre síndrome do pânico e percebi que era aquilo que eu tinha. Mais uma vez fui em tudo o que era médico, mas eles só me receitavam remédio. Um me orientou para eu sair de casa, caminhar e sempre tentar ir um pouco mais longe, mas aquilo só agredia o meu cérebro. Eu já não acreditava em mais nada quando há três anos fui a um médico que trabalha com hipnose.
Foi assim que eu descobri a causa do meu problema. Percebi através da regressão (nada a ver com a charlatanesca, quixotesca terapia de vidas passadas – TVP, já descartada no início desta reportagem) que minha mãe me rejeitava inconscientemente. Ainda com a regressão vi que comecei a me sentir deprimido quando soube que ela se casara com o meu pai contra a sua vontade. Só ao descobrir a causa eu comecei a compreender o problema. Para a hipnose funcionar, a pessoa que está precisando de ajuda tem de se entregar. E eu me entreguei. No começo do transe, a sensação é agradável, mas quando chega na ferida, dói muito. Apesar disso, na volta é como se tivessem me arrancado um dente dolorido.’ D. F., 42 anos, paciente do neurologista Paulo de Mello. Ele está escrevendo o livro ‘Prisioneiro do Pânico’”.
(Parte da muito oportuna e brilhante reportagem “Hipnose: A velha arte sai do armário”, de Giovana Girardi, Tendência/GALILEU [www.galileu.globo.com], Edição n.º 142, Maio 2003, páginas 18/25).
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NOTA: A desinformação, a ingenuidade, o desconhecimento, a ignorância, eis aí o sofrimento, a causa do retardo de D. F. se curar, e de tantas outras milhões de pessoas, muitas vezes maldosa, tendenciosamente manipuladas por crendices que alienam seus adeptos; que os colocam em situação irreversível, incurável. Nada de “obsessão”; Nada de “possessão”, por algum demônio ou espírito; Nada de “carma” de uma impossível “reencarnação”; Nada de castigo de Deus! Todos nós sofremos! Uns vêem erradamente o sofrimento como um mal insuportável; outros, porém, mais inteligentes, educados e preparados, o vêem naturalmente como uma escola para o sucesso, para a vida. O homem – esse desconhecido de si mesmo – tem o dever de assumir responsabilidades para sofrer o menos possível. Eis aí o verdadeiro sentido da vida. Saúde!!!