Completamente entregue, assim dessa forma dado, esculpido em ouro, cravado de diamantes, um amor assim, de amantes mortos em sua cama, mas mortos de amor e há vida no suor de seus corpos.
Um amor assim completamente cego, às escuras, que se recusa a ver a mentira que habita no beijo apaixonado, e mente pra boca beijada, pros lábios molhados de insatisfação.
Um sexo que encarca a fêmea, encaixando-a em suas formas truculentas, querendo sangrar suas intimidades. E no outro dia esse amor traz consigo uma ânsia de ser mais que o vento, ou mais que um grão, ou mais que uma pétala. Quer ser um tanto de eternidade, um pouco que seja de romance e dor. Sim, há um amor desse jeito engendrado, imaculado e sem pudor, que arreganha os sexos, distende os músculos, lubrifica os caminhos antes entupidos pelo medo do fracasso.
Há gemidos nessa noite gloriosa, pois a luz, ainda que timidamente, fez-se presente pelas frestas em nossa mais absoluta devassidão.
Nesse amor tão despossuído de vergonhas, tão cheio de insanidade, não há o mínimo de memória de outros dias quando o simples gesto de não dizer “te amo”, fez cair sobre o meu coração o peso de mil planetas vertidos em doses mortais de veneno. Tua língua é um doce veneno!