É imprescindível, para quem escreve, ter o total domínio das suas emoções, sob pena de se colocar no trabalho as nossas frustrações, o nosso desencanto, a nossa amargura e os nossos sofrimentos.
Nem para os lados da dor nem para os lados da alegria desmesurada.
Os sentimentos antípodas e extremados provocam uma deturpação irremediável que confunde os leitores, dando-lhes uma falsa impressão de quem buscou a isenção e a equidistância.
Mas, na realidade, a posição de neutralidade enfrenta muitas dificuldades. Há sempre uma paixão escondida na matéria a ser discutida, há preferências não reveladas, mas basta se colocar o olhar atento e a observção em estado de alerta. A nossa condição humana é responsável pelo arrebatamento quanto a dados assuntos e a uma indiferença irritante.
Nos livros de referência, fatalmente, cuidamos de ressaltar os itens que afinam com o nosso modo de encarar, selecionando os autores que defendem as mesmas teses que nós defendemos, deixando de lado os outros que se posicionam em confronto com as nossas próprias teses.
Fica muito difícil, então,aquilatar o ponto de equilíbrio, escoimar as impurezas contidas naquilo que lemos, a fim de que possamos saber onde está o joio e onde está o trigo.
Quanto mais sério o assunto, evidentemente, maior a responsabilidade do Autor.
Na nossa área jurídica, por exemplo, é preciso redobrados cuidados para não repassarmos as nossas angústias e os nossos sentimentos desencontrados que, ao final, não interessa a ninguém, exceto nós mesmos.