“POETAS: de construção; de intensidade; de profundeza.
A) O tipo normal do poeta de construção é, não um sentimento muito intenso nem muito profundo, mas de certo, médio, modo, intenso, e não necessariamente de igual modo profundo. Tipo do poeta de construção há os gregos no alto grau, e, no baixo grau, Corneille, Racine, etc.
B) O tipo normal e puro do grande poeta de intensidade é uma construção firme mas curta, incapaz de construir complexidades, e uma profundeza média. Victor Hugo é o melhor exemplo do tipo puro destes poetas.
C) Poeta profundo envolve (?) poeta de pensamento original, visto que nada há de profundo em transferir literalmente pensamento profundo alheio; e pouco transferir não-literalmente é poesia sem um pensamento original para lhe poder dar outra forma. Ainda assim este último é o grau médio, ou entre médio e grande, da profundeza. (Wordsworth’s Ode, Junqueiro, Luz.) O poeta de profundeza é tipicamente incapaz de construir mesmo na extensão do poeta intenso; o pensamento é, de sua natureza, concentrado. Raras vezes é intenso o poeta de profundeza. Tipo de poeta de profundeza é Antero. Outro tipo é Pascoaes, que falha ao querer dar ou construção, ou intensidade. “
O mestre Fernando Pessoa também define que Intensidade é saber manter através do seu desenvolvimento um tema qualquer. Cita em seus trabalhos os exemplos de poetas mistos. Mas alerta que a “mistura” pode ter uma espécie sobressaindo à outra num mesmo artista, prejudicando o resultado de sua obra. Cabe aos mistos a busca do equilíbrio.