Sempre fico intrigado com as opiniões dos especialistas em economia. Não me refiro ao “economês”, afinal uma boa consulta a sites e informativos resolve bem o problema deste tipo de linguagem. Não é isso, em definitivo.
Incomodam-me, sobretudo, questões deixadas no limbo, talvez de forma proposital.
Houve a época da economia indexada, onde os preços e a inflação eram fixados previamente. Passou-se à desindexação da economia, onde as regras do jogo econômico seriam ditadas pelo mercado.
Este segundo período corresponde à intensificação do comércio global, cuja dinâmica exige menos presença dos Estados na economia. Sem dúvida, no período antecedente foram criadas condições – desestatização ainda incipiente – para a apoteose do mercado como legislador supremo, com autoridade e hierarquia superiores às débeis vozes dos países menos favorecidos.
É óbvio que nenhuma grande corporação econômica dá a mínima para os problemas sociais do mundo. Chega a ser ridículo falar em “responsabilidade social” das empresas, quando o poder de estabelecer regras pertence ao “todo poderoso” e invisível mercado. Se não é ridículo, é um infeliz oximoro, uma contradição em termos, um terrível paradoxo ou claudicante paralogismo. São expressões vazias de sentido, em outras palavras.
Afinal qual o gênio das finanças capaz de compatibilizar lucro e generosidade? Liberdade de mercado e assistência aos carentes?
O superno e onipotente imperador da economia – o sacrossanto mercado – porventura agirá contra seus próprios e sombrios interesses ?
Aí você, legítimo sobrevivente da combalida classe média em extinção, indaga-se, ao constatar o esforço diário para enfrentar as intermináveis situações aflitivas, dentro e fora de casa: quem é que deu procuração em branco a este ente econômico abstrato ?
-Você, caro leitor, ninguém mais!
Você elegeu muita gente disposta a abandoná-lo com uma mão à frente e outra atrás, em troca das bençãos dos influentes grupos de empresas transnacionais, ou seja, do mercado.
Você, como eu, aposto, com toda certeza chegou à mesmíssima e redundante conclusão: o sistema, o mercado, ou que quer que o valha, alimenta-se de nós,“pacatos cidadãos”,“consumidores esclarecidos", “conscientes” e depois nos cospe, como bagaços inservíveis.
E como é que a história começou?
Com um simples aperto de botão em uma urna eletrônica.
Este tipo de abordagem é quase sempre evitado pelos especialistas em finanças. Deixam no limbo. Por quê ?
Ora, porque é demasiado simples. É arquitetura do barro e do tijolo. Acessível ao entendimento de qualquer um...