Tento, muito timidamente até, revelar a mim e a outros a que ponto pode ir a sensibilidade. Manerando o tom da fala; escolhendo as pausas; matutando as idéias, ruminando-as de forma a mostrar seu próprio valor - ou seu valor próprio. Distinguindo uma coisa da outra, tudo muito abstrato, poético até. Poucos notam; outros acham que é simples frescura. Para outros, mero jogo de poder.
Dou margem a polêmicas na medida em que é essa mesma sensibilidade que me obriga a evitar contatos com gente indevida - ou que possui, a meu ver, posição inadequada ou defende posturas indevidas. Devem achar que é simples frescura, falta de educação, birra. Como se eu fosse um garoto crescido. Há quem saiba - ou apenas imagine - a que ponto posso ir para fazer meu ponto de vista prevalecer. Esses ficam com certo temor daquilo que pode vir a resultar de tanta teimosia. Mas mesmo esses pensam de forma-padrão.
Reconstruir-se, consegue-se só na medida em que se destrói também algo ao nosso redor. Ou mesmo tudo, quem sabe.