Programado pelo Departamento de Teoria Literária e Literaturas da Universidade de Brasília realizou-se, no dia 23 de setembro de 1994, um encontro-relâmpago com os escritores José Luís Hoppfer Almada, Daniel Spínola e Jorge Tolentino, conhecidas figuras do meio literário caboverdiano e expoentes do Movimento Pró-Cultura de Cabo Verde, respectivamente, Diretor e membros do Conselho de Leitura da revista de Letras, Artes e Cultura "Fragmentos", publicada na cidade da Praia, capital de Cabo Verde. O encontro foi aberto pelo Prof. Dr. Flávio René Kothe, chefe do Departamento de Teoria Literária do Instituto de Letras e estiveram presentes, a Prof@ Dr@ Rita de Cassí Pereira dos Santos, e Prof. Dr. Carlos Alberto dos Santos Abel, docentes de Literatura Brasileira, Prof. Dr. Henryk Siewierski, coordenador do Núcleo de Estudos Portugueses da Universidade de Brasília, Prof. Dr. João Ferreira, coordenador das atividades de extensão do Departamento, Prof. Dr. Hildo Honório Couto, do Departamento de Linguística, diretor da revista "Papia" e coordenador do projeto de pesquisa sobre línguas crioulas desenvoilvido nesse Departamento, Prof. Dr. Tarley, do Departamento de Antropologia, Prof.@ Edith, do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução, além de alunos de graduação e pós-graduação do Curso de Letras da Universidade e de alguns intelectuais da cidade.
O encontro teve dois temas centrais em exposição: o panorama da poesia caboverdiana contemporânea, feita por José Luís Hopffer Almada e a actual ficcão em Cabo Verde, a cargo de Daniel Spínola e Jorge Tolentino. O diretor de "Fragmentos" apresentou uma síntese histórica dos movimentos literários mais em destaque na evolução da literatura caboverdiana, fazendo ressaltar o papel dos poetas de "Claridade" e da geração "A nova largada", passando em seguida a ocupar-se de escritores que se destacaram pela afirmação da africanidade crioulizante de Cabo Verde, como Kaoberdiano Dambará, finalizando depois com uma exposição sobre a novíssima geração de poetas. No conjunto poético desta novíssima geração foi sublinhado, simultaneamente, o papel do caderno Jogos Florais 1976 e das páginas culturais da Voz di Povo, e finalmente a contribuição da Revista Raízes e do Movimento Pró-Cultura.
Em seguida, falaram os escritores Daniel Spínola e Jorge Tolentino. Danny Spínola ocupou-se da ficção caboverdiana contemporânea, destacando, como exemplar típico, a obra "O eleito do Sol"de Armênio Vieira.
Depois da exposição, foi aberto interessante debate sobre os temas expostos. As perguntas mais frequentes giraram em torno da utilização do crioulo como língua literária, do bilinguismo em Cabo Verde, da recepção de autores brasileiros entre o público caboverdiano e sobre editoração e vida literária em Cabo Verde.
A qualidade da exposição dos três escritores mereceu destaque na opinião universitária e chamou a atenção de todos para a pujança literária caboverdiana, no momento bem representada por este grupo brilhante e competente e suscitou a proposta de que urgentemente fosse estabelecido um canal de intercâmbio entre escritores brasileiros e escritores caboverdianos e estimulada, acima de tudo, a vinda de representantes da escrita literária do país atlântico de língua crioula e portuguesa para exporem suas mais significativas obras literárias nos centros acadêmicos brasileiros.
No restaurante "Tabu", do Hotel Nacional, em Brasília, os escritores caboverdianos foram homenageados com um almoço