1. A análise ou crítica imanente é aquela que centraliza no interior do texto literário todo o processo de leitura. Segundo a crítica imanente, é a partir de dentro do texto literário que se deve falar do próprio texto
2. Trata-se de uma posição teórica e crítica defendida tenazmente tanto pelos formalistas russos, quanto pelo "New criticism" e pelo formalismo estruturalista.
3. Quando falam em crítica imanente, estas correntes pretendem fazer a defesa do texto tentando colocar uma barreira contra os abusos da chamada crítica externa. Esta, durante muitos e muitos anos, em nome da leitura textual, reduziu a análise da obra literária à biografia do autor, à psicológia, história, ou então a simples aspectos sociológicos ou antropológicos presentes na obra.
4. A crítica imanente privilegia os dados imanentes ao texto. Este deve ser o ponto prioritário de partida para a anállise crítica.
5. Em sua radicalidade, a crítica imanente se identifica com a crítica formal e como tal prescinde de autor, de tradição literária, de contexto, de período literário, de tendência estética, etc.
6. Dentro da escola formalista russa, o problema dos estudos literários e linguísticos é subscrito por Roman Jakobson e Tynianov. Os citados autores reagem contra a crítica psicologista ingênua, contra o ecletismo acadêmico, contra o formalismo escolástico, defendendo a especificidade da série literária e as leis imanentes próprias do sistema literário.
7. Na momento atual da crítica, a leitura do texto literário é temperada com outras concepções de técnicas de leitura. Entre elas, a estética da recepção, que defende a prioridade da maneira como o leitor vê ou toma contato com a realidade literária. Outras privilegiam o contexto cultural, outras o sócio-linguístico, outras o estilístico, outras o psicanalítico ou até o aspecto ontológico.
8. Dentro da visão atual, a crítica imanente é importante, o texto deve se manter como prioritário, pois só ele é base de qualquer evidência crítica de leitura. Mas o crítico, segundo a crítica genética, deve se abrir também para o autor e para todo o circunstancialismo que explica a natureza do texto literário. Ortega y Gasset dizia: "Yo soy yo y mi circunstancia". Sendo assim, a leitura de um texto não pode deixar de abrir para as circunstâncias do sujeito-autor e do sujeito-leitor.
ALGUMA BIBLIOGRAFIA
BARROS, Diana Luz Pessoa de. “Análise imanente”. In: Teoria do discurso. São Paulo: Atual Editora Limitada, 1988; EIKHENBAUM, B. "A Teoria do método formal". In: TODOROV, Tzevetan. Teoria da Literatura. Textos dos formalistas russos. Vol. I. Lisboa: Edições 70, 1987; TYNIANOV,/JAKOBSON, R. “O Problema dos estudos literários e linguísticos”. In: TODOROV, Tzevetan. Teoria da Literatura. Textos dos formalistas russos.Vol. I.Lisboa: Edições 70, 1987, pp. 143-147.