Eu não consigo entender a lógica do capitalismo. Não sei se por burrice, ou mesmo falta de conhecimento do assunto. Mas, busco sempre o sentido das decisões tomadas nas empresas e por seus executivos, e não o encontro.
Explicando melhor, vamos lá. O capital vive do lucro e o lucro decorre de seus negócios, que no frigir dos ovos, tanto na indústria como no comércio, é a venda de seus produtos. Os compradores são as pessoas que dispõem de condições para isso, e claro que os trabalhadores, dependendo de seus salários, são os maiores consumidores porque em maior quantidade que os capitalistas, propriamente dito, e também porque muitos produtos são dirigidos especificamente a eles, trabalhadores.
Mas, mesmo sendo a fonte de riqueza do capital, tanto na produção pela exploração da mão-de-obra, como no consumo, os trabalhadores são tratados com um objeto descartável, a quem não se dá o mínimo valor. É tanto que as empresas classificam contabilmente os salários e encargos pessoais como despesas, enquanto que as máquinas são investimentos, classificado em seus ativos. Esses mesmo capitalistas quando prestadores de serviços, ao anunciarem cursos, treinamentos, mestrados, pós-graduação, tratam o preço de seus produto, que irão qualificar mais os profissionais, como investimento e nunca como custo ou despesa. Eis que geralmente anunciam o curso com a seguinte observação: Investimento R$.
As empresas, na hora de crise, só têm uma fórmula: demissão. E demissão de gente pequena, nunca da arraia grande. Porém os pequenos são os produtores, e os grandes vivem apenas de reuniões e outros afazeres menos importante, pois o importante é a produção e a venda. A partir da lógica da demissão para redução de custo é que começo a questionar o capital.
Ora, se a empresa vive do lucro e o lucro depende de vendas, que são feitas, basicamente, como já dito, a trabalhadores. Se uma empresa demite empregados, haverá reflexo nas vendas de outras empresas, pois aqueles trabalhadores demitidos deixarão de comprar até mesmo produtos básicos, saindo do mercado consumidor, e consequentemente, outras empresas terão também que demitir. De demissão em demissão vem a recessão e a queda dos lucros.
Se o mundo evoluiu muito nos últimos anos, nas últimas décadas, esta evolução, entretanto, não se refletiu no capitalismo, que continua sua briga demissionária, sempre a situação fica um pouco mais difícil em relação aos lucros. E a redução do quadro de pessoal é a única saída que encontram sempre. Os investimentos, as máquinas e os equipamentos e até mesmo o bem-estar de dirigentes empresariais, estes nunca são reduzidos.
Por outro lado, temos ainda o crescimento incomensurável das multinacionais, que vão engolindo os pequenos. Neste diapasão de crescimento, nesta voracidade por mercados, a Coca-Cola, por exemplo, um dia será a dona do pedaço, ou seja, da Terra e só haverá mercado de Coca-Cola. Isso acontecendo, somente os empregados da Coca-Cola irão beber os produtos dela, então todo o salário dos empregados, claro dos que bebem Coca-Cola, voltará para empresa que não terá mais como se expandir, nem aumentará seus lucros, e assim acontecerá com outras empresas multinacionais, e todas sucumbirão num futuro breve, já que passarão a se engolir como uma cobra engolindo outra.
E quando a parte de trás da cabeça de uma chegar na boca da outra, não poderão mais se engolirem. O mesmo fenômeno acontecerá com a outra cobra. E ambas morrerão sem se soltarem.
Isso ainda sem falar na falência dos recursos naturais, que em breve estarão esgotados.
Assim, penso será o triste fim do capitalismo se ele não for domado, ou não se encontrar uma forma de dominá-lo.
Capitalismo, uma cobra engolindo outra! E as cobras querem morrer juntas, atreladas uma à outra.