Entrevista:
Edwin Aldrin
Hora de voltar à Lua
E, depois, de colonizar Marte. É o que propõe um dos primeiros homens a pisar na superfície lunar
Marcelo Marthe
Amy Sussman/Getty Images

“Se chegar à Lua foi uma façanha magnífica, o que encontramos por lá não foi particularmente atraente. Foi desolador encarar o vazio daquele céu negro”
O americano Edwin Aldrin, de 78 anos, é um dos maiores heróis da exploração espacial. Em 20 de julho de 1969, ele e seu colega Neil Armstrong tornaram-se os primeiros homens a pisar na Lua. Comandante da missão Apollo 11, Armstrong saiu da nave minutos antes e proferiu a frase que imortalizaria a conquista: “É um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”. Isso não impediu que Aldrin seja hoje tão lembrado quanto ele (e bem mais que o terceiro integrante da missão, Michael Collins, que não chegou a descer na Lua). Aldrin prega a idéia de que, mais que estudar o espaço, o homem deve aventurar-se nele. É entusiasta da colonização de Marte e do turismo espacial promovido por empresas privadas – temas sobre os quais tem idéias engenhosas, embora polêmicas. Numa autobiografia de 1975, falou da espiral de alcoolismo e depressão em que entrou depois de se ver transformado em herói. “Buzz”, como é conhecido, escreveu vários outros livros e foi homenageado no filme Toy Story. Por ocasião do lançamento de uma série de TV sobre os cinqüenta anos da Nasa (...), ele falou a VEJA por telefone, de seu escritório em Los Angeles.
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Veja – Na autobiografia De Volta à Terra, o senhor revela o inferno pessoal em que mergulhou depois da viagem à Lua. A experiência abalou suas convicções?
Aldrin – Por ter ficado tão em evidência e me apegado à imagem de herói aclamado, a readaptação à vida normal foi um desafio para mim. Depois que retornei, enfrentei uma separação dolorosa e tive um colapso nervoso. Andei abusando do álcool e enfrentei internações psiquiátricas. Estar no centro de um acontecimento tão grandioso fez com que minhas fraquezas aflorassem. Por outro lado, a viagem reforçou minha espiritualidade. Embora não tenha sido anunciado publicamente, eu comunguei na Lua (Após o pouso lunar, Edwin Eugene “Buzz” Aldrin Jr., católico fervoroso, retirou de um estojo que carregava uma hóstia e comungou, em um ritual silencioso de devoção e agradecimento pelo ocorrido. Fonte: Wikipédia). E, desde então, minha espiritualidade foi ampliada muitas vezes. Hoje, acredito na ação de uma inteligência maior que resultou na criação do universo e guia a evolução da espécie humana.
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Fonte: Veja/Amarelas, Edição n.º 2068, 09/07/2008, Páginas 11, 14 e 15.
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Edwin AldrinDepois de ler a mais bela reportagem sobre o universo, na semana retrasada, senti que a entrevista com Edwin Aldrin (Amarelas, 09/07/2008) foi como uma magnífica sobremesa. Jamais duvidei das alunissagens da década de 70 (principalmente pelas evidências, como o refletor laser), mas havia anos duvidava da primeira delas, em 1969. Entretanto, as palavras convictas do senhor Aldrin e a divulgação de sua comunhão na Lua convenceram-me.
VEJA, com essas reportagens, conseguiu superar as publicações especializadas na divulgação científica. Parabéns!
Euder Monteiro, Itaúna, MG.
Fonte: Veja/Cartas, Edição n.º 2069, 16/07/2008, Página 37.
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“Fora da VERDADE não existe CARIDADE nem, muito menos, SALVAÇÃO!”LUIZ ROBERTO TURATTI.